Itália

Resumo da temporada – Parte II

Depois de analisar as campanhas dos dez últimos colocados, o resumo da temporada 2008/09 da Serie A na Trivela se conclui com os dez primeiros. Veja quem garantiu as vagas europeias e quem pelo menos chegou perto de alcançá-las.

Lazio

Colocação final: 10ª, com 50 pontos (classificada para os play-offs da Liga Europa como campeã da Copa da Itália)
Técnico: Delio Rossi
Maior vitória: Cagliari 1×4 Lazio (1ª rodada)
Maior derrota: Milan 4×1 Lazio (3ª rodada), Lazio 1×4 Cagliari (20ª rodada)
Principal jogador: Mauro Zárate (atacante)
Decepção: Juan Pablo Carrizo (goleiro)
Artilheiro: Mauro Zárate, 13 gols
Copa nacional: Campeã
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 6,5

A Lazio “passa de ano” por ter alcançado o objetivo da vaga europeia através da Copa da Itália. No campeonato, porém, a campanha pode se considerar decepcionante, depois de um início promissor. Os momentos de sucesso, como a vitória por 4 a 2 sobre a Roma no dérbi do segundo turno, devem ser atribuídos mais ao talento individual de alguns jogadores do que propriamente a um jogo sólido, o que justifica o fim do ciclo de Delio Rossi no clube. Zárate se revelou um atacante à altura do futebol italiano, apesar dos altos e baixos, e sabe que na próxima temporada será cobrada uma regularidade maior. O restante do elenco se dividiu entre notas positivas (como Lichtsteiner, Kolarov e Foggia) e negativas (Cribari, Rocchi, Mauri e Carrizo).

Cagliari

Colocação final: 9º, com 53 pontos
Técnico: Massimiliano Allegri
Maior vitória: Cagliari 5×1 Bologna (10ª rodada)
Maior derrota: Udinese 6×2 Cagliari (38ª rodada)
Principal jogador: Federico Marchetti (goleiro)
Decepção: Andrea Lazzari (meia)
Artilheiro: Robert Acquafresca, 14 gols
Copa nacional: Eliminado pela Reggina na quarta fase
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7,5

Um técnico estreante na Serie A começa com cinco derrotas consecutivas. Demissão na certa? Não foi o que aconteceu com Massimiliano Allegri, que recebeu um voto de confiança da direção do clube e partiu dali para levar o time à parte alta da tabela, chegando até a sonhar com a classificação para a Liga Europa. Allegri carrega o mérito por montar uma equipe sem estrelas, mas com estilo de jogo bem definido, independente do adversário – o que proporcionou resultados importantes como o empate com a Inter em Milão e a vitória sobre a Juventus em Turim. Marchetti foi um dos principais goleiros do campeonato, fazendo por merecer a convocação para o amistoso da Azzurra contra a Irlanda do Norte, e a explosão de Daniele Conti, ainda que tardia, ajudou a dar peso ao meio-campo. No ataque, os gols de Acquafresca e Jeda serviram para garantir pontos importantes.

Palermo

Colocação final: 8º, com 57 pontos
Técnico: Stefano Colantuono (1ª rodada), Davide Ballardini (a partir da 2ª)
Maior vitória: Palermo 5×1 Cagliari (34ª rodada)
Maior derrota: Palermo 0x4 Catania (26ª rodada)
Principal jogador: Fábio Simplício (meia)
Decepção: Morris Carrozzieri (zagueiro)
Artilheiro: Fabrizio Miccoli e Edinson Cavani, 14 gols
Copa nacional: Eliminado pelo Ravenna na terceira fase
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

O Palermo teve mais uma temporada marcada pelos atos passionais do presidente Maurizio Zamparini, que dispensou Colantuono depois de apenas uma rodada. O sucessor, Ballardini, ainda conseguiu tirar resultados de um elenco pouco reforçado para a competição, fazendo com que o time chegasse à reta final brigando por uma vaga europeia. O principal problema da equipe foi a dependência dos pontos conquistados dentro de casa, por causa do rendimento fraco como visitante. Destaques positivos, além dos goleadores Miccoli e Cavani e de Fábio Simplício, foram o jovem zagueiro dinamarquês Kjaer e o lateral Cassani. O primeiro está na mira de grandes clubes, e o segundo recebeu sua primeira convocação para a seleção italiana. No final, Ballardini deixou o cargo – talvez por saber que a impaciência de Zamparini não lhe daria segurança na próxima temporada.

