ItáliaSerie A italiana 2026/27

A venda de direitos de TV na Itália pode ter sido uma grande farsa

Se, para o público internacional, a liga italiana pretende passar uma imagem mais positiva com o fim das tomadas de ultras e de cenas violentas protagonizadas em campo, para o público nacional, essa imagem não poderia estar mais manchada. A Guarda de Finanças, polícia tributária italiana, abriu um inquérito para investigar uma possível corrupção no processo de venda dos direitos de televisão da Serie A entre 2015 e 2018.

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O inquérito foi aberto ainda em maio, mas o escândalo explodiu nesta terça-feira, após a apreensão de documentos por parte da Guarda de Finanças nos escritórios da Lega Serie A e nas sedes de alguns clubes da primeira divisão italiana.

A investigação gira em torno da empresa de marketing esportivo Infront, presidida por Philippe Blatter, embora o sobrinho de Joseph Blatter inicialmente nada tenha a ver com o escândalo. Segundo a imprensa italiana, o presidente da filial italiana da companhia, Marco Bogarelli, e mais dois associados, Andrea Locatelli e Giuseppe Ciocchetti, teriam manipulado o processo de negociação dos direitos de televisão domésticos da Serie A.

A suspeita é de que o leilão tenha sido fechado, impedindo a participação de outras emissoras interessadas na compra dos direitos, com um acordo prévio entre emissoras e clubes tendo sido arranjado por Bogarelli. As negociações aconteceram no ano passado, e Sky Italia e Mediaset desembolsaram € 2,82 bilhões para transmitirem o torneio entre 2015 e 2018.

Na última sexta-feira, o consultor tributário Andrea Baroni, que trabalha para a MP & Silva e tem a Infront no seu quadro de clientes, foi preso, acusado de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. A MP & Silva é a detentora dos direitos de transmissão internacionais da Serie A.

Além disso, a investigação italiana aponta um pagamento de € 15 milhões de Riccardo Silva, presidente da empresa, ao Genoa. Outro clube investigado pela Guarda de Finanças é o Bari, que recebeu € 460 mil da Infront para estampar o logo da empresa em sua camisa reserva.

O posicionamento da Infront foi o de reconhecer a investigação em cima de Bogarelli, Locatelli e Ciocchetti, mas de reforçar que a empresa em si não está sob investigação. Como os desdobramentos do Fifagate nos têm ensinado, acreditar cegamente em fontes oficiais dos órgãos investigados não é a coisa mais perspicaz, então vale a pena acompanhar o que mais o governo italiano descobre sobre o caso. Tendo em mente que manipulação nas negociações de direitos de transmissão de um campeonato não é coisa nova no futebol.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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