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A Roma goleou a Lazio, mas o clássico perdeu muito peso sem as torcidas e sem Totti

A ocasião deveria ser de festa. Lazio e Roma escreveram no Estádio Olímpico o 164º capítulo da rivalidade, naquele que pode ter sido o último dérbi da carreira de Francesco Totti. Porém, a tarde na capital italiana acabou empobrecida pelas circunstâncias. Primeiro, porque as arquibancadas permaneceram bastante esvaziadas, diante da greve promovida pelos torcedores. Depois, porque Totti sequer entrou em campo, em sua deflagrada guerra com o comando técnico dos giallorossi. Se não foi com uma grande homenagem, ao menos os romanistas puderam comemorar bastante ao fim do clássico: golearam por 4 a 1, dando mais motivos para os laziali lamentarem a sua péssima temporada.

Quando se esperava uma entrada apoteótica de ambas as equipes, os espaços desertos nas arquibancadas do Estádio Olímpico deixavam péssima impressão. Os ultras boicotaram o clássico em protesto às novas medidas de segurança, com barreiras construídas no meio dos setores onde ficam as chamadas “curvas” – o que, para os organizados, significa uma restrição desmedida. Apesar disso, biancocelesti e giallorossi fizeram questão de marcar presença nas ruas, se concentrando para ver o jogo.

E a torcida da Roma não deixou de festejar em Testaccio, onde se reuniu. Melhor no primeiro tempo, o time de Luciano Spalletti abriu o placar com Stephan El Shaarawy, desviando de cabeça. Já na volta do intervalo, a Lazio passou a pressionar bastante em busca do empate, mas tomou o segundo tento em rebote que Edin Dzeko não perdoou. Marco Parolo aproveitou falha de Wojciech Szczesny para diminuir a diferença aos 30 minutos, mas o desânimo abateu os laziali quando os romanistas mataram o duelo nos 10 minutos finais. Alessandro Florenzi acertou lindo chute, enquanto Diego Perotti fechou a contagem.

Todavia, a sensação de decepção cresceu diante da ausência de Totti. O conflito do veterano com Spalletti não é segredo para ninguém, especialmente diante de sua insatisfação após a eliminação para o Real Madrid na Liga dos Campeões. Nas últimas semanas, discutiu-se a renovação do Capitano, que se ofereceu para jogar de graça (doando o seu salário a instituições de caridade) na próxima temporada. Ainda assim, o acerto parece distante. E perante as grandes chances de não seguir vestindo a camisa giallorossa, o que se esperava era a oportunidade de vê-lo em campo. Com as três substituições realizadas quando o placar estava em 2 a 1, o camisa 10 não teve espaço.

O placar elástico no clássico serve para reafirmar o bom momento da Roma na tabela, abrindo vantagem na zona de classificação à Liga dos Campeões. Mais do que isso, frustra a única chance da Lazio de ter uma honra na temporada, muito distante de se classificar às competições continentais. Pelo placar, é até um resultado histórico para os romanistas, com a maior goleada em 14 anos. Mas que perde seu brilho sem dois elementos essenciais: a torcida e o grande ídolo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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