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Balanço, parte 1

A disputa da final da Copa da Itália, nesse último domingo, encerrou a temporada do futebol italiano. E a vitória do Napoli, que tirou a invencibilidade do ano da Juventus logo na última partida, terminou os trabalhos com pompa. Agora, os torcedores se dedicarão a uma paixão que, por vezes, chega a ser até maior do que aquela pelo futebol jogado: é a hora de especulações sem sentido e o tradicional disse-me-disse da pré-temporada. Aquela época em que você chega a acreditar que o Milan fará pelo menos dez contratações, mas acaba se contentando com um Montolivo aqui e um Rigoni ali. Enquanto o mercado não se aquece (e a Euro não se aproxima de vez), a Trivela traz a primeira parte do tradicional balanço de fim de temporada. Boa leitura!

CESENA
Colocação final: 20º lugar (rebaixado)
Treinadores: Marco Giampaolo (até 10ª rodada); Daniele Arrigoni (até 24ª); Mario Beretta (a partir da 25ª)
Maior vitória: Cesena 3×1 Novara
Maior derrota: Roma 5×1 Cesena
Melhor jogador: Francesco Antonioli, goleiro
Pior jogador: Marco Parolo, meia
Revelação: Tommaso Arrigoni, meia
Artilheiro: Adrian Mutu, 8 gols
Outras competições: eliminado nas oitavas de final da Copa da Itália, pelo Napoli
Nota da temporada: 1

O rebaixamento até poderia nem doer tanto para o torcedor do Cesena, mas certamente causou traumas. Do time sensação do campeonato anterior, saíram duas peças essenciais para o ataque alvinegro: Jiménez e Giaccherini. Nenhum deles foi bem substituído. O clube elevou demais a folha salarial para contratar Mutu, Santana, Martínez e Éder, mas fechou com um treinador defensivista, que não soube aproveitar o que tinha. A situação nunca melhorou e o Cesena, que passou as 38 rodadas na zona de rebaixamento e ficou a 20 pontos da salvação, colherá muito prejuízo. Além do retorno à segundona, terá de lidar com a óbvia desvalorização de Parolo, von Bergen e Rodríguez, os únicos que ainda podem dar algum alívio ao caixa dos cavalos marinhos.

NOVARA
Colocação final: 19º lugar (rebaixado)
Treinadores: Attilio Tesser (até 20ª rodada); Emiliano Mondonico (até 26ª); novamente Tesser (a partir da 27ª)
Maior vitória: Novara 3×0 Cesena
Maior derrota: Novara 0x4 Juventus
Melhor jogador: Marco Rigoni, meia
Pior jogador: Takayuki Morimoto, atacante
Revelação: Andrea Mazzarani, meia
Artilheiro: Marco Rigoni, 11 gols
Outras competições: eliminado nas oitavas de final da Copa da Itália, pelo Milan
Nota da temporada: 2,5

Único rebaixado entre os times recém-promovidos da segunda divisão, o Novara pôde, pelo menos, evitar vexame maior. Conseguiu cair sem segurar a lanterna e ainda arrancou duas vitórias sobre a Internazionale. Com um elenco fraco em mãos, Attilio Tesser não conseguiu conjurar o milagre de manter a equipe na Serie A. Poucos titulares biancoazzurri se destacaram no meio do caos. O experiente armador Rigoni, por exemplo, até vem sendo especulado no Milan, por causa de gols que se transformavam em armadilhas contra quem apostava em jogos fáceis no Piemonte. O goleiro Ujkani também fez ótima temporada. Maior responsável pela queda, o ataque do Novara teve números risíveis. Caracciolo, Mascara e Morimoto, jogadores com passagens por seleções, marcaram, juntos, nove gols.

