Serie A

A temporada 1980/81 do Calcio: a volta dos estrangeiros reascendeu a Serie A

Aquela edição do Campeonato Italiano foi marcada pela reabertura a jogadores estrangeiros e teve várias boas histórias

Encerrada há exatos 40 anos, a temporada 1980/81 da Serie A italiana ficou marcada como um passo importante na transformação da competição na liga mais forte do planeta nos anos seguintes. A reabertura dos portos aos jogadores estrangeiros, pouco antes do pontapé inicial, ajudou a resgatar o torneio da crise técnica vivida durante boa parte da década anterior e a renovar o interesse pelo jogo, que vinha atravessando turbulências dentro e fora de campo. E, ao fim de uma acirrada briga pelo Scudetto, viu-se a coroação da Juventus de Giovanni Trapattoni, que iniciaria ali uma nova era vitoriosa que se estenderia até meados daquele decênio.

Antecedentes

Poucos anos foram tão intensos quanto 1980 no futebol italiano. As agitações começaram no fim de março, com o que ficou conhecido como o “escândalo do Totonero”, que teve em seu centro uma máfia de apostadores da loteria esportiva do país, e que além de implicar em suspensões, banimentos e até prisões de jogadores, técnicos e dirigentes envolvidos, também resultou em punições a clubes, como perda de pontos e o rebaixamento – incluindo o do gigante Milan, que desceria à Serie B pela primeira vez em sua história.

Ainda com o caso ecoando, a Itália recebeu a Eurocopa em junho, no que seria a primeira edição do torneio com oito seleções divididas em dois grupos de quatro. Mas uma série de fatores – o futebol sem brilho mostrado pela maioria das equipes, o decepcionante quarto lugar da Azzurra de Enzo Bearzot (que começaria ali a conviver com pesadas críticas ao seu trabalho) e os atos de hooliganismo da torcida inglesa, repelidos com gás lacrimogêneo dentro dos estádios pela polícia local – só aumentaram o clima de ressaca.

Como se não bastasse, o Calcio ainda convivia com a progressiva perda de relevância de seus clubes no cenário europeu. O país que vencera quatro vezes a Copa dos Campeões nos anos 1960 não chegava à final do torneio desde 1973. O último título na Recopa (levantado pelo Milan) também datava daquele ano, com a derradeira final acontecendo na temporada seguinte. E desde a criação da Copa da Uefa, em 1971/72, só um time italiano havia disputado a decisão: a Juventus, campeã batendo o Athletic Bilbao em 1977.

Os resultados dos clubes da Bota na temporada europeia de 1979/80 ilustram bem o cenário: o Milan caiu no primeiro mata-mata da Copa dos Campeões, batido pelo Porto no San Siro. Na Copa da Uefa, o Torino caiu na primeira rodada, enquanto Napoli, Perugia e Inter de Milão só duraram mais uma etapa. Os dois últimos, aliás, foram eliminados com derrotas dentro de seus domínios – com destaque negativo para os Grifoni, humilhados com um 3 a 0 pelos gregos do Aris Salônica. Já na Recopa, a Juventus chegou mais longe, mas também caiu em casa.

O mapa do Calcio em 1980/81

Mesmo contando com a base da seleção, os bianconeri passaram sufoco em sua campanha até as semifinais. Suplantaram o Raba ETO por um apertado 3 a 2 no agregado com direito a derrota na Hungria (o alívio veio com gol de Causio no segundo tempo do jogo de volta). Precisaram da prorrogação para bater os búlgaros do Beroe Stara Zagora nas oitavas. Sofreram para assegurar a vaga contra o Rijeka nas quartas. E caíram em Turim diante do Arsenal por 1 a 0 nas semifinais, com gol a dois minutos do fim, após empate em Highbury.

O prolongado declínio técnico também derrubou o coeficiente do país no ranking dos torneios continentais, levando o futebol italiano a perder duas vagas de uma vez na Copa da Uefa (agora apenas dois clubes representariam o Calcio na competição). Outro símbolo era a queda brusca na média de gols da Serie A: em 1979/80 ela ficou na casa de apenas 1,88 por partida, a segunda pior da história, à frente apenas da registrada em 1972/73 por um centésimo. Com predomínio de um jogo opaco, faltavam arte e gols ao futebol italiano.

A esperança de um renascimento começou a despontar entre o Totonero e a Eurocopa: no dia 9 de maio de 1980, o conselho federal anunciou a aprovação do retorno dos jogadores estrangeiros ao Calcio, 14 anos depois de os portos terem se fechado na esteira de outro fiasco, a humilhante eliminação da Itália na primeira fase da Copa de 1966 diante da Coreia do Norte. Em princípio, aquele banimento parecia ter se mostrado acertado: a seleção venceu a Eurocopa de 1968 e foi vice no Mundial seguinte, no México. Mas o declínio não tardou a vir.

