Itália

Sarri fala sobre alegria de estar na Lazio e diz que futebol virou um “paraíso de individualidades”

Técnico da Lazio falou sobre a alegria de estar no clube, sua visão de futebol coletivo e até sobre como foi treinar Cristiano Ronaldo

Maurizio Sarri é um treinador de uma história incomum, que saiu de ser bancário para se tornar campeão na Itália e vive um momento de felicidade treinando a Lazio. O técnico italiano contou, em entrevista ao Corriere dello Sport, sobre a sua vida no clube, a alegria que sente no time azul-celeste da capital, revelou que Luis Alberto e Francesco Acerbi podem deixar o clube, a experiência de treinar Cristiano Ronaldo e ainda falou sobre sua visão coletiva do futebol, um esporte que para ele foi transformado em um “paraíso de individualidades”.

Falando sobre o seu estilo de jogo, Sarri focou no lado coletivo do futebol. “Eu amo um tipo de futebol que todo mundo se coloca a serviço do time para desenvolver um jogo em que os movimentos, tanto defensivos quanto ofensivos, não incluam exceções de nenhum tipo”, explicou o técnico.

Um ano após sua chegada à capital italiana, ele se diz bem adaptado à Lazio. “Me sinto bem aqui, gosto do ambiente, tenho a oportunidade de me expressar e acima de tudo de me divertir. Também mudei, agora o trabalho me dá mais diversão, meu sentimento em relação ao futebol mudou”, afirmou Sarri. “Também gosto dos torcedores da Lazio, de fora é completamente diferente, uma ideia errada. 99% dos torcedores da Lazio são famílias, pessoas jovens”.

O treinador ainda falou criticou algo que se tornou muito comum: clubes de futebol com fundos de investimento como donos. Na Lazio, a situação que ele vive é diferente: o dono é o empresário italiano Claudio Lotito. “Trabalhar em um clube que não pertence a um fundo, mas a famílias, me dá gosto. Ao mesmo tempo eu percebo as dificuldades econômicas que podem ser encontradas, poucos recursos, é claro”.

Sarri inclusive defendeu Lotito de críticas. “Não consigo entender completamente as razões para sua impopularidade. Comunicação? Possivelmente. Mas Lotito pegou uma Lazio que era um desastre e para o bem ou para o mal, manteve o clube consistentemente no top 5 ou 6 e em competições europeias”, argumenta o técnico.

“Apenas pense, eu o acho agradável, ele é um homem de espírito e é alguém que ouve você. Lotito terá mil outras falhas, mas ele é de rara inteligência, tem uma atenção obsessiva aos detalhes e, acima de tudo, no nível esportivo, deixa total autonomia”, continua Sarri.

Para o técnico, a Lazio consegue ser um time muito forte em um jogo isolado, mas falta consistência para brigar no alto. “Nos falta o equilíbrio de um grande time. Tanto mental quanto físico. Em um jogo isolado, podemos vencer qualquer time, o problema é que frequentemente nos faltam algumas coisas, ficamos perdidos”, analisa. “O que quero este ano é mostrar um time verdadeiro e desde os primeiros treinamentos tenho sentimentos muito positivos”.

O treinador disse que não se importa em como é visto pelo público. “Eu não me importo. Sou muito diferente de como sou descrito, por anos trabalhei em outra coisa e não absorvi a superficialidade do futebol. Sonhei em treinar um grande clube e tive sucesso não só uma, mas várias vezes”, diz Sarri. “Aos 63 anos, penso mais na minha carreira e o dinheiro é menos importante, eu evoluí. Quero prazer, diversão e a Lazio pode me dar isso.

“Eu trabalhei para criar um time de verdade, 25 jogadores que pensam de forma similar, de certa forma algo anti-histórico. O jogo de futebol, por natureza, é coletivo e em vez disso, até vocês na imprensa o transformaram em um paraíso de individualidade”.

Luis Alberto de saída?

O meia Luis Alberto tem sido um dos destaques da Lazio nos últimos anos, mas pode deixar o clube ainda nesta janela de transferência por um desejo seu. Aos 29 anos, o jogador já parece disposto a voltar ao seu país.

“Pelo segundo ano seguindo, ele expressou o seu desejo de terminar a carreira na Espanha. Mais do que na Espanha em geral, no Sevilla. Não posso te dizer se eu estarei com ele aqui no começo de setembro. Um cara inteligente, grande jogador e personalidade, em particular”, contou o treinador.

Acerbi pediu para sair do clube

Destaque na defesa da Lazio, o zagueiro Francesco Acerbi está de saída do clube, segundo relevou Sarri. “Nada tático, no final da temporada ele expressou o seu desejo por uma mudança de cenário e o clube tentará acomodá-lo, é por isso que outros planos foram feitos”, disse.

Elogios a Milinkovic-Savic

Um dos principais destaques da Lazio nas últimas temporada é o sérvio Sergej Milinkovic-Savic, de 27 anos. O meio-campista é tecnicamente muito bom, além de fisicamente muito forte. Na Lazio desde 2015, o meio-campista desperta o interesse de vários clubes, mas a Lazio sempre faz jogo duro para vendê-lo.

“Sergej é um dos jogadores do mais alto nível, poucos erros e muito potencial inexplorado. Em alguns momentos do jogo ele favorece a estética, a jogada que eu chamo de efêmera, ao custo de efetividade. Mas é verdade, na última parte da temporada ele buscou a funcionalidade e fez a diferença”, analisou.

Diferença em relação a Mourinho, da rival Roma

“Eu também gosto de [José] Mourinho. As diferenças dependem muito mais do começo, da origem. Eu cresci nas ligas menores, pessoas de outro nível, onde para vencer eu precisava afetar muita coisa, e com força, para compensar as limitações dos indivíduos”, contou Sarri.

O italiano lembrou que Mourinho começou a trabalhar no futebol no Barcelona, primeiro como tradutor, depois como auxiliar técnico de Bobby Robson. Só depois começou a sua carreira como treinador em Portugal. “Mourinho começou no Barcelona e investiu muito na qualidade dos jogadores. Entre Stia e Barcelona há uma grande diferença! Sou das montanhas da Toscana, como Luciano Spalletti”.

A experiência de treinar Cristiano Ronaldo

Sarri treinou a Juventus por uma temporada, em 2019/20, e conquistou o título da Serie A, com o português como artilheiro da competição. Ele só durou aquele ano e foi trocado por Andrea Pirlo – que não conseguiria repetir o feito e acabaria demitido ao final da temporada seguinte. O treinador refletiu sobre como foi treinar um dos jogadores mais badalados destes tempos.

“Eu lamento que não pude treiná-lo quando ele era mais novo. Eu encontrei um jogador que tinha se estabelecido com um certo estilo e se tornou um ícone mundial. O time tinha que se adaptar a ele, não o contrário. Comigo ele marcou 33 gols na liga e quatro na Copa, e, pra resumir, nunca foi fácil convencer um campeão com os resultados como os dele a trocar seu estilo”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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