Azedou, Allegri? Monza “estreia” na Serie A e derruba uma infeliz Juventus
Gol de Gytkjaer deu a primeira vitória ao debutante na elite e complicou ainda mais o técnico juventino
Uma viagem no tempo para dois anos atrás basta para demonstrar a bizarrice do que aconteceu neste domingo (18), no estádio Brianteo, em Monza. Contar para alguém de 2020 o resultado de hoje causaria um acesso de riso: o recém-promovido time da casa venceu sua primeira partida na história da Serie A, justamente contra a Juventus, por 1 a 0.
É mais fácil explicar as coisas pela perspectiva juventina. Um time que se reforçou bem, mas que deve (e muito) futebol desde o retorno de Massimiliano Allegri ao clube. O mês não tem sido particularmente bom para a Juve na Serie A: são três jogos sem vencer, com dois empates frente Fiorentina e Salernitana, sem falar no desempenho, que está indo ladeira abaixo. Na Liga dos Campeões, o drama é similar, com duas derrotas para PSG e Benfica. Essa turbulência abalou bastante a credibilidade de Allegri junto ao elenco, que parece jogar em uma rotação muito baixa para vencer e se impor.
O Monza não tem nada a ver com essa história. Promovido à elite neste ano, graças ao trabalho da dupla Silvio Berlusconi e Adriano Galliani, o modesto time foi do sonho ao pesadelo com muitas derrotas consecutivas e um futebol horroroso. Lanterna ao início da rodada, o Monza recebeu a Juve em busca de uma recuperação na confiança. Mas ninguém poderia imaginar que seria dessa maneira.
Mais produtiva do que a multicampeã Juve, a equipe de Raffaele Palladino teve a bola durante a maior parte do tempo e, pasme, finalizou mais vezes. O desastre bianconero tomou forma com a expulsão de Ángel Di María, ainda no primeiro tempo, por uma cotovelada infantil em Armando Izzo. Depois disso, a moral dos visitantes foi pelo ralo.
Não houve muita ação na segunda metade, exceto pelo lance capital que determinou o desfecho da partida. O Monza achou um gol com Christian Gytkjaer, ícone do clube e fundamental na campanha de acesso. O dinamarquês contou com passe de Patrick Ciurria para punir a Juventus e escrever uma página de glória nos livros dos Brianzoli, no minuto 75. Placar magro, mas que pode mudar a trajetória do Monza no campeonato.
A Juventus precisa de uma virada de chave semelhante. Pobre ofensivamente e sem regularidade, o time pode (e não seria nenhuma surpresa se o fizesse ainda hoje) sofrer uma mudança de comando. A insatisfação é evidente e o grupo de jogadores não demonstra estar convencido pelas ideias de Allegri. As sombras para o comandante são muitas. Cabe a Pavel Nedved, enquanto diretor de futebol, pensar no que está reservado para o futuro imediato do clube. Manter Allegri seria um voto de confiança, mas será que o dilema juventino tem solução com ele à frente do projeto? A tabela diz muito: em oitavo, a Juve conseguiu apenas duas vitórias em sete rodadas. A reação precisa vir logo, de qualquer maneira.