A suspensão do veto às importações de craques foi uma medida encarada como fundamental para resgatar a credibilidade e o interesse pelo campeonato. E, de fato, na temporada 1980/81 não faltaria emoção e dramaticidade, como veremos. Além disso, atendia a pressões antigas dos clubes, simbolizadas por casos como a sondagem da Juventus a Zico em 1979. Feita a introdução e o resgate do contexto, detalharemos como foi aquela campanha com seus protagonistas e coadjuvantes, os pequenos feitos e as grandes frustrações.

O Milan na Serie B

No fim dos anos 70, após uma década difícil, parecia que o Milan ensaiava um ressurgimento com o empresário Felice Colombo na presidência e o velho ídolo sueco Nils Liedholm como treinador. O time saiu da fila de 11 anos no campeonato vencendo o título em 1978/79, bordando a estrela pelo décimo scudetto na camisa e revelando talentos como os defensores Franco Baresi e Fulvio Collovati. No ano seguinte, sem Liedholm (que seguiu para a Roma), não teve fôlego para brigar pelo bi com a rival Inter, mas terminou num decente terceiro lugar.

O Totonero, porém, foi um abalo enorme. Punido com o rebaixamento à Serie B (assim como a Lazio), o Milan teve ainda o presidente Colombo banido do futebol (embora continuasse como acionista) e o veterano goleiro titular Enrico Albertosi (vice-campeão mundial com a Azzurra em 1970) suspenso por dois anos, sendo também excluído mais tarde. Com a queda dos rossoneri, ficava reduzido a apenas três o ainda mais seleto grupo de clubes que haviam disputado todas as 50 edições da história da Serie A: Juventus, Internazionale e Bologna.

Entretanto, boa parte do time campeão de 1979 permaneceu mesmo com a queda. Além do suspenso Albertosi, a equipe só perdeu o meia Albertino Bigon e o atacante Stefano Chiodi, que seguiram para a Lazio. Da capital, como contrapeso na negociação, veio um jovem lateral-direito chamado Mauro Tassotti. Também chegaram o goleiro Otorino Piotti (Avellino) e o meia Stefano Cuoghi (Modena). E ainda foram promovidos da base garotos como o volante Sergio Battistini, o lateral-esquerdo Andrea Icardi e o meia Alberigo Evani.

Com tanta qualidade, a equipe só poderia ser promovida sem sustos. E foi o que aconteceu: sob o comando de Massimo Giacomini (que se destacara justamente ao levar a Udinese à elite em 1979), o Milan assumiu a ponta perto do fim do primeiro turno e não saiu mais, sagrando-se campeão com 50 pontos, dois a mais que os também promovidos Genoa e Cesena (a Lazio ficou em quarto) e assegurando o acesso com uma rodada de antecedência. Giacomini, porém, deixaria o cargo logo em seguida, ao se desentender com a diretoria.

Os novos estrangeiros

O Milan, que chegou a sonhar com Falcão, acabou barrado da festa de reabertura dos portos, já que a liberação se restringia aos clubes da Serie A. O brasileiro acabaria mesmo se transferindo ao futebol italiano, mas para a Roma, que pagou US$ 1,5 milhão ao Internacional no início de agosto, tornando-se uma das contratações de maior impacto daquela primeira leva. Era o reforço ideal para o salto definitivo de qualidade na equipe dirigida por Nils Liedholm e vinda da conquista da Coppa Italia. Mas outros brasileiros também chegaram ao Calcio.

Avellino, Bologna e a recém-promovida Pistoiese foram os clubes a apostarem em nomes daqui. O primeiro trouxe o diminuto e velocíssimo atacante Juary, revelado pelo Santos na primeira safra dos “Meninos da Vila”, mas que vinha jogando no Tecos, do México. Quase desconhecido na Itália apesar de ter atuado pela Seleção Brasileira de Cláudio Coutinho na Copa América de 1979, teve sua contratação recomendada pelo técnico dos irpini, o também brasileiro Luís Vinícius. Juary faria sucesso, ao contrário de outros dois brasileiros.

Símbolo da Portuguesa nos anos 1970, o atacante Enéas foi a aposta do Bologna. E teve até um bom início, destacando-se na vitória dos rossoblù diante da Juventus em Turim na quarta rodada. Mas com o inverno vieram os problemas: a dificuldade de adaptação ao frio e à neve, a parca vida social e os problemas familiares influíram negativamente em seu desempenho, e ele deixou o clube ao fim da temporada. Sua passagem, no entanto, não chegou a ser tão anedoticamente pífia quanto a de Luís Sílvio, ponta que trocou a Ponte Preta pela Pistoiese.

Revelado pelo bom time do Marília campeão da Copa São Paulo de Juniores de 1979, Luís Sílvio passaria posteriormente ao Palmeiras e de lá à Ponte, na qual foi observado (e recomendado) pelo auxiliar técnico da Pistoiese, Giuseppe Malavasi. Na Serie A italiana, porém, ele faria apenas seis jogos, sendo praticamente descartado já em novembro. Conta-se que seu fiasco teria sido causado por um desencontro linguístico, já que “punta” naquele país indica um atacante que atua mais centralizado, como um ponta de lança ou centroavante.