LECCE
Colocação final: 18º lugar (rebaixado)
Treinadores: Eusebio Di Francesco (até 14ª rodada); Serse Cosmi (a partir da 15ª)
Maior vitória: Lecce 4×1 Siena
Maior derrota: Siena 3×0 Lecce
Melhor jogador: Massimiliano Benassi, goleiro
Pior jogador: Julio Sergio, goleiro
Revelação: Luis Muriel, atacante
Artilheiro: David Di Michele, 11 gols
Outras competições: eliminado na 3ª eliminatória da Copa da Itália, pelo Crotone
Nota da temporada: 5

A torcida salentina certamente vai lamentar que a maré tenha virado tão tarde. A aposta em Di Francesco (19% de aproveitamento) não poderia ter sido mais frustrada. Sob o comando de Cosmi (37,3%), o time mudou. Os promissores Muriel e Cuadrado ganharam chance e conseguiram contagiar a torcida, que confiou na salvação até a última rodada. A troca no gol também se mostrou essencial para a mudança de rumos. Depois de ver o brasileiro Julio Sergio empilhar falhas, o sóbrio Benassi passou a fechar o gol rubro-amarelo. Para a Gazzetta dello Sport, aliás, foi ele o melhor goleiro do campeonato. Ter alguém de confiança sob as traves era essencial para um time com uma defesa tão fraca. O comando técnico demorou a descobrir e pagou por isso.

GENOA
Colocação final: 17º lugar
Treinadores: Alberto Malesani (até 16ª rodada); Pasquale Marino (até 30ª); novamente Malesani (até 34ª); Luigi De Canio (a partir da 35ª)
Maior vitória: Genoa 3×0 Catania
Maior derrota: Napoli 6×1 Genoa
Melhor jogador: Rodrigo Palacio, atacante
Pior jogador: Juraj Kucka, meia
Revelação: Cristóbal Jorquera, atacante
Artilheiro: Rodrigo Palacio, 19 gols
Outras competições: eliminado nas oitavas de final da Copa da Itália, pela Inter
Nota da temporada: 3,5

Ter chegado à última rodada com a possibilidade de rebaixamento beira o inacreditável para um Genoa que voltou a torrar milhões de euros em contratações. Na temporada recém-encerrada, quase meia centena desses foram investidos em apostas furadas (Gilardino, Constant e Zé Love, principalmente). As contratações voltaram a elevar a folha salarial rossoblù e de nada adiantou o esforço financeiro: o Genoa está cada vez pior. O comando centralizador do presidente Preziosi desestabilizou quaisquer tentativas de trabalho sério promovidas por Malesani e Marino. Difícil é entender por que as melhores contratações do clube sequer pisam em Gênova: Boateng e El Shaarawy foram parar no Milan e Acerbi atuou no Chievo. Resta ao torcedor agradecer a Palacio, Frey, Sculli e Jorquera, os poucos a conseguirem se salvar do limbo.

PALERMO
Colocação final: 16º lugar
Treinadores: Devis Mangia (até 16ª rodada); Bortolo Mutti (a partir da 17ª)
Maior vitória: Palermo 5×1 Lazio
Maior derrota: Palermo 0x4 Milan
Melhor jogador: Fabrizio Miccoli, atacante
Pior jogador: Alexandros Tzorvas, goleiro
Revelação: Milan Milanovic, zagueiro
Artilheiro: Fabrizio Miccoli, 16 gols
Outras competições: eliminado na 3ª fase eliminatória da Liga Europa, pelo Thun (Suíça); eliminado nas oitavas de final da Copa da Itália, pelo Siena
Nota da temporada: 4

 

O Palermo continua sendo a “novela das nove” do futebol italiano. E a principal atração nos capítulos é entender quem será o mocinho a se casar com o projeto do vulcânico presidente Zamparini. Cinco diretores esportivos passaram pelo clube durante a temporada e saíram chamuscados. A gestão de treinadores também mostrou-se fracassada. Pioli, demitido pouco antes de o campeonato começar, deu sua reposta em um ótimo trabalho no Bologna, meses depois. Mangia, promissor treinador das bases do clube, acabou caçado por causa de um punhado de derrotas fora de casa, mesmo invicto na Sicília. Até metade do campeonato, o Palermo ainda lutava por uma vaga na Liga Europa. Depois que o campeonato engrenou, o time caiu de rendimento. O que era óbvio, já que se esqueceram de substituir os essenciais Pastore, Sirigu e Nocerino.