Udinese

Colocação final: 7ª, com 58 pontos
Técnico: Pasquale Marino
Maior vitória: Udinese 6×2 Cagliari (38ª rodada)
Maior derrota: Milan 5×1 Udinese (17ª rodada)
Principal jogador: Gaetano D'Agostino (meia)
Decepção: Christian Obodo (volante)
Artilheiro: Antonio Di Natale, 12 gols
Copa nacional: Eliminada pela Sampdoria nas quartas de final
Competição continental: Copa Uefa (eliminada pelo Werder Bremen nas quartas de final)
Nota da temporada: 6,5

A Udinese não foi capaz de evoluir em relação à temporada anterior, em parte pela divisão de atenções com a Copa Uefa. A equipe bianconera foi a última italiana a ser eliminada da Europa. Se não tivesse sofrido a queda de rendimento que resultou em uma série de onze jogos sem vitória entre a 10ª e a 20ª rodada, o time certamente teria se classificado para a Liga Europa – especialmente porque teve uma arrancada espetacular no final, com sete vitórias e um empate nos últimos oito jogos. A boa participação do jovem chileno Alexis Sánchez confirmou a importância do trabalho dos olheiros do clube, enquanto nomes como D'Agostino e Inler se afirmaram como realidades do futebol italiano. Nos melhores momentos da equipe, brilhou o trio de ataque formado por Quagliarella, Pepe e Di Natale, todos jogadores de seleção.

Roma

Colocação final: 6ª, com 63 pontos (classificada para a 3ª fase preliminar da Liga Europa)
Técnico: Luciano Spalletti
Maior vitória: Roma 3×0 Reggina (3ª rodada), Lecce 0x3 Roma (12ª rodada), Napoli 0x3 Roma (20ª rodada), Roma 3×0 Genoa (23ª rodada)
Maior derrota: Roma 0x4 Inter (7ª rodada)
Principal jogador: Francesco Totti (atacante)
Decepção: Cicinho (lateral-direito)
Artilheiro: Francesco Totti, 13 gols
Copa nacional: Eliminada pela Inter nas quartas de final
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminada pelo Arsenal nas oitavas de final)
Nota da temporada: 5

Desastroso. Não dá para definir de outra maneira o campeonato de um time que, na temporada passada, chegou à última rodada disputando o título. O time foi afetado por problemas internos – como as dúvidas sobre a possível venda do clube e o futuro de Spalletti – e em momento algum foi capaz de corresponder à pretensão de rivalizar com a Inter pelo scudetto. Contratações como Menez e Baptista, jogadores que viveram apenas de lampejos, não deram o resultado esperado. A ausência de Mancini não foi compensada, e jogadores como Taddei mostraram que seus melhores anos já ficaram para trás. A defesa sofreu 61 gols e foi a quarta pior do campeonato. A vaga na Liga Europa salva um pouco da dignidade da equipe, mas é pouco para considerar suficiente a temporada giallorossa.