Se o Brasil foi o país com mais estrangeiros pioneiros na temporada (quatro), o segundo lugar nesse ranking foi disputada por argentinos e holandeses, com dois cada um. E os oriundos dos Países Baixos se deram ligeiramente melhor. O líbero Ruud Krol, que após 12 anos de Ajax chegara ao Napoli via Vancouver Whitecaps, tornou-se peça de referência não só da defesa como do próprio time dos partenopei. Já Michel Van De Korput, ex-Feyenoord e também líbero, titular da Laranja na Eurocopa de 1980, não brilhou, mas tampouco decepcionou no Torino.

Entre os argentinos, o ponta Daniel Bertoni, campeão mundial em 1978 e contratado do Sevilla pela Fiorentina, teria longa e importante carreira no Calcio, mas nesta temporada de estreia seu desempenho foi um tanto oscilante, melhorando na reta final. Já o atacante Sergio Fortunato, de boas passagens por Racing, Quilmes e Estudiantes (no qual se sagrou artilheiro do Campeonato Metropolitano de 1979 junto com Maradona) decepcionou no Perugia. Fez 12 jogos e só marcou duas vezes – nas duas últimas rodadas, com a equipe já rebaixada.

Curiosamente, os gigantes que restavam – Juventus e Inter – lançaram suas apostas em craques de nacionalidades menos badaladas, ainda que se tratassem de nomes conhecidos no continente. Os bianconeri trouxeram o irlandês Liam Brady, meia armador dinâmico e talentoso, cérebro do Arsenal que eliminara a própria Juve na Recopa na temporada anterior. Já os nerazzurri optaram por outro armador, o austríaco Herbert Prohaska, que defendia o Austria Viena e liderava a boa geração de seu país que se destacara na Copa do Mundo de 1978.

Por fim, havia o atualmente pouco lembrado alemão-ocidental Herbert Neumann, vencedor da Bundesliga com o Colônia em 1978, mas que atuara apenas uma vez pelo Nationalelf. Armador de estilo elegante, cumpriu, porém, passagem discreta pela Udinese, marcando só um gol em 25 jogos, apesar de sua boa média nas notas do prêmio Guerin D’Oro, da revista Guerin Sportivo. Os demais clubes – Ascoli (quarta colocada na temporada anterior), Cagliari, Catanzaro e os recém-promovidos Brescia e Como – não contrataram estrangeiros.

Os postulantes ao título

A Roma de 1980/81

Na ausência do Milan, parecia que a tendência seria o favoritismo ao Scudetto ficaria ainda mais polarizada entre a atual campeã Inter e a Juventus, base da seleção. Ambas, é claro, tinham seus elementos para justificarem sua força. Mas algumas equipes do bloco intermediário também se candidatavam ao posto vago no “trio de ferro” do Calcio, ou seja, ao papel de uma terceira força que, em tese, proporia uma briga mais acirrada pelo caneco. Fiorentina, Napoli e Torino tinham suas credenciais, mas a mais forte era mesmo a Roma.

Nos últimos anos da década de 1970, o elenco dos giallorossi sofreu reformulações profundas, intensificadas com a chegada do técnico Nils Liedholm, vindo de um Scudetto recém-conquistado com o Milan. Da equipe-base para a temporada 1980/81, apenas três titulares permaneciam do time de dois anos antes, o último dirigido por Gustavo Giagnoni. O título da Coppa Italia em 1980, vencido nos pênaltis contra o Torino, tirou o clube da fila. E a chegada de Falcão reforçava a imagem de um clube que pretendia brigar cada vez mais em cima.

Essa reformulação representava a afirmação de nomes como o volante Agostino Di Bartolomei e o goleador Roberto Pruzzo; a ascensão de jovens como o ponta Bruno Conti e o meia Carlo Ancelotti (trazido do Parma em 1979); o renascimento dos experientes defensores Maurizio Turone (ex-Milan) e Luciano Spinosi (ex-Juventus e seleção de 1974). Sem falar no gol, onde o antigo reserva Franco Tancredi enfim e definitivamente desbancava o veterano Paolo Conti, ex-reserva da seleção que desceu à Serie B para defender o Verona.

Já a Fiorentina, além do argentino Bertoni, apostava suas fichas no talento do meia Giancarlo Antognoni, armador da seleção italiana. E para o gol confiava na promessa Giovanni Galli, 22 anos, nome observado para a Azzurra. Dirigido pelo ascendente Rino Marchesi (vindo de bom trabalho no Avellino), o Napoli montava seu time ao redor de Krol, que seria ao mesmo tempo a liderança na defesa e a clarividência na hora de empurrar o time à frente. Mas tinha um goleiro experiente, Luciano Castellini, campeão com o Torino em 1976 e ex-reserva da seleção.

Por fim, o próprio Torino parecia reunir um elenco até mais qualificado que os de Fiorentina e Napoli. Do meio para a frente mudara pouco: quase todos os nomes do Scudetto de 1976 e que estiveram na Copa de 1978 com a Itália seguiam. A única novidade era o ponta-de-lança Vincenzo D’Amico, vindo da Lazio para o lugar de Claudio Sala. Atrás, o time se rearmava – por isso trouxera o holandês Van De Korput. A grande incógnita era saber se nomes como Patrizio Sala, Eraldo Pecci ou Francesco Graziani estavam ou não em fim de ciclo no clube.