CAGLIARI
Colocação final: 15º lugar
Treinadores: Massimo Ficcadenti (até 11ª rodada); Davide Ballardini (até 27ª); novamente Ficcadenti (a partir da 28ª)
Maiores vitórias: Cagliari 3×0 Catania; Cagliari 3×0 Cesena; Cagliari 3×0 Genoa
Maior derrota: Napoli 6×3 Cagliari
Melhor jogador: Radja Nainggolan, meia
Pior jogador: Thiago Ribeiro, atacante
Revelação: Victor Ibarbo, atacante
Artilheiro: Mauricio Pinilla, 8 gols
Outras competições: eliminado na 4ª eliminatória da Copa da Itália, pelo Siena
Nota da temporada: 5

O Cagliari voltou a se safar do rebaixamento sem chegar a temer pela queda, mas poderia ter ido além. Nessa temporada, a equipe ensinou como investir errado (e caro) em atacantes medianos brasileiros: Nenê só fez um gol e Thiago Ribeiro, mal aproveitado tendo que atuar em um jogo de posse de bola, também não conseguiu render minimamente suficiente. Menos mal que os outros sul-americanos se deram bem demais. O colombiano Ibarbo mostrou-se o melhor driblador do campeonato e o chileno Pinilla, que chegou em janeiro, logo tornou-se ponto de referência e artilheiro do time. O tradicional meio-campo com Nainggolan e Conti não caiu de rendimento, ao contrário do maestro Cossu, que passou o torneio sumido. Merece destaque a temporada do zagueiro Astori.

SIENA
Colocação final: 14º lugar
Treinador: Giuseppe Sannino
Maior vitória: Siena 4×0 Lazio
Maior derrota: Lecce 4×1 Siena; Siena 1×4 Milan
Melhor jogador: Mattia Destro, atacante
Pior jogador: Pablo González, atacante
Revelação: Mattia Destro, atacante
Artilheiro: Mattia Destro, 12 gols
Outras competições: eliminado nas semifinais da Copa da Itália, pelo Napoli
Nota da temporada: 9

Nenhuma equipe italiana superou tantas expectativas quanto este Siena. Estreante na primeira divisão, Sannino conseguiu que seu time mantivesse a tranquilidade nos grandes jogos e desafiasse, de igual para igual, todos os times da Serie A. Mesmo jogando acanhados, os alvinegros jamais abdicaram de atacar. Para isso, contaram com um Destro em estado de graça. O atacante formou com Calaiò uma das melhores duplas do campeonato. Juntos, somaram 23 gols e 6 assistências, número bem vultoso para um time modesto como o Siena. Ao ataque prolífico somou-se a defesa muito bem liderada pelos goleiros Brkic e Pegolo – difícil afirmar qual deles atuou melhor durante o ano. Menção honrosa para a ótima participação na Copa da Itália.

FIORENTINA
Colocação final: 13º lugar
Treinadores: Sinisa Mihajlovic (até 11ª rodada); Delio Rossi (até 36ª); Vincenzo Guerini (a partir da 37ª)
Maiores vitórias: Fiorentina 3×0 Roma; Fiorentina 3×0 Parma; Novara 0x3 Fiorentina
Maior derrota: Fiorentina 0x5 Juventus
Melhor jogador: Stevan Jovetic, atacante
Pior jogador: Rubén Olivera, meia
Revelação: Matija Nastasic, zagueiro
Artilheiro: Stevan Jovetic, 14 gols
Outras competições: eliminada nas oitavas de final da Copa da Itália, pela Roma
Nota da temporada: 3,5

