firmou-se como um dos maiores talentos do futebol italiano nas últimas temporadas. O prodígio arrebatador da aos poucos se transformou num jogador de desempenhos cada vez mais consistentes, mesmo que o time não correspondesse. E, por mais que a Viola possua um projeto interessante a médio prazo, ficava claro como o jovem de 22 anos estava pronto a passos maiores desde já. Assim, Chiesa deverá apresentar sua habilidade na Champions League e na luta pelo Scudetto durante os próximos meses, ao assinar sua transferência rumo à nesta segunda-feira.

Para adequar o negócio ao Fair Play Financeiro, Chiesa desembarca na Juventus inicialmente por empréstimo de €10 milhões, em acordo firmado pelas próximas duas temporadas. Em compensação, há uma cláusula obrigatória de compra que pode ser facilmente acionada por €40 milhões. Além do mais, o jogador poderá render mais €10 milhões à Fiorentina através de bônus de rendimento na Velha Senhora.

A venda de Chiesa à Juventus resgata um histórico de ídolos que trocaram a camisa violeta pela bianconera. A ida de Roberto Baggio a Turim em 1990 é o episódio mais famoso, gerando uma revolta em Florença pela decisão da diretoria em vender o camisa 10, que preferia seguir no clube. O caso de Chiesa tem suas similaridades, já que o ponta preferia renovar com a Viola, desde que seus patrões garantissem as mesmas condições salariais oferecidas pela Juve. Segundo o jornalista Gianluca Di Marzio, a direção negou o pedido e preferiu vender o italiano. A torcida violeta, ainda assim, já indica a insatisfação com a escolha do jogador – xingando-o na saída rumo aos exames médicos.

Os laços de Federico Chiesa com a Fiorentina estavam no próprio sangue. Seu pai, Enrico Chiesa, teve uma passagem expressiva pela Viola durante a virada do século. O garoto passou parte de sua infância em Florença e se juntou às categorias de base em 2007. Toda a sua formação aconteceu com a camisa violeta, profissionalizando-se em 2016/17, em estreia ocorrida justamente contra a Juve. Depois de uma boa temporada inicial, mesmo sem ser titular absoluto na Fiorentina, Chiesa tomou conta da posição em 2017/18 e virou um dos donos do time desde então.

Chiesa despede-se da Fiorentina com 34 gols e 25 assistências em 153 partidas como profissional. Foram 26 gols apenas na Serie A, com o melhor desempenho registrado na última temporada. No início da atual campanha, o jovem teve boas atuações nas primeiras três rodadas e inclusive usou a braçadeira de capitão contra a Sampdoria, na sexta-feira. Uma despedida amarga à torcida, mas que não desvaloriza o que construiu no tempo em que defendeu a Viola. Deixa Florença como titular da seleção italiana e como nome pronto à Euro 2020.

Outro paralelo a ser feito com Chiesa é o caso de Federico Bernardeschi, que também trocou a Fiorentina pela Juventus e atua na mesma posição. Embora Bernardeschi tenha recebido espaço na Juve, Chiesa parece mais preparado para virar titular e render em alto nível. Vai ser um nome importante em meio à renovação promovida por Andrea Pirlo na Velha Senhora. Dos reforços trazidos pelo clube nesta janela, é aquele que possui mais potencial para virar ídolo.

Chiesa garante mais capacidade de decisão ao time, podendo ser encaixado nas duas pontas ou mesmo como segundo atacante – e não será surpresa se jogar mais próximo da linha de frente, com as alternativas de Juan Guillermo Cuadrado e Dejan Kulusevski pelo mesmo lado direito do campo. Veloz e participativo também sem a bola, o novato adiciona virtudes que o treinador pretende valorizar na equipe. Isso sem contar o talento aos dribles e às finalizações, sobretudo de fora da área.

Chiesa é a sexta contratação da Juventus na atual janela de transferências – considerando também o retorno de Kulusevski após empréstimo. Exceção feita a Álvaro Morata, todos os outros jogadores têm no máximo 24 anos e perspectivas de crescimento em Turim. O time não teve tempo suficiente para apresentar muito de seu projeto dentro de campo na temporada. Chiesa é um jogador para proporcionar uma sensação de evolução no time, preparando-se para atuar nos principais palcos e se provar no mais alto nível.