Com sete jogadores da Azzurra que havia disputado a recém-encerrada Eurocopa, a Juventus de Giovanni Trapattoni tinha uma defesa quase intransponível e um meio-campo lutador. Mas ainda carecia de brilho na criação de jogadas e de um goleador. O primeiro problema seria solucionado com a chegada do talentoso armador irlandês Liam Brady, que se destacara no Arsenal que havia eliminado a própria Juve na Recopa da temporada anterior. Já para o segundo, a esperança era remanejar Roberto Bettega para o comando do ataque.

A Inter de Eugenio Bersellini, detentora do Scudetto, também recorreu a um armador no mercado externo, o austríaco Herbert Prohaska, embora contasse com seu próprio “fantasista”: o jovem Evaristo Beccalossi, que fazia entrosada dupla com o goleador Alessandro Altobelli. Havia ainda um goleiro de seleção (Ivano Bordon), a versatilidade defensiva de Giuseppe Baresi e Gabriele Oriali e a liderança do capitão Graziano Bini. E falava-se bastante de um defensor novato que começava a despontar: um certo Giuseppe Bergomi.

As campanhas europeias

O Real Madrid x Inter

Além de brigar pelo bicampeonato no Calcio, a Inter retornava à Copa dos Campeões após nove anos (quando havia perdido a final para o Ajax de Cruyff) e buscava reviver seus anos de glória europeia. Na primeira fase, os nerazzurri enfrentariam o Universitatea Craiova e não tiveram muito trabalho para despachar os romenos com um 2 a 0 em Milão e um empate em 1 a 1 fora de casa. Já nas duas etapas seguintes, contra o bom time do Nantes e o Estrela Vermelha, a classificação foi obtida com importantes vitórias como visitante. 

Diante dos franceses, nas oitavas, um gol de Prohaska no fim valeu o 2 a 1 no estádio Marcel Saupin, enquanto um empate em 1 a 1 no San Siro confirmou a passagem. Já nas quartas, quando a situação parecia ter se complicado com o 1 a 1 em MIlão no jogo de ida, um gol de Carlo Muraro logo no início da partida de volta no Marakana de Belgrado deu importante vantagem, defendida até os minutos finais, e o 1 a 0 levou os nerazzurri às semifinais para um duelo de gigantes contra o Real Madrid, outro clube que buscava reviver seus melhores dias.

Com um gol de Santillana no meio do primeiro tempo e um de Juanito logo na volta do intervalo, os madridistas largaram na frente no confronto com um 2 a 0 que dificultou muito a missão da Inter para a partida de volta. No San Siro, o gol de Graziano Bini aos 12 minutos da etapa final não bastou, e o Real Madrid avançou à final mesmo perdendo por 1 a 0. Começava ali um período de seguidas eliminações para os merengues, que também tirariam a Inter na Recopa de 1983 e nas Copas da Uefa de 1985 e 1986 – nestas, com remontadas históricas.

Se a Inter até andou bem perto de voltar a uma decisão continental, os outros clubes italianos decepcionaram nas copas europeias. Nem a Roma na Recopa, nem Juventus e Torino na Copa da Uefa (que, com o futebol da Bota em baixa no ranking, oferecia apenas duas vagas às equipes do país) chegaram longe. Os giallorossi, aliás, fizeram papelão caindo ainda na primeira fase goleados pelo Carl Zeiss Jena por 4 a 0 na Alemanha Oriental após terem vencido por um aparentemente tranquilo 3 a 0 na partida de ida no Estádio Olímpico da capital.

Na Copa da Uefa, a dupla de Turim também sequer chegou às quartas. O Torino passou sufoco nas duas primeiras fases, precisando de prorrogação para eliminar o belga Molenbeek e batendo o alemão-oriental Magdeburgo num apertado 3 a 2 no agregado, antes de cair nos pênaltis diante do suíço Grasshoppers ainda nas oitavas de final. Já a rival Juventus também foi eliminada nas penalidades, mas uma etapa antes, diante do polonês Widzew Lodz (no qual brilhava o futuro bianconero Zbigniew Boniek), após despachar de saída o Panathinaikos.

A surpresa Avellino

Promovidos pela primeira vez à Serie A em 1978, os irpini já haviam aprontado bastante nas duas campanhas iniciais na elite, derrotando gigantes e por vezes alcançando altas posições na tabela de classificação. Mas, com alguns jogadores envolvidos no Totonero, o clube foi punido com a perda de cinco pontos (além das suspensões a aqueles atletas) antes do início da temporada 1980/81. Imaginava-se que a campanha seria de luta inglória contra o rebaixamento. Mas não seria bem assim – mesmo tendo de enfrentar outras provações.

