Serie A

Alisson: “Decidi ir ao Liverpool com minha cabeça, mas deixar a Roma foi difícil, chorei muito”

A proposta do Liverpool por Alisson era irrecusável. Pelos valores envolvidos na negociação, ficava difícil ao goleiro e à Roma negarem o caminhão de dinheiro dos Reds, diante do desempenho extraordinário do camisa 1 na temporada passada. Ainda assim, o brasileiro revela que ficou sentido ao deixar seu antigo time. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, comentou a relação que construiu na Roma e a maneira como apreciava sua vida na capital italiana. Entretanto, a motivação profissional pesou em sua escolha rumo à Inglaterra.

“Deixar a Roma foi difícil, chorei por muito tempo e minha esposa também. É justo ser honesto, fiz uma escolha profissional. Dei um passo à frente em minha carreira e a Roma ganhou muito dinheiro. Eu decidi com minha cabeça ir ao Liverpool, mas meu coração estava cheio de lágrimas. Passei dois anos especiais em Roma, minha filha nasceu na cidade e tenho muitos amigos, mesmo fora do futebol. Muitas vezes saía durante a noite para caminhar na cidade. A Fontana di Trevi é um belo lugar à noite, mas meu favorito é o Coliseu, você respira história lá”, declarou Alisson.

“Eu estava muito feliz na Roma, mas quando um jogador escolhe onde vai jogar, precisa considerar outras coisas. Eu tenho grandes ambições, então fui ao Liverpool e agora jogo no campeonato mais importante do mundo. A Serie A não está tão distante da Premier League, é apenas diferente, menos intensa. O domínio da Juventus é baseado em dinheiro. Na Premier League todo mundo compra grandes jogadores, mas não é o caso na Serie A. Eu aprendi muito na Itália graças ao treinador de goleiros Marco Savorani, que foi crucial ao meu crescimento e ao de Szczesny. Ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida, me ajudou dentro e fora de campo”, complementou.

Klopp foi também um personagem fundamental para convencer o arqueiro: “Quando os clubes chegaram a um acordo, Klopp me ligou e explicou o projeto, o que queria que fizéssemos juntos. Eu o admiro desde os tempos de Dortmund e gosto de ser treinado por ele, porque não fala muito, mas sempre sabe o certo a dizer e quando dizer. É um homem inteligente, com muito caráter. Depois do meu erro contra o Leicester, ele veio aos vestiários rindo e brincando. Lidou com isso da melhor maneira, eu já sabia que tinha sido maluco e ele me disse para não perder a confiança. Para os ingleses, eu sou o goleiro-líbero. Sempre joguei assim, gosto de dar cobertura à defesa e participar do jogo. Há algumas equipes onde isso seria adequado e Klopp me quis”.

Questionado sobre as suas inspirações na posição, Alisson citou diferentes arqueiros: “Minha agilidade é um talento natural, está em meu DNA e preciso agradecer meus pais. Sem trabalho, porém, talento não é suficiente. Eu tento me espelhar em Taffarel, Júlio César e Dida, que foram três grandes goleiros. Júlio tinha muita força e velocidade em suas pernas, Taffarel era calmo e seguro, Dida cobria seu gol muito bem. Eu tento tirar o melhor de cada um deles. Desde que eu era criança, acompanhava Buffon, ele é um modelo ideal, um exemplo e um grande homem. Szczesny está se saindo muito bem, não é fácil substituir Gigi, mas ele vem conseguindo”.

Por fim, o goleiro falou sobre o reencontro com o Napoli, agora pela Champions: “Será um belo desafio, são dois grandes grupos de torcedores. Você pode ouvir The Kop, mas quando a Curva Sud está cheia, é um verdadeiro espetáculo. O ambiente é muito apaixonado em Nápoles, eu gosto de jogar no San Paolo. Os torcedores sempre cantam, nunca estão quietos. Será um grande desafio em um grande grupo e o empate do Napoli em Belgrado apenas nos ajudará se fizermos nossa parte. No último ano, ganhamos com a Roma por 4 a 2, mas foi um jogo muito difícil, eu fiz 11 defesas. A força do time de Carlo Ancelotti é ter mantido o elenco dos últimos anos”. O duelo acontece nesta quarta, pela segunda rodada da fase de grupos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo