Sem pular no rio
“Se eu fosse o Dario pulava no rio”, conjeturava a música Pinga, da banda mineira Pato Fu, em referência ao centroavante Dadá Maravilha. Se há algo que esta Itália da Eurocopa não pode fazer, porém, é pular no rio. Vivendo em perene pane ofensiva, a Squadra Azzurra é a equipe que mais finaliza a gol, entre os quatro semifinalistas do torneio. Porém, também é o time menos marca gols.
Para que consiga superar a Alemanha, nas semifinais, a Itália terá de melhorar seu aproveitamento próximo ao gol. É absurdo que uma equipe que chutou 87 vezes a gol tenha furado o bloqueio adversário apenas quatro vezes. Os alemães, por outro lado, são aqueles que menos finalizam (60), mas os de melhor ataque (nove).
Nas quartas de final, contra a Inglaterra, foi possível ter mais uma prova da ineficácia do ataque italiano. A Nazionale teve 64% do tempo de posse de bola e finalizou absurdas 35 vezes – sem contar os 12 chutes bloqueados pelos ingleses durante as mais de duas horas de jogo. A Itália até conseguiu acertar a trave duas vezes, mas, mesmo assim, não conseguiu converter em gols o assombroso domínio conquistado.
Balotelli decepciona na função de homem-gol italiano, como era de se esperar. Como Cesare Prandelli fez uma convocação sem qualquer “nove de ofício”, o atacante do Manchester City acabou se tornando a esperança de gols da equipe. É ele o segundo atleta que mais finaliza na Euro (em media, uma vez a cada 13 minutos em campo), mas, mesmo assim, marcou apenas um gol até agora.
Mais próximo de cumprir as funções de um goleador, Di Natale tem recebido oportunidades a conta-gotas durante a Eurocopa. Contra a Inglaterra, então, nem chegou a entrar em campo.
Sem centroavantes à disposição fica complicado. Destro, autor de 12 gols no último Campeonato Italiano, mesmo jogando pelo modestíssimo Siena, poderia resolver parte dos problemas da Nazionale, mas acabou cortado por Prandelli na pré-convocação para a Euro. Os juventinos Matri e Quagliarella, que até poderiam valer a pena, nem pré-convocados foram.
Multicampeão pelo Milan, Nereo Rocco costumava dizer, antes das partidas, que esperava que o melhor não vencesse. Não é o caso da Itália desta Eurocopa. Mesmo com dificuldades, a melhor tem vencido – e até se descoberto “a melhor”, coisa que parecia absurda pouco tempo atrás. A zebra azul continua galopando no leste europeu.
Pallonetto
– As notas do colunista para a Itália que bateu a Inglaterra nas quartas de final: Buffon (8); Abate (6,5), Barzagli (6,5), Bonucci (7), Balzaretti (6,5); Marchisio (5,5), Pirlo (8), De Rossi (7,5); Montolivo (6); Cassano (6); Balotelli (6,5). Substitutos: Maggio (6), Nocerino (6,5), Diamanti (7).
– Por causa da crise na Zona do Euro, Alemanha x Grécia foi uma partida marcada por provocações no campo político e econômico. Não se surpreenda se a “pobre” Itália repetir a dose contra a “rica” Alemanha.
– Depois de passar uma temporada no inferno da segunda divisão, a Sampdoria está de volta à Europa: a equipe de Gênova jogará o Troféu Gamper deste ano, contra o Barcelona, em 20 de agosto. A partida celebrará os 20 anos do título blaugrana da Liga dos Campeões de 1992, sobre a mesma Samp. Se os italianos repetirem aquele dia, perdendo só por 1 x 0, já estarão no lucro.