Na oitava rodada, ao bater a Ascoli em seu Estádio Partenio por 4 a 2, já somava quatro vitórias. Ainda estava na zona de rebaixamento, mas sem os pontos descontados seria vice-líder. Porém, naquela tarde de 23 de outubro de 1980, horas após o jogo, a província de Avellino foi o epicentro de um terremoto de grande magnitude, que teve reflexos até nas regiões próximas de Nápoles e Salerno. Os números chegaram a mais de 4 mil mortos e quase 9 mil feridos, além de 250 mil desabrigados. Foi a maior tragédia desta natureza na Itália em 70 anos.

Em meio à dor e à necessidade urgente de se reconstruir a região dos escombros, o Partenio virou um centro de acolhimento de desabrigados. O Avellino perdeu os dois jogos seguintes, fora de casa, e em seguida teve que transferir seus mandos temporariamente para Nápoles. Mesmo assim, arrancaram um empate com a Juventus no San Paolo e seguiram numa linda campanha de recuperação, que incluiu empates com a Inter em Milão e a Roma na capital. A salvezza, porém, só viria mesmo na última rodada, pelos critérios de desempate.

O time reunia jogadores promissores, que logo se transfeririam para clubes maiores, em especial o goleiro Stefano Tacconi e o meia Beniamino Vignola, que seguiriam à Juventus. Mas o destaque inicial naquela temporada foi o brasileiro Juary, que chegou quase desconhecido e logo cativou a torcida com suas arrancadas, seus gols e sua comemoração dando voltas em torno da bandeirinha de escanteio, pela qual se celebrizaria. Em janeiro, porém, num choque com o goleiro interista Ivano Bordon, Juary se lesionou e perdeu o resto da temporada.

A campanha terminou com o balanço de 10 vitórias, 10 empates e 10 derrotas e três gols de saldo (36 a 33). Jogando como mandante, mesmo que nem sempre no Partenio, o Avellino venceu nove de seus 15 jogos. Com a penalização de cinco pontos, o Avellino terminou em décimo, empatado com Ascoli, Udinese, Como e Brescia – este último caiu pelos critérios de desempate. Não fosse a punição, com seus 30 pontos conquistados em campo contando integralmente, os irpini teriam pulado para a sétima posição, a melhor de sua história.

Palanca, a sensação entre os goleadores

Ponta-esquerda de chute venenoso, ótimo cobrador de faltas e pênaltis e muito lembrado ainda por seus gols olímpicos, Massimo Palanca viveu seu auge na Serie A naquela temporada, a última de sua primeira passagem pelo Catanzaro. Palanca chegara ao clube da Calábria aos 21 anos, em 1974, após iniciar sua carreira no pequeno Camerino, das categorias amadoras, e de passar uma temporada no Frosinone, na Serie C. E não demorou a se tornar ídolo dos giallorossi, depois de conduzi-los por duas vezes à elite, em 1976 e 1978.

Na temporada 1978/79, ele já havia se tornado um nome conhecido em todo o país ao marcar os três na vitória do Catanzaro por 3 a 1 sobre a Roma em pleno Olímpico – e o primeiro deles, direto da cobrança de escanteio. Com aquela tripleta, seriam dez gols em 30 jogos na Serie A naquela campanha. Na seguinte, balançaria as redes mais nove vezes em 29 partidas. Mas um feito mais impressionante ainda estava por vir, num campeonato em que os calabreses começaram como surpresa, perdendo o primeiro jogo só na sexta rodada.

Antes disso, o Catanzaro já havia vencido o Torino e segurado Napoli e Fiorentina em empates como visitante. Chegou a alcançar a liderança com um time que mesclava nomes rodados como os laterais Giuseppe Sabadini (ex-Milan) e Claudio Ranieri (sim, ele mesmo) e o meia Angelo Orazi (ex-Verona e Roma) a jovens talentos como os armadores Antonio Sabato e Massimo Mauro. Depois, embora não mantivesse o pique inicial, fez uma temporada confortável, mantendo-se sempre a uma certa distância da briga contra a degola.

Mas o grande nome daquela campanha foi Palanca. Foi dele o único gol na vitória sobre o Torino na segunda rodada. Também abriu caminho para as vitórias de 2 a 0 sobre o Como (numa bomba de falta) e a Ascoli. Converteu pênaltis na derrota para a Pistoiese (3 a 1) e no empate contra a Fiorentina (2 a 2). Mas seu “sprint” goleador nas últimas rodadas é que de fato impressionou. E que começou com um chute forte e cruzado de perna esquerda contra a Roma, no empate em 1 a 1 no estádio Comunale, pela 22ª rodada em 22 de março de 1981.

Uma semana depois, ele marcou os dois na vitória sobre a Udinese (2 a 1) – o primeiro, num belo toque de cobertura. Após passar em branco na derrota por 3 a 0 para a Juventus em Turim, voltou a acertar o pé em cobrança de falta nos 2 a 1 sobre a Ascoli e, duas rodadas depois, a marcar de pênalti contra a Pistoiese, agora numa vitória de 1 a 0 na Toscana. Contra o Bologna, Palanca fez dois e ainda desperdiçou um pênalti no empate em 2 a 2. E na penúltima rodada, converteu sua cobrança contra o Cagliari num jogo em que o Catanzaro perderia de virada.

