Se tem um país que não está para brincadeira quando o assunto é discutir novidades que diminuam as polêmicas de arbitragem, este país é a Itália. Depois de se abrir como cobaia para testes de tecnologias propostas para o futebol mundial nos últimos anos, como a da linha do gol e a de replays instantâneos para os árbitros, agora os italianos ensaiam a introdução de entrevistas pós-jogo de profissionais da arbitragem, abrindo espaço para que eles possam explicar seus erros ou decisões mais polêmicas.
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A ideia é de Marcello Nicchi, presidente da Associação Italiana de Árbitros. A atual temporada italiana, em particular, tem registrado diversos casos polêmicos de reclamações contra a arbitragem, como as de Montella e Mancini após o duelo entre Sampdoria e Internazionale, no início deste mês, e, cansado das controvérsias, Nicchi quer ao menos discutir a possibilidade de que os árbitros possam explicar seu lado da história após decisões duvidosas.
“Temos que continuar amortecendo qualquer controvérsia desnecessária. Será algo experimental, mas, se ajudar a criar uma atmosfera mais calma e a eventualmente eliminar a controvérsia do mundo do futebol, é provável que nos próximos dois ou três anos os árbitros possam falar após os jogos”, afirmou Marcello Nicchi, em entrevista à emissora italiana RAI.
Se, em alguns casos, imaginar um profissional da arbitragem explicando suas decisões na TV pode suscitar imagens de ainda mais discussão e polêmica, considerando que, em maioria dos episódios, as pessoas já imaginam qual pode ter sido a perspectiva do árbitro quando tomou determinada decisão equivocada, por outro lado, a combinação árbitros e TV também pode gerar cenas de empatia e perdão, como no caso do turco Deniz Coban, que invadiu a entrevista de Riza Calimbay, técnico do Kasimpasa, para se desculpar por um erro que prejudicou a equipe de Calimbay.
A intenção de Nicchi é boa, visa diminuir polêmicas que às vezes desviam o foco dos jogos, mas parte de uma premissa inocente, que pressupõe ser possível acabar com discussões tão inerentes ao esporte quanto a grama e a bola. Ainda que os árbitros ganhem 30 minutos cada de exposição em TV aberta, isso não irá torná-los isentos de críticas. Talvez em casos emocionais, como o do turco acima, mas não dá para esperar esse mesmo tipo de reação compreensível como regra. De qualquer forma, a simples continuidade dos italianos em debater o tema da arbitragem é algo de que todo o mundo do futebol pode se beneficiar. Eventualmente, boas ideias surgem.



