Serie A

Bandeira do Schalke 04, Höwedes chega à Juve para um novo nível competitivo

A continuidade de Benedikt Höwedes no Schalke 04 permaneceu nas últimas semanas como uma grande interrogação. A princípio, o zagueiro estava comprometido a se manter leal aos Azuis Reais, como foi em toda a sua carreira profissional. No entanto, a perda da braçadeira de capitão gerou rumores sobre sua permanência em Gelsenkirchen, à medida que cresciam as ofertas por sua transferência. O Liverpool seria um dos mais interessados, mas o negócio não vingou. Já nesta quarta-feira, a Juventus bateu o martelo e apresentou o alemão de 29 anos. A Velha Senhora pagará €3,5 milhões pelo empréstimo de um ano, com opção de compra por €13 milhões ao final do período – em cláusula que se torna obrigatória, caso o tetracampeão do mundo chegue a 25 partidas, e que pode ter mais €3 milhões acrescidos, conforme outras metas.

Höwedes escreveu uma grande história no Schalke 04. Formado nas categorias de base do clube de Gelsenkirchen, estreou na equipe profissional em 2007. Mesmo com a falta de títulos expressivos (conquistou apenas a Copa da Alemanha em 2011, além da Supercopa) e com a debandada de seus principais companheiros, o defensor permaneceu honrando a camisa azul. Ganhou moral com a torcida e se tornou capitão em 2011, quando tinha apenas 23 anos. Importância que também o impulsionou na seleção alemã, disputando duas Eurocopas e sendo titular na conquista da Copa do Mundo de 2014.

O zagueiro possuía a intenção de seguir por mais alguns anos na Veltins Arena. Entretanto, a decisão do técnico Domenico Tedesco em retirar a braçadeira representou uma quebra de confiança. O velho ídolo não escondeu sua insatisfação e, a partir de então, o desejo de seguir novos rumos. “Vou como jogador, mas permaneço como torcedor. Se eu fosse perguntado há quatro semanas se eu deixaria o clube, diria que era loucura. Hoje é realidade e, francamente, continuo um pouco sem palavras”, pontuou Höwedes, em carta publicada nas redes sociais.

A Juventus, então, surgiu como um ótimo caminho para o seu futuro. A diretoria bianconera atendeu as demandas do Schalke 04 e acertou a contratação do jogador. Diante dos valores atuais do mercado, apesar da idade do alemão, a transferência sai relativamente em conta para a Velha Senhora. Considerando as virtudes e a experiência do novo contratado, é uma aquisição notável. Já pessoalmente, a mudança para Turim representa um claro salto no nível competitivo do defensor. Poderá buscar as taças que não tinha condições em Gelsenkirchen, além de se manter na vitrine da Liga dos Campeões. Algo que pode até mesmo favorecê-lo, pensando no Mundial de 2018.

Muito inteligente taticamente, Höwedes não deve ter problemas para se encaixar no sistema defensivo da Juve. Pode jogar tanto em uma linha com quatro homens quanto com três. Também costuma ser deslocado à lateral, embora a falta de mobilidade não o favoreça. Em compensação, oferece ótima técnica no combate defensivo e qualidade no jogo aéreo. Também sabe trabalhar os passes e a saída de bola, algo fundamental no estilo praticado por Massimiliano Allegri. Não está no patamar de Leonardo Bonucci, mas mantém o alto nível da rotação ao lado de Giorgio Chiellini, Andrea Barzagli, Daniele Rugani e Mehdi Benatia.

Em seu desembarque no novo clube, Höwedes não escondeu a satisfação pelo momento: “Minhas primeiras emoções foram bastante fortes. Este é um grande clube e Turim também é uma bela cidade. Para mim, a Juventus é um dos principais clubes do mundo, está entre os cinco maiores. Eles tiveram muitos sucessos nos últimos anos e eu quero ser parte disso: fazer meu trabalho, oferecer meu melhor e conquistar títulos no futuro. Estou muito orgulhoso em jogar pela Juventus e farei meu melhor para ser uma grande temporada”.

Höwedes fecha o mercado da Juventus, segundo Beppe Marotta, diretor geral do clube. A Velha Senhora trouxe sete novos jogadores (Blaise Matuidi, Federico Bernardeschi, Douglas Costa, Wojciech Szczesny, Mattia De Sciglio, Rodrigo Bentancur e o próprio Höwedes), além de acertar a permanência de Mehdi Benatia e Juan Guillermo Cuadrado. Janela movimentada também pelas perdas, especialmente de Bonucci e Daniel Alves, mas que termina com um saldo positivo para Allegri. Ao menos no papel, o conjunto bianconero está mais forte.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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