Ao todo seriam 13 gols, sendo oito nos últimos nove jogos. Números que dariam ao atacante nada menos que a vice-liderança da artilharia, atrás apenas do romanista Roberto Pruzzo e à frente de nomes de seleção como Alessandro Altobelli (Inter) e Francesco Graziani (Torino). Mas aquela temporada marcaria a primeira despedida de Palanca do clube, negociado com o Napoli (o que desapontou muitos torcedores). Mais tarde, porém, ele regressaria para mais um período no Catanzaro entre 1986 e 1990, quando se aposentou.

O fiasco da estreante Pistoiese

Outro fato marcante e curioso com relação aos clubes menores ocorrido naquela temporada foi a única participação da Pistoiese na história da Serie A, caso raro no Calcio. O time da região da Toscana e de berrantes camisas laranjas (que renderam os apelidos de “Olandesina” e “Piccola Olanda”) reunia um punhado generoso de veteranos do futebol italiano, sob o comando de outro nome histórico: Lido Vieri, o ex-goleiro de Torino, Inter e Azzurra. E além deles havia, é claro, o brasileiro Luís Sílvio, ex-Ponte Preta, sobre quem já comentamos.

Na legião dos experientes da “Pistoiese dei vecchietti” (ou “Pistoiese dos velhinhos”), os nomes mais notáveis eram o líbero (e futuro técnico) Marcello Lippi (32 anos); o zagueiro Mauro Bellugi (30), que defendeu a Itália nas Copas de 1974 e 1978 e faleceu em fevereiro deste ano; o atacante Giorgio Rognoni (33), ex-Milan e Cesena; e o meia-armador Mario Frustalupi (38), vencedor do Scudetto em 1971 com a Inter e em 1974 com a Lazio.

O melhor momento da equipe na temporada veio entre o fim de novembro e a volta em meados de janeiro após a pausa da virada do ano. Foram cinco vitórias em seis jogos, batendo o Perugia (1 a 0), o Avellino (2 a 1), o Como (2 a 0), o Catanzaro (3 a 1) e a Fiorentina (2 a 1) – os dois últimos fora de casa. O triunfo contra a Viola em plena Florença no derby da Toscana, aliás, foi o jogo mais especial da campanha, com Rognoni e o ponta-direita Roberto Badiani marcando os gols que levaram então a Pistoiese a um incrível sexto lugar.

Dali em diante, no entanto, a “Piccola Olanda” desceria ladeira abaixo: a goleada sofrida em casa para a Roma por 4 a 0 iniciou uma sequência de 17 jogos sem ganhar, até o fim do campeonato. Neles, a Pistoiese somou apenas três pontos. A equipe entrou na zona de rebaixamento na 21ª rodada e não saiu mais. A queda seria confirmada a duas rodadas do fim do certame e pelas mãos da Fiorentina, que teve seu troco em Pistoia: 1 a 0. Na despedida, uma derrota para o Cagliari por 3 a 1 fez ainda pior, relegando o time à lanterna.

A corrida pelo Scudetto

A Juventus campeã

O pontapé inicial do campeonato aconteceu em 14 de setembro de 1980 e teve poucas surpresas na primeira rodada – o empate do Napoli em casa com o Catanzaro (1 a 1) foi a maior delas. Mas deixou a impressão de que a Inter de Eugenio Bersellini continuaria de onde havia parado na temporada anterior – isto é, de um passeio com destino ao Scudetto – ao golear a Udinese dentro do Friuli por 4 a 0. E essa sensação seria reforçada no fim de semana seguinte com outra goleada, agora no San Siro: 4 a 1 num Cagliari que vinha de empate com a Juventus na estreia.

Porém, uma derrota surpreendente para o recém-promovido Como (1 a 0) deu início a uma série de resultados irregulares, incluindo um pesado revés diante da Roma em Milão (4 a 2). Na virada do turno, os nerazzurri ainda voltariam brevemente à liderança, mas três derrotas seguidas (para Napoli, Roma e Fiorentina) na primeira quinzena de março de 1981 desceriam a equipe para o quarto posto, do qual ela não mais sairia até o fim da temporada. Menos mal que foi o suficiente para assegurar uma das vagas italianas na próxima Copa da Uefa.

Caso oposto foi o Napoli: superou um começo hesitante para cumprir uma belíssima campanha, uma de suas melhores antes do Scudetto de 1987. Na má largada, o time empatou em casa com o Catanzaro, perdeu na visita à Ascoli (3 a 2), bateu a estreante Pistoiese por um magro 1 a 0 e foi atropelado pela Inter em Milão (3 a 0). A recuperação foi ensaiada na quinta rodada com uma grande goleada de 4 a 0 sobre a Roma no San Paolo em 19 de outubro. Mas só começou de fato em meados de dezembro, após chegar a ocupar o oitavo lugar.

