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Arriscar para vencer

As mesmas 13 vitórias e, agora, 11 empates somados. Invicta depois de 24 rodadas do Campeonato Italiano, a Juventus continua um ponto atrás do líder Milan, com o qual empatou no fim de semana passado. A seu favor, a Velha Senhora tem um jogo a menos, que disputará contra o Bologna, fora de casa. Lá, bastará mais um empate para que os comandados de Conte possam reassumir a liderança do campeonato. Mas ainda é pouco: já era hora para essa Juventus estar voando mais alto.

Sem preocupações com competições europeias e apenas três jogos disputados na Copa da Itália, a Juventus disputou nove partidas a menos do que o Milan, rival na luta pelo scudetto. Apesar dos 810 minutos a menos nas pernas, conta com um elenco tão ou mais completo quanto o dos rubro-negros, que, por sua vez, têm enfrentado os jogos com o plantel dizimado por suspensões ou lesões. Flamini, por exemplo, nem estreou na temporada. Gattuso durou 19 minutos.

O problema é que justamente agora, no momento crucial da temporada, a Juventus parece ter reencontrado um problema que a afligia no início do campeonato: decidir jogos. Nas últimas cinco rodadas, foram três empates, mesma marca dos cinco primeiros confrontos. Não bastassem os resultados ruins, o jogo alvinegro também tem regredido. E isso, sim, pode preocupar.

No início da temporada, a Juventus mostrou certa dificuldade em fazer com que a bola rodasse com velocidade. Para isso, era necessária muita movimentação sem a bola, algo que só mesmo o tempo podia garantir. Quando tudo evoluiu, ficou mais fácil implantar a pressão sufocante na saída de bola do adversário. O ápice do trabalho de Conte se deu nos confrontos com Milan e Inter no primeiro turno, os quais a Velha Senhora venceu com relativa facilidade.

Apesar de o ataque funcionar bem, a defesa constantemente deixava a desejar, principalmente graças às falhas constantes de Bonucci e das inconsistências de Chiellini. Pois bem, há algumas rodadas a Juventus voltou repaginada, em um 3-1-4-2 capaz de sofrer poucos riscos e, ainda, aproveitar o que há de melhor em Pirlo.

Jogando ainda mais recuado do que no antigo 4-3-3, Pirlo passou a controlar quase todo o jogo alvinegro. E isso foi um tiro no pé. No novo esquema, Marchisio, que até então era o melhor atleta da temporada, desapareceu. Com Pepe, Matri e Vucinic no ataque, a Juve fazia um jogo dinâmico e ofensivo que permitiu o crescimento de Vidal e Lichtsteiner. Mas, do nada, Conte decidiu que era hora de priorizar a defesa – e isso tem diminuído bastante as chances de um título da Juventus.

O novo esquema tático fez bem à defesa, agora mais bem protegida. O problema é que ainda há um Bonucci no caminho e o zagueiro trapalhão entregou o gol do Milan no clássico da última rodada, com duas falhas clamorosas em um só lance. Quando a reação se fez necessária, os três atacantes do primeiro turno estavam juntos… no banco. E foi só o trio entrar em campo no recuperado 4-3-3 para que a Juve conseguisse dominar o campo e, claro, empatar.

Se os erros no jogo contra o Milan servirem de lição, a Juventus terá dado um bom passo para correr atrás do título da desforra, o primeiro desde o rebaixamento na justiça. Se Conte insistir no ultrapassado esquema de três zagueiros pela sexta vez na temporada, poderá ser difícil correr atrás do prejuízo. Invencibilidade não ganha títulos. Também é preciso arriscar.

Pallonetto

 

– O gol (extremamente) mal anulado de Muntari ainda é assunto na Itália, como não podia deixar de ser. A atuação do assistente no lance é lamentável. A bola ultrapassou a linha de fundo em 51 centímetros, de acordo com o tira-teima do programa Il Processo di Biscardi. Melhor investir em óculos ou em tecnologia no campo?

– A situação política na Lazio é bizarra. Pela quarta vez (e a segunda na temporada), o treinador Edy Reja pediu demissão, mas o presidente Lotito não aceitou. Nos bastidores, fala-se de uma queda de braço com Tare, diretor esportivo do clube.

– Dependendo dos resultados da próxima rodada, a Inter poderá cair até para a nona colocação. Seria um belo prêmio ao péssimo comando de Ranieri. Os nerazzurri não vencem desde 22 de janeiro. Desde então, vieram sete derrotas e um empate.

– Seleção Trivela da 25ª rodada: Carrizo (Catania); Basta (Udinese), Rossettini (Siena), Diakité (Lazio), Marchese (Catania); Nocerino (Milan), Cigarini (Atalanta), Brienza (Siena); Palacio (Genoa), Denis (Atalanta) e Lavezzi (Napoli).

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Equipe Trivela

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