Genoa

Colocação final: 5º, com 68 pontos (classificado para os play-offs da Liga Europa)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Maior vitória: Genoa 4×0 Reggina (11ª rodada)
Maior derrota: Juventus 4×1 Genoa (12ª rodada)
Principal jogador: Diego Milito (atacante)
Decepção: Anthony Vanden Borre (lateral-direito)
Artilheiro: Diego Milito, 24 gols
Copa nacional: Eliminado pela Inter nas oitavas de final
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 8

Considerando expectativas e resultados, o Genoa foi a grande equipe do campeonato, conquistando merecidamente seu retorno a uma competição europeia depois de 17 anos. Venceu os dois dérbis com a Sampdoria, o que não acontecia há mais de quatro décadas, e se mostrou à altura nos jogos contra os grandes, vencendo Milan, Juventus e Roma em casa. Tudo graças a um mercado cirúrgico, com contratações bem sucedidas como as de Milito e Thiago Motta, ambos negociados com a Inter no fim da temporada. Sob o comando de Gian Piero Gasperini (ou Gasperson, como gosta de chamar a torcida genoana em comparação a Alex Ferguson), jogadores como Criscito, Bocchetti, Palladino e Sculli alcançaram níveis que ainda não haviam mostrado antes. O módulo 3-4-3 serviu para explorar ao máximo o potencial destes jogadores a serviço da equipe.

Fiorentina

Colocação final: 4ª, com 68 pontos (classificada para os play-offs da Liga dos Campeões)
Técnico: Cesare Prandelli
Maior vitória: Torino 1×4 Fiorentina (15ª rodada), Fiorentina 4×1 Roma (33ª rodada)
Maior derrota: Lazio 3×0 Fiorentina (4ª rodada)
Principal jogador: Alberto Gilardino (atacante)
Decepção: Sergio Almirón (volante)
Artilheiro: Alberto Gilardino, 19 gols
Copa nacional: Eliminada pelo Torino nas oitavas de final
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminada na fase de grupos) e Copa Uefa (eliminada pelo Ajax nos 1/16 de final)
Nota da temporada: 7

Se não foi uma temporada brilhante pelo jogo exibido, pelo menos o resultado foi satisfatório. O quarto lugar era o limite do que permitia o elenco – mas até a última rodada o time tinha chances de terminar em terceiro. A contratação de maior nome, a de Alberto Gilardino, causou o impacto esperado, com o atacante reencontrando o futebol que havia lhe abandonado em Milão. Frey se confirmou um dos melhores goleiros em atividade, enquanto Felipe Melo tornou-se dono do meio-campo – com a ressalva de sua indisciplina que custou nada menos que sete rodadas de suspensão acumuladas no campeonato. Do meio para o final do campeonato, as lesões prejudicaram Mutu, mas na ausência do romeno explodiu o jovem montenegrino Jovetic, uma aposta da Viola para o futuro. Cesare Prandelli tem o carinho da cidade e da direção do clube, o que lhe permite trabalhar com estabilidade e pensar em uma evolução gradativa.

Milan

Colocação final: 3º, com 74 pontos (classificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnico: Carlo Ancelotti
Maior vitória: Milan 5×1 Udinese (17ª rodada), Siena 1×5 Milan (28ª rodada), Milan 5×1 Torino (32ª rodada)
Maior derrota: Juventus 4×2 Milan (16ª rodada)
Principal jogador: Kaká (meia)
Decepção: Andriy Shevchenko (atacante)
Artilheiro: Kaká, 16 gols
Copa nacional: Eliminado pela Lazio nas oitavas de final
Competição continental: Copa Uefa (eliminado pelo Werder Bremen nos 1/16 de final)
Nota da temporada: 6

Para quem começou a temporada dando prioridade à disputa pelo scudetto, não dá para se conformar com uma vaga direta na Liga dos Campeões conquistada apenas na última rodada. O time cumpriu apenas com o objetivo mínimo, e não há como responsabilizar apenas Carlo Ancelotti, de saída para o Chelsea. Poderia ser diferente se as lesões não tivessem afastado Gattuso por quase toda a temporada e Kaká por parte dela, mas a principal razão de mais um ano correndo atrás da Inter é um mercado que parecia feito por amadores. De contratações como Ronaldinho e Shevchenko, baseadas apenas nos nomes e não nas atuações recentes, e em ilustres desconhecidos como Cardacio, Viudez e Felipe Mattioni. Felizmente para os rossoneri, Pato e Inzaghi marcaram gols importantes, Maldini e Favalli formaram uma zaga segura apesar da idade, e Beckham mostrou ainda ser um jogador profissional. Kaká, mesmo sem suas melhores condições físicas e técnicas, ainda foi o artilheiro do time, com 16 gols. E é da venda do brasileiro que parte o planejamento (?) da próxima temporada.

