O futuro do Milan anda um tanto quanto nebuloso. Durante as últimas semanas, aguardava-se a confirmação da venda do clube ao Sino-Europe Sports, grupo de origem chinesa liderado pelo banqueiro Yonghong Li. No entanto, diversos adiamentos se sucederam no negócio. Os últimos depósitos feitos pela companhia vinham sendo insuficientes, especialmente por empecilhos impostos pelo governo da China, restringindo a movimentação de fundos para a Europa. Faltavam garantias financeiras. Mas, neste sábado, a diretoria rossoneri indicou que o acordo está prestes a ser fechado. Em 14 de abril, o Milan deverá ser passado a novas mãos.
O anúncio veio da própria Fininvest, companhia de Silvio Berlusconi que é acionista majoritária do Milan. Segundo a empresa, Yonghong Li solucionou as lacunas e apresentou as garantias necessárias. Para tanto, chinês criou uma nova holding, a Rossoneri Sport Investment Lux, baseada em Luxemburgo. A partir dela, pôde contornar os entraves anteriores para se aproximar do desfecho.
“A Rossoneri Sport Investment Lux aperfeiçoou os acordos para a disponibilização de todos os fundos necessários para finalizar a aquisição. Após uma análise profunda, uma nova estrutura foi elaborada, completamente externa à China, para ajudar a transação a ser concluída de maneira bem-sucedida. A nova entidade formalmente substituiu a Sino-Europe Sports na operação”, declarou a Fininvest.
Durante as últimas semanas, diversos questionamentos rondaram a venda do Milan, sobretudo em relação à origem do dinheiro para a negociação. Há pouca clareza sobre quem são realmente os investidores. Agora, as interrogações pairam sobre Yonghong Li. O banqueiro assumiu a linha de frente e, ao menos no papel, deve se transformar no único dono do clube. O financiamento será feito a partir de diversos empréstimos que canalizam o dinheiro da China através de contas em paraísos fiscais. A companhia deverá depositar €180 milhões para selar a aquisição em 14 de abril, em negócio estimado em €740. Inicialmente, já pingaram €200 milhões à Fininvest.
Em entrevista nesta semana, Berlusconi reafirmou que não entregará o Milan a aventureiros: “Eu estou aqui, minha família também. Nós só vamos prosseguir com a venda do clube quando os compromissos financeiros estiverem aqui, para reviver o Milan. Os chineses foram afetados por alguns problemas inesperados, mas eles fizeram depósitos consideráveis. Nós estamos prontos com nossos acordos e continuaremos acreditando que os compradores os respeitarão. Se o fim da operação não se sair bem, eu continuarei aqui e iremos trabalhar para construiu um time jovem, apostando em talentos italianos”.
De qualquer maneira, a confirmação da transação será apenas um passo na longa caminhada para a reconstrução do Milan. Que o dinheiro seja liberado para formalizar o negócio, ainda não se sabe ao certo como será o procedimento para dar início nos investimentos no próprio elenco ou mesmo qual o perfil dos novos donos, qual o seu conhecimento em gestão esportiva. Naturalmente, os rossoneri ficam com o pé atrás, até pelas conversas anteriores com o tailandês Bee Taechaubol, que naufragaram. As dificuldades encaradas pelos rivais da Internazionale, apesar de diferentes, já servem de aviso.



