Itália

Separados em casa

O casamento é apenas fachada. O marido já dorme no sofá e até tirou as roupas do armário do quarto. Mas não vai embora de casa. Não se sabe se é por causa das crianças, se é por orgulho ou por medo da nova vida que se apresentaria. É praticamente uma separação dentro do próprio lar.

O cenário descreve a relação atual entre Adriano e a Internazionale. O episódio do último sábado, quando o atacante brasileiro cometeu o enésimo ato de indisciplina ao faltar à reapresentação da equipe, mostra que até mesmo as tentativas de mostrar algum respeito já terminaram.

A falta de compromisso de Adriano com o clube já se arrasta por dois anos e meio. Desde o início da temporada 2006/07, aquele que já foi conhecido como Imperador passou a ser um estorvo em Appiano Gentile. E não faltaram oportunidades para que ele se recuperasse.

Por diversas vezes, o clube o autorizou a viajar ao Brasil para férias em plena temporada, e até mesmo o emprestou ao São Paulo por um semestre para que ele reencontrasse a alegria de jogar futebol. Quando retornou à Itália, teve chances com José Mourinho e até correspondeu em campo. Por pouco tempo. Não demorou a cair novamente na farra e colocar tudo a perder novamente.

A multa de 30 por cento do salário mensal (cerca de € 150 mil), que será destinada pela Inter a obras de caridade, certamente não será suficiente para provocar uma mudança na postura de Adriano. Se ele quisesse realmente se comportar novamente como um jogador profissional, já o teria feito.

Então, fica a dúvida: por que a Inter não se livra dele? Até mesmo Mourinho declarou que o melhor para Adriano seria deixar a Itália, pois seria difícil permanecer no país com a imagem negativa que se fixou. No entanto, o treinador português mudou de postura após a virada do ano, e até ironizou a hipótese de liberar o atacante para o Flamengo – “No Brasil se vai para passar férias”, disse. À imprensa, disse que o escalará em um dos próximos três jogos.

A decisão de manter Adriano no elenco não é de Mourinho, mas da direção da Inter. Especialmente do presidente Massimo Moratti, que sempre teve uma abordagem paternalista, especialmente depois de o brasileiro perder o pai, em 2004. Moratti prefere manter a confiança na recuperação do atacante, apesar de ela se mostrar cada vez mais difícil. Pior ainda: teme que ele consiga a volta por cima em outro clube.

Por isso, a Inter reluta em admitir publicamente que Adriano é um estranho no ninho. Quando ele se apresentou distante da sobriedade para um treino, a justificativa oficial foi de uma lesão muscular – apesar de os jornalistas presentes terem testemunhado o mau estado do jogador.

O consultor de mercado do clube, Gabriele Oriali, disse na segunda-feira que a intenção é manter Adriano: “Ele sabe o que fazer, sabe como se comportar”. Ou seja, a ordem é negar até o óbvio.

A verdade é que Adriano permanece por imposição superior e pela dificuldade da Inter em buscar uma peça de reposição ainda em janeiro, para um ataque que tem dependido exclusivamente do talento de Ibrahimovic para funcionar.

Diego Milito, o principal sonho de consumo interista, não sairá tão facilmente do Genoa, que tem ambições de chegar à Copa Uefa. O acordo com o argentino exigirá um investimento em torno de € 30 milhões, e provavelmente só será possível para a próxima temporada.

Assim, Adriano vai ficando. Para quem rompeu o compromisso com o futebol, o sofá parece o lugar mais adequado.

Longa demais

Era mesmo necessário parar a Série A por três semanas para as festas de fim de ano? O ideal seria fazer como os espanhóis, que folgaram no último fim de semana de 2008, mas já retornaram normalmente às atividades no campeonato.

Seria possível fazer nos dias 3 e 4 de janeiro uma das três rodadas disputadas em meios de semana. Afinal de contas, se a desculpa é o frio de janeiro, que não se marcassem jogos para a noite do dia 28, uma quarta-feira.

Na pior das hipóteses, era possível que para o primeiro fim de semana do ano se programasse uma rodada da Copa da Itália, tão desdenhada e espalhada pelo calendário.

A pausa provoca uma queda no ritmo de competição das equipes, e também não concede tempo suficiente para que se faça uma preparação específica de retomada da forma.

No caso de times que optam por treinar em locais menos frios (Milan e Fiorentina foram a Dubai e Marbella, respectivamente), há ainda o risco de os músculos sentirem a diferença de temperatura no retorno à Itália.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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