Itália

Será que fomos justos com Massimiliano Allegri?

No fim do ano passado, uma revista semanal de grande circulação, em uma de suas edições regionais perguntava: será que os moradores da cidade em questão estavam sendo justos com seu prefeito? Desconsiderando as tendências políticas e os interesses da tal publicação, a mesma pergunta é válida para um personagem do futebol italiano. Durante a primeira metade da temporada, o Milan, seus torcedores e os jornalistas foram justos com Massimiliano Allegri?

Criticado por grande parte da imprensa, da torcida rubro-negra e, sobretudo, sem receber apoio da direção do clube, Allegri parecia destinado a um fim melancólico no clube. O descrédito partia de todos os lados e se manifestava em diversas vozes – desde as mais brandas, que apontavam para uma falta de habilidade do comandante em adequar um esquema tático às peças a disposição, às mais ofensivas, que expressavam que Allegri não tinha grife e competência para dirigir um time gigante como o Milan.

O título nacional conquistado em 2010-11 parecia uma acidente até mesmo para o presidente Silvio Berlusconi, que, em uma entrevista de TV em meados de janeiro, preferiu não comentar o destino do técnico ao fim da temporada. À época da entrevista do Cavaliere, o Milan já vinha melhorando bastante e havia perdido apenas duas partidas em 10 jogos. Era o time mais em forma do campeonato desde a 8ª rodada, logo atrás da Juventus. Hoje, com oito vitórias nos últimos 10 jogos, o Diavolo tem a melhor performance do campeonato. Os méritos são, sobretudo, do seu treinador.

Quando percebeu que o time não conseguiria jogar no já habitual 4-3-1-2, muito pela má fase de Boateng e Robinho, Allegri inovou. Armou o time no 4-3-3, apostou de vez em El Shaarawy e deu vez para o jovem Niang. Recuperou uma parte do futebol de Bojan e fez Pazzini se reencontrar, sendo o centroavante que daria profundidade ao time e que também atuaria como pivô para que o Pequeno Faraó El Shaarawy.

No meio-campo, orientou o time a partir de Montolivo, novo dono do setor e responsável pela saída de bola, tirando a pressão dos ombros de um desgastado Boateng. Mais atrás, lançou o garoto De Sciglio e improvisou Constant na lateral esquerda, o que acabou dando mais equilíbrio à zaga. Hoje, mesmo faltando um defensor titular ao lado de Mexès (Zapata, Bonera e Yepes revezam), a equipe tem uma defesa arrumada.

Em suma, hoje o Milan é uma equipe organizada que, caso tivesse começado o campeonato em melhor forma, poderia estar incomodando a Juventus na briga pelo título. Hoje, o time ocupa a 4ª colocação, com 40 pontos – 12 a menos que a líder do campeonato e três atrás da Lazio, primeira classificada à Liga dos Campeões. Nada mal para uma equipe que, até a 7ª rodada, estava na incômoda 14ª colocação, um ponto acima da zona de rebaixamento.

Para brigar pelo objetivo da temporada e, principalmente, como forma de barganha para conseguir votos em ano eleitoral na Itália, Berlusconi contratou Balotelli, que já estreou deixando sua marca, com os dois gols da vitória sobre a Udinese, neste domingo. Ao lado de El Shaarawy, o jogador palermitano formará a dupla de ataque da seleção italiana também em San Siro, o que pode ser útil para todos.

A princípio, podem ganhar os dois atacantes, que devem se destacar mais ainda, jogando lado a lado; a seleção italiana, que pode ver seu ataque mais entrosado, definido e fortalecido; e Prandelli, técnico da Nazionale, que pode vir a ter menos dúvidas sobre esquemas táticos (para acomodar os dois atacantes em sua melhor forma, ele já pensa em testar o 4-3-3 rossonero ante a Holanda, em amistoso nesta quarta). Deve ganhar também o Milan, que está em amplo crescimento e já ultrapassou a rival Inter na tabela de classificação e, ganha, sobretudo Allegri, que contará com mais um jogador para fazer a diferença em partidas complicadas. De uma vez por todas, ele pode fazer justiça com as próprias mãos. E com os pés e moicanos de El Shaarawy e Balotelli.

Pallonetto

– Zeman acabou demitido da Roma, após uma série de maus resultados. Em sua segunda passagem pela Roma, teve retrospecto pífio: em 23 jogos, foram 10 vitórias, 4 empates e 9 derrotas, 46 gols marcados e 42 sofridos. Hoje, a Roma tem o melhor ataque e a pior defesa do campeonato, ocupando a oitava posição.

– Crise também em Milão – do lado azul e preto, claro. A Inter acumula apenas uma vitória nos últimos sete jogos e, após a acachapante derrota por 3 a 1 ante o Siena, ex-lanterna, se fala de uma mudança de esquema. A falta de Milito e o desgaste de Guarín tem sido sentidas e isto pode até queimar os novos contratados pela Beneamata.

– O Palermo mudou de técnico pela terceira vez na temporada. A equipe havia se reforçado bastante na janela de transferências, a pedido do ex-técnico Gasperini, mas quem aproveitará os reforços é Malesani, cujo último trabalho havia sido no Genoa.

– A Itália enfrenta a Holanda em amistoso disputado em Amsterdam, nesta quarta, e tem poucas novidades na convocação: sem estreantes, destaques para os retornos do goleiro Marchetti (Lazio), do zagueiro Gastaldello (Sampdoria) e do atacante Gilardino (Bologna).

– Seleção Trivela da 23ª rodada: Consigli (Atalanta); Lichtsteiner (Juventus), Astori (Cagliari), Cannavaro (Napoli), Rubin (Siena); Kone (Bologna), Bertolacci (Genoa), Hamsík (Napoli), Sestu (Siena); Balotelli (Milan), Sau (Cagliari). Técnico: Giuseppe Iachini (Siena).

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