Quando o time de Rino Marchesi engrenou, foi difícil encontrar quem o parasse: os partenopei encaixaram uma sequência de 16 partidas sem perder, durante as quais sofreram míseros cinco gols. Em 12 de abril de 1981, ao bater o Torino fora de casa por 1 a 0 pela 25ª rodada com gol do atacante Gaetano Musella, o Napoli alcançava o topo da classificação. Não era derrotado desde 14 de dezembro do ano anterior (curiosamente, pelo mesmo Torino no San Paolo). Na rodada seguinte receberia o Perugia, lanterna com a queda quase certa.

Com um minuto de jogo, o zagueiro Moreno Ferrario desviou cruzamento de Antonio Di Gennaro da esquerda contra as próprias redes e abriu o placar para o Perugia. Claro, havia todo o resto do jogo para o Napoli reagir. Mas o time foi parando na brilhante atuação do arqueiro Nello Malizia e a desperdiçando uma incrível sequência de chances (chegou a acertar a trave com o gol vazio) até o apito final. A derrota inesperada e atordoante obrigou o time a correr atrás do prejuízo. E pela frente ainda haveria pelo menos um momento de sonho.

Após empatar com a Fiorentina em casa (1 a 1), o Napoli foi à Lombardia enfrentar o ameaçado Como. E o placar em branco prevalecia até o último minuto, quando o garoto Francesco Palo, 21 anos, estreando na Serie A naquele dia, saiu do banco para marcar o gol da vitória milagrosa que manteve os partenopei na briga. Pena que só por mais uma rodada: no domingo seguinte, uma derrota por 1 a 0 no confronto direto contra a Juventus no San Paolo terminou de vez com as chances de um Scudetto inédito tomar o rumo da Campânia.

A Fiorentina decepcionou. Largou bem, com duas vitórias, mas depois empacou: cinco empates consecutivos mantinham uma invencibilidade ilusória, que virou jejum de vitórias quando o time começou também a perder. A Viola passou os meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro sem um triunfo sequer, numa sequência que durou 14 jogos e colocou o time na zona da degola. No meio do caminho, o técnico Paolo Carosi (no cargo desde 1978) foi demitido e deu lugar ao antigo ídolo Giancarlo De Sisti, meia da Azzurra na Copa de 1970.

Na estreia do novo comandante, a equipe perdeu em casa para a Juventus por 1 a 0. Mas logo corrigiria sua rota, iniciando sua própria longa sequência invicta que também durou 14 jogos. E que só caiu na última rodada, por ironia diante da mesma Juve pelo placar mínimo. A recuperação garantiu um bom quinto lugar, mas na época não o bastante para garantir classificação europeia. Pior fez o Torino: era o quinto quando demitiu o técnico Ercole Rabitti. Com o interino Romano Cazzaniga só venceu um jogo em 11 e despencou para o nono lugar.

A Roma de Falcão e Nils Liedholm desde o início mostrava que seria não só uma das sensações do torneio como a mais regular delas. Era exuberante quando podia e eficiente quando precisava. Passou dois sustos, é verdade, ao ser goleada pelo Napoli no San Paolo (4 a 0) e ao perder para o Cagliari na Sardenha (1 a 0), mas nenhum dos dois resultados tirou os giallorossi da liderança. E ainda houve a memorável vitória sobre a Inter no San Siro, quando a atual detentora do Scudetto foi destroçada por 4 a 2 com três gols de Roberto Pruzzo.

Curiosamente, aqueles seriam os dois únicos revezes romanistas na temporada. O que acabaria tirando a equipe da ponta da tabela pela primeira vez, na 22ª rodada, seria o grande número de empates. O 1 a 1 diante do Catanzaro fora de casa obtido naquele 22 de março era a oitava igualdade nas últimas 13 partidas – e a lista incluía tropeços dessa natureza dentro do Estádio Olímpico diante de Avellino, Como e Bologna. Na mesma tarde, a Juventus virou sobre o Perugia em Turim (2 a 1) com dois gols nos minutos finais e tomou a liderança.

O time da capital ainda recuperaria a primeira posição na rodada seguinte, mas a perderia de novo depois de empatar em casa com a Fiorentina e fora com a Ascoli, no mesmo dia em que o Napoli tropeçaria no Perugia. Com esses resultados, a Juventus passaria a liderar isolada. Com apenas uma vitória em suas sete primeiras partidas, a Vecchia Signora havia chegado a figurar no bloco intermediário ao início do campeonato. Mas ao vencer a Inter em Turim na oitava rodada (2 a 1), iniciou seu renascimento, que logo a alçaria às primeiras posições.

No caminho, a Juve também construiu uma invencibilidade de 16 partidas e, entre fevereiro e março de 1981, chegou a emendar seis vitórias seguidas, com destaque para os 5 a 1 no Bologna em pleno estádio Renato Dall’Ara, num jogo em que Roberto Bettega ainda perdeu um pênalti. A série invicta acabaria na derrota para a Inter no San Siro (1 a 0) na 23ª rodada. Mas os bianconeri venceriam bem seus quatro jogos seguintes, aprontando-se para o confronto direto com a Roma no Comunale de Turim marcado para a tarde de 10 de maio.