Mais do que os clássicos contra os demais times da Toscana, os jogos mais sentidos pela torcida da Fiorentina costumam ser aqueles contra a Juventus. Tomar cinco gols em casa da grande rival são só a melhor amostra de como foi frustrada a pior temporada violeta dos últimos anos. A sonora goleada pelo menos serviu para que o diretor esportivo Corvino assinasse seu pedido de demissão, depois de passar dois anos atirando lama no trabalho de primeiro nível que havia feito até então. Tanto Mihajlovic quanto Delio Rossi sofreram o mesmo problema ao comandar o time: assumiram um elenco melindroso, acostumado a ditar ordens em um vestiário sem o controle de pessoas da direção do clube, e não conseguiram tirar leite de pedra. Menos mal que havia Jovetic. Mesmo tendo de parar três vezes por causa de problemas musculares, o montenegrino foi suficiente para afastar a sombra do rebaixamento em Florença.

ATALANTA
Colocação final: 12º lugar
Treinador: Stefano Colantuono
Maiores vitórias: Atalanta 4×1 Roma; Atalanta 4×1 Cesena
Maiores derrotas: Roma 3×1 Atalanta; Bologna 3×1 Atalanta; Juventus 3×1 Atalanta
Melhor jogador: Germán Denis, atacante
Pior jogador: Cristiano Doni, meia
Revelação: Riccardo Cazzola, meia
Artilheiro: Germán Denis, 16 gols
Outras competições: eliminada na 3ª eliminatória da Copa da Itália, pelo Gubbio
Nota da temporada: 8

O primeiro turno da Atalanta foi digno de nota: mesmo seriamente ameaçada pelo rebaixamento, a equipe esbanjou tranquilidade nos jogos que disputou e conseguiu afirmar os jogadores que haviam sido importantes para a subida do clube para a primeira divisão, na temporada anterior. Os poucos reforços do time foram muito bem pinçados pelo recém-chegado diretor esportivo Marino. Os gols de Denis permitiram que o ano fosse tranquilo, as assistências de Moralez surpreenderam meia Itália e o zagueiro Lucchini provou não estar acabado. Por fim, a Atalanta ainda conseguiu garantir Gabbiadini, que estava prestes a fechar com algum time inglês. Em um elenco coeso e capaz de garantir bons resultados, foi Cristiano Doni, ex-capitão da Atalanta, o destaque negativo da temporada. Por causa do envolvimento dele nos escândalos de apostas, a equipe perdeu seis pontos que poderiam ter até dado fôlego ao sonho europeu.

CATANIA
Colocação final: 11º lugar
Treinador: Vincenzo Montella
Maior vitória: Catania 4×0 Genoa
Maior derrota: Milan 4×0 Catania
Melhor jogador: Francesco Lodi, meia
Pior jogador: Suazo, atacante
Revelação: Vincenzo Montella, treinador
Artilheiro: Francesco Lodi, 9 gols
Outras competições: eliminado na 4ª eliminatória da Copa da Itália, pelo Novara
Nota da temporada: 8,5

Como os clubes italianos são propriedades privadas, é essencial a presença de alguém que entenda o meio futebolístico para que uma equipe alcance o sucesso. Por quase uma década, Pietro Lo Monaco foi a alma do Catania. Além de cuidar do mercado do time, construiu o centro esportivo dos elefantes com a mesma tranquilidade com a qual gerenciava jardineiros e eletricistas. Em sua última temporada, ele viu vingar as apostas arriscadas que fez em Montella, Barrientos, Bergessio e Legrottaglie. O Catania jogou uma temporada convincente e voltou a valorizar tantos jogadores. Quase desconhecidos há dois anos, Lodi e Gómez pararam na mira dos gigantes italianos e devem seguir a tendência de valorização absurda de Silvestre, Martínez, Vargas e tantos outros que passaram pelo time siciliano. Lo Monaco vai para o Genoa.

 

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Equipe Trivela

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