Juventus

Colocação final: 2ª, com 74 pontos (classificada para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnico: Claudio Ranieri (até a 36ª rodada), Ciro Ferrara (a partir da 37ª)
Maior vitória: Juventus 4×0 Reggina (14ª rodada)
Maior derrota: Juventus 2×3 Cagliari (22ª rodada), Genoa 3×2 Juventus (31ª rodada)
Principal jogador: Alessandro Del Piero (atacante)
Decepção: Tiago (meia)
Artilheiro: Alessandro Del Piero, 13 gols
Copa nacional: Eliminada pela Lazio nas semifinais
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminada pelo Chelsea nas oitavas de final)
Nota da temporada: 6,5

É o caso de admitir que a Juventus foi supervalorizada no início da temporada, quando houve quem atribuísse à Vecchia Signora alguma chance de título. Apenas na segunda temporada após o purgatório da Serie B, a Juve apresentou um elenco com excesso de jogadores medianos, com um meio-campo especialmente pobre, dependendo de nomes como Poulsen e Tiago, incapazes de agregar talento ao setor. Entre os mais experientes, brilharam Del Piero e Nedved, este último de saída, mas decepcionaram Buffon, Camoranesi e Trezeguet. A direção do clube poderia ter feito mais para evitar que parte da torcida se sentisse viúva da turma de Luciano Moggi, que, apesar de todas as maracutaias que jogaram o clube na lama, agia com competência no mercado. Ranieri pagou o pato no final, com o elenco se perdendo em discordâncias internas. De resto, o time viveu dos altos e baixos de Amauri, destaque no início, e Iaquinta, no final, além da segurança de Chiellini na zaga e de Sissoko à frente dela.

Internazionale

Colocação final: 1ª, com 84 pontos (classificada para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnico: José Mourinho
Maior vitória: Roma 0x4 Inter (7ª rodada)
Maior derrota: Atalanta 3×1 Inter (14ª rodada)
Principal jogador: Zlatan Ibrahimovic (atacante)
Decepção: Ricardo Quaresma (meia-atacante)
Artilheiro: Zlatan Ibrahimovic, 25 gols
Copa nacional: Eliminada pela Sampdoria nas semifinais
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminada pelo Manchester United nas oitavas de final)
Nota da temporada: 7

A Inter se aproveitou dos problemas dos rivais, cometeu poucos erros, deixou poucos pontos pelo caminho e se sagrou campeã. Mas se já havia conseguido o mesmo com Roberto Mancini, de que serviu trocá-lo por José Mourinho, que fracassou na disputa da Liga dos Campeões como o antecessor? Este foi um questionamento inevitável no final da temporada em que os nerazzurri apenas repetiram o que já haviam feito, desta vez com menos sufoco. Contratações fracassadas (Quaresma e Mancini) e problemas disciplinares (Adriano) marcaram a trajetória da primeira temporada de Mourinho, que, de qualquer forma, sai vencedor em seu primeiro ano em um novo país, o que não costuma ser fácil. O título da Inter se baseia em um eixo formado por Júlio César, Maicon, Cambiasso e sobretudo Ibrahimovic, que apresenta na Serie A o que não consegue mostrar na LC. Estes quatro jogadores mantiveram um rendimento altíssimo ao longo da temporada, decidindo partidas ao longo de uma caminhada estável. De qualquer forma, não foi um futebol empolgante o apresentado pelos nerazzurri.

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Equipe Trivela

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