A quente reta final

O duelo já era precedido de polêmica: a Juventus, que já tinha o desfalque do meia Marco Tardelli, também ficaria sem Roberto Bettega, afastado até o fim do torneio por uma polêmica suspensão imposta pela federação. Em campo, o jogo foi quente, com jogadas duras e retaliações. Aos 30 minutos do segundo tempo, o volante bianconero Giuseppe Furino foi expulso após uma entrada violenta no romanista Domenico Maggiora. Com um a mais, os visitantes passaram a dominar o jogo, criando uma chance atrás da outra. Até vir a grande polêmica.

A dez minutos do fim, Carlo Ancellotti alçou a bola para a área. Roberto Pruzzo escorou de cabeça e o zagueiro Maurizio Turone testou para as redes. Mas o auxiliar Paolo Bergamo anulou o lance romanista apontando impedimento. A jogada nunca chegou a ser elucidada com precisão. Com as imagens disponíveis não é possível cravar se Turone estava ou não em posição legal. O próprio jogador se recusa a comentar: ”Realmente não quero mais falar sobre essa história. Infelizmente o que aconteceu aconteceu”, disse em entrevista de 2013.

O jogo, tecnicamente decepcionante, terminou mesmo 0 a 0. Aquela era a antepenúltima rodada, a mesma na qual o Napoli derrotou o Como com o gol de Palo no último minuto. Faltando dois jogos, a Juventus seguia na liderança com 40 pontos, contra 39 da Roma e 38 do Napoli. Bem atrás em quarto, com 33, vinha a Inter já sem chances matemáticas de Scudetto. No domingo seguinte, a Vecchia Signora bateu os partenopei no San Paolo, tirando-os da briga, enquanto os giallorossi derrotaram a rebaixada Pistoiese por 1 a 0, gol de Di Bartolomei.

A decisão ficaria mesmo entre Juventus e Roma, separadas por um ponto antes da última rodada. A Vecchia Signora receberia a Fiorentina em Turim, enquanto a Roma visitaria o ainda ameaçado Avellino no Partenio. Mas, de início, pareceu dar tudo certo aos romanistas: o gol de Falcão logo aos cinco minutos somado ao empate sem gols no Comunale levava a um momentâneo empate em pontos, fazendo com o que o título fosse decidido num “spareggio” (desempate). Mas ainda naquele primeiro tempo o cenário mudaria.

A Juve parava sucessivamente em Giovanni Galli até os 25 minutos, quando o ponta Domenico Marocchino pegou a sobra de um ataque malsucedido e cruzou de novo para a área. O lateral Antonio Cabrini acertou um sem-pulo indefensável e abriu o placar. Quase ao mesmo tempo no Partenio, uma bomba do defensor Massimo Venturini em cobrança de falta superava o goleiro Franco Tancredi e empatava o jogo para o Avellino. Agora dois pontos à frente, os bianconeri saíam para o intervalo com o Scudetto nas mãos.

E, de fato, o placar não seria mais movimentado em nenhum dos dois jogos – embora Dino Zoff tenha feito uma defesa milagrosa em cobrança de falta de Antognoni em Turim na etapa final. Brady pagava a aposta feita nele sendo o melhor em campo (nota 8 na avaliação da revista Guerin Sportivo). E Trapattoni, bicampeão com a Juventus logo em suas duas primeiras temporadas no comando da equipe (1976/77 e 1977/78), reconquistava o título máximo do Calcio, após dois anos em que o Scudetto ficou em Milão.

A campanha da Juve não deixava margem a discussão: com 17 vitórias, dez empates e só três derrotas, teve ainda o ataque mais positivo (46 gols) e a defesa menos vazada (15 gols). A Roma, invicta em casa e o time que menos perdeu (apenas dois revezes), teve seu consolo com mais uma conquista da Coppa Italia, outra vez derrotando o Torino nos pênaltis na final. Já ao Napoli, além da vaga na Copa da Uefa, sobrou o orgulho de ter o holandês Ruud Krol apontado como o melhor jogador do campeonato pela imprensa.

O bom desempenho médio dos estrangeiros também foi determinante para que os portos aos poucos fossem se abrindo mais. Na temporada seguinte, somente o Cagliari seguiu com elenco todo italiano. Mesmo os recém-promovidos Milan, Cesena e Genoa importaram. O Calcio recebia ainda seu primeiro jogador africano (o marfinense François Zahoui, da Ascoli) e outro brasileiro:  veterano Orlando Lelé (ex-Santos, America-RJ e Vasco), contratado pela Udinese, ampliando as fronteiras do mapa da bola no país.

A cota de estrangeiros aumentaria para dois por clube a partir da temporada 1982/83 e para três a partir de 1988/89 (após um breve “congelamento” em meados da década), quando o número de equipes na Serie A também aumentou de 16 para 18. Nesta altura, o campeonato já estava consagrado como o mais forte do mundo, graças em grande parte ao talento importado, que podia ser assistido semanalmente pela televisão ao redor do globo. Um desfile de craques que começou naquela temporada encerrada há 40 anos.

Krol foi escolhido o melhor do campeonato

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui. Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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