Itália

Senhora do mercado

Nos primeiros três dias de treinamento da Juventus em Pinzolo, província de Trento, a loja móvel montada pelo clube vendeu cerca de mil das novas camisas oficiais da equipe. Delas, 80 por cento tinham o número 28 e o nome de Diego, principal reforço da equipe para a temporada – e até o momento a melhor contratação do futebol italiano neste verão.

Diego se tornou o 15º jogador brasileiro a assinar com a Juventus, agregando-se a uma lista composta por alguns sucessos, como Chinesinho, do time campeão em 1967, e mais recentemente Emerson, e outros fracassos, como Athirson e Gladstone. O 16º é Felipe Melo, volante que se deu tão bem na Fiorentina que cavou um espaço – de titular – na Seleção Brasileira.

São duas contratações certeiras, que custaram à Juve mais de € 50 milhões, se considerado também o valor de Marchionni, meia cedido à Fiorentina na negociação de Felipe Melo. Nomes que permitem à Vecchia Signora montar metade de seu novo meio-campo, com uma terceira peça já certa (Sissoko, indiscutível na última temporada) e outra a definir (Marchisio e Camoranesi parecem ser os principais concorrentes).

A outra novidade no time titular não será nada nova para a torcida, já que Fabio Cannavaro viveu grandes anos em Turim antes de sair para o Real Madrid em meio ao mar de lama que levou a Juve para a segunda divisão. O entrosamento conquistado com Chiellini na seleção italiana é um ponto positivo, mas as dúvidas sobre as condições físicas do capitão da Azzurra só serão solucionadas com a temporada em curso.

De qualquer forma, Ciro Ferrara terá nas mãos um time titular melhor do que aquele que terminou a última temporada. Não há dúvidas sobre o módulo a ser adotado – o 4-3-1-2 que permite a Diego render o máximo. Só o que ainda deixa a desejar são as laterais. Zebina não é o nome ideal na direita, e ainda enfrenta forte rejeição da torcida. Na esquerda, Molinaro ainda não tem condições físicas ideais após um problema nos rins, enquanto De Ceglie parece render melhor em funções mais ofensivas.

O comando de Ferrara promete lembrar em muito o de Marcello Lippi, sobretudo no aspecto disciplinar. Vetados celulares e jornais nos vestiários, proibidas bebidas gasosas nas refeições, nada de mulheres e familiares na concentração, e multa por atraso superior a 5 minutos nos treinos.

Apesar de ainda haver pontos a melhorar no time juventino, a distância para a Internazionale parece menor agora, pelo menos no papel. A Inter deu a impressão de que faria um mercado agressivo, ao tirar Thiago Motta e Diego Milito do Genoa com a temporada recém-concluída, mas parou por aí. A não ser que alguém considere o foquinha Kerlon, que mal jogou no Chievo, uma contratação séria.

A inércia da cúpula interista no mercado foi tema de José Mourinho em sua primeira coletiva após a reapresentação do time. E o motivo é simples: a preparação dos nerazzurri começou com um elenco inchado, cheio de jogadores que o treinador português não gostaria de ver – entre eles Quaresma, Mancini, Rivas e Obinna.

Entre os objetivos solicitados por Mourinho, ainda faltam um meia de ligação e um zagueiro. Mas, a não ser que seu nome seja Florentino Pérez, em tempos de crise para comprar é preciso vender. Até o momento, as principais saídas da Inter foram de graça (Crespo, Cruz, Figo) ou por empréstimo (Jiménez). Vender tem sido complicado, e quando aparece um negócio de ocasião, como o interesse do Genoa em levar Quaresma, o jogador coloca empecilhos.

Diante desta situação, Massimo Moratti chegou até a enviar um contrato para Pavel Nedved, recém-saído da Juventus. Bastaria o tcheco assinar. Só não o fez por sentir que seria um desrespeito a seus antigos torcedores.

Milito e Motta podem ser considerados bons reforços, mas o salto de qualidade que eles proporcionam à Inter é inferior ao que a Juventus terá com Felipe Melo e Diego. O favoritismo continua sendo nerazzurro, por enquanto com uma séria ameaça dos bianconeri. Isso se Ibrahimovic ficar…

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Equipe Trivela

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