ItáliaSerie A

‘Homem mais interessante do mundo’, Balo explica causos

Já não importa mais o que ele faz. Mario Balotelli deixou de ser um mero jogador de futebol. O atacante do Milan e da seleção italiana é um símbolo pop, sobre o qual os olhares se voltam muito além das quatro linhas. Uma prova disso está na capa da próxima edição da revista Sports Illustrated. Balotelli é chamado de “o homem mais interessante do mundo”. Um messias andando sobre as águas de uma piscina em Miami.

Ser capa da Sports Illustrated é um fato raro para um esportista de fora dos Estados Unidos. E a publicação lista diversos motivos para justificar a escolha: ele é italiano; ele é africano; a cara do Milan; a cara da nova Europa; amigo de papas e de primeiros ministros; um cartão vermelho esperando para acontecer; sujeito de ódio racista e de bajulação feroz; o melhor atacante jovem do futebol.

No recheio, um perfil impagável de Balo feito pelo jornalista americano Grant Wahl – sim, o mesmo que tentou se candidatar à presidência da Fifa. O italiano é comparado com Maradona por entrar na “Tyson Zone”, onde as loucuras que são ligadas a seu nome só se tornam potencialmente verdadeiras por ser justamente Balotelli. E o melhor: o atacante explicou a veracidade de muitas delas.

– Você dirigiu sua Ferrari em uma pista de kart? “Sim, é minha pista de kart, então entrei com meu carro. Não existe problema nisso”.

– Você tocou o hino italiano em um piano no Youtube? É real? Jura? “Eu sou bom, não? Tenho dizer que é real, lógico. Jurar? Não, mas eu digo que sim”.

– Você deu $2500 a um mendigo? “Não”.

– Você foi a uma escola para brigar com o valentão que fez um de seus fãs chorar? “Não”.

– Você colocou fogo em sua casa em Manchester ao lançar com seus amigos um foguete no banheiro? “Sim, aconteceu. Mas não era eu. Não tive sorte. Não foi minha casa que incendiou, mas o banheiro, porque um foguete foi na direção errada. A cortina pegou fogo e a fumaça tomou a casa. Mas não estávamos dentro. Estávamos do lado de fora com os fogos de artifício”.

– Você foi multado pelo seu time por atirar dardos nos juniores? “Eu estava atirando dardos sim, mas não mirei em ninguém”.

– Você está compromissado com o Milan e com o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi? “Eu converso com ele, sim. Não é uma grande relação, mas converso ocasionalmente”.

– Você ainda tem um Bentley camuflado? “Não, eu dei para o Emanuelson. Mas ele pintou o carro, agora é branco”.

Porém, não foi só de galhofa que a entrevista de Balotelli tratou. O craque também falou sobre racismo, sobre sua cidadania italiana e sobre a consideração por sua família adotiva. “Sem eles, não sei se seria jogador de futebol. Mesmo se eu faço algo especial no futebol e erro como pessoa, eles não estão felizes. Porque eles querem que seu filho seja primeiro um homem, e então o melhor jogador”, declarou. Porque, se Balotelli é um grande personagem no futebol, não é por conta apenas do folclore que o ronda. É também pelo humano que ele transmite ser.

Para ler a matéria completa, em inglês, clique aqui.

mario-balotelli-sicover

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo