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A torcida do Milan se uniu para reclamar dos desmandos na diretoria: “Basta”

O Milan já se acostumou com os jogos de futebol pobríssimo nas duas últimas temporadas. Sua torcida é que não. Por isso mesmo, o San Siro se tornou palco de protestos, tanto quanto de jogos nos quais a bola é maltratada. Em março, os rossoneri tinham deixado bem claro o recado a Silvio Berlusconi, sem saber quais os rumos do clube para o futuro. E repetiu a manifestação nesta quarta-feira, durante a derrota para o Genoa em Milão. No dia em que o tailandês Bee Taechaubol chegou à Itália para conversar com Berlusconi e negociar a compra de parte do Milan, a Curva Sud fez um mosaico humano pedindo o “Basta”.

Em março, os ultras da Curva Sud esvaziaram o setor, deixando faixas com as mensagens ‘o jogo acabou’ e ‘insira moedas e salve o Milan’, além de pedirem para que os outros torcedores não cantassem ou exibissem bandeiras. A principal reclamação é contra a falta de transparência. “Quantas vezes fizemos sacrifícios pelo Milan? Quantas vezes guardamos dinheiro para comprar uma camisa, para ir ao estádio, para renovar os carnês de temporada? Há uma coisa que está faltando, algo que queremos como torcedores e apaixonados pelas cores: clareza. Hoje, mais do que nunca, os rossoneri devem mostrar sua unidade por um propósito e deixar claro que as responsabilidades sobre a situação precisam ser tomadas”.

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Nesta semana, o Milan também apresentou o seu balanço financeiro em 2014. Os milanistas acumularam perdas de € 91,3 milhões, um valor que incomodou ainda mais os acionistas e os torcedores. E os problemas financeiros se somam à bagunça administrativa do clube. O técnico Filippo Inzaghi mal sabe se terminará a temporada no cargo e perdeu o respeito de seus comandados. Já Berlusconi quer abrir mão de seus poderes no Milan o quanto antes. Bee Taechaubol é o primeiro surgir para comprar os espólios rossoneri, enquanto também existe interesse de um grupo chinês. O asiático teria oferecido € 500 milhões, para adquirir 51% do clube. No entanto, a torcida teme que seus interesses fiquem à mercê de investidores. Homens de negócios que tratem a paixão de milhões como um brinquedo.

Um cenário de terra arrasada, que se reflete cada vez mais em campo. O investidor tailandês certamente desaprovou a péssima partida contra o Genoa, quando a equipe também pareceu protestar em campo: logo no início do segundo tempo, os visitantes já tinham feito dois gols em San Siro, comandado pelo ex-rossonero M’Baye Niang. Mexès diminuiu a diferença na sequência da partida, mas a expulsão de Ménez impediu que reação fosse e ainda deu a brecha para os genoveses ampliarem para 3 a 1 nos acréscimos. Com os resultados da rodada, o Milan permaneceu na décima colocação, sem qualquer chance de classificação às competições continentais.

O impasse deverá se arrastar pelas próximas semanas. Enquanto o time apenas cumpre tabela, o Milan define o seu futuro fora de campo. Sem saber quais serão os planos e quem será o seu novo dono. Apenas, que a torcida permanece do seu lado. E a massa rossonera precisará de paciência se quiser ver o clube outra vez vivendo os seus dias de glória. Diante de tantos obstáculos, o caminho será longo. Já os protestos, mais do que necessários.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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