Itália

Resumo da temporada – Parte I

Terminada a temporada 2008/09 da Serie A, chegou a hora de a Trivela fazer um balanço do campeonato, time por time. A primeira parte da análise traz os times que terminaram na parte de baixo da tabela.

Lecce

Colocação final: 20º (rebaixado), com 30 pontos
Técnico: Mario Beretta (até a 27ª rodada), Luigi De Canio (a partir da 28ª)
Maior vitória: Lecce 2×0 Chievo (2ª rodada), Lecce 2×0 Cagliari (5ª rodada)
Maior derrota: Palermo 5×2 Lecce (28ª rodada)
Principal jogador: Andrea Esposito (zagueiro)
Decepção: Papa Waigo (atacante)
Artilheiro: Simone Tiribocchi, 11 gols
Copa nacional: Eliminado na terceira fase pela Salernitana
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

O Lecce subiu para a primeira divisão e se manteve com um elenco de segunda. A culpa pelo rebaixamento não é nem de Mario Beretta, que resistiu por três quartos do campeonato, e nem de Luigi De Canio, que assumiu seu lugar. Os 67 gols sofridos evidenciam a deficiência da defesa – apesar de o zagueiro Esposito ter se salvado em um grupo de jogadores inadequados à Serie A, a ponto de ter terminado a temporada com uma convocação para a Azzurra. As cinco vitórias em 38 rodadas não deixam dúvidas sobre a justiça do retorno imediato da equipe à Serie B, apesar de algumas boas atuações no primeiro turno terem dado esperanças à torcida.

Reggina

Colocação final: 19ª (rebaixada), com 31 pontos
Técnico: Nevio Orlandi (até a 16ª rodada e a partir da 21ª), Giuseppe Pillon (da 17ª à 20ª)
Maior vitória: Reggina 3×1 Atalanta (13ª rodada)
Maior derrota: Sampdoria 5×0 Reggina (35ª rodada)
Principal jogador: Andrea Costa (lateral-esquerdo)
Decepção: Andrea Campagnolo (goleiro)
Artilheiro: Bernardo Corradi, 10 gols
Copa nacional: Eliminada nas oitavas de final pela Udinese
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4,5

A Reggina se distinguiu em seus sete anos na Serie A por superar as expectativas quando muitos duvidavam, como quando se salvou na temporada 2006/07 mesmo com uma penalização de 11 pontos. Desta vez, não houve milagre. O clube tem um grupo de jovens interessantes, mas os jogadores de quem se esperava mais não corresponderam. Entre eles Corradi, que teve uma temporada muito irregular, apesar de ter sido o artilheiro do time. A tentativa de reação na reta final, com vitórias fora de casa sobre Atalanta e Bologna, foi inócua. De qualquer forma, a manutenção da base e alguns reforços pontuais podem fazer do time amaranto um forte candidato ao acesso na próxima temporada.

Torino

Colocação final: 18º (rebaixado), com 34 pontos
Técnico: Gianni De Biasi (até a 15ª rodada), Walter Novellino (da 16ª à 29ª), Giancarlo Camolese (a partir da 30ª)
Maior vitória: Torino 3×0 Lecce (1ª rodada)
Maior derrota: Milan 5×1 Torino (32ª rodada)
Principal jogador: Matteo Sereni (goleiro)
Decepção: Andrea Gasbarroni (meia)
Artilheiro: Rolando Bianchi, 9 gols
Copa nacional: Eliminado nas quartas de final pela Lazio
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

O presidente Urbano Cairo teve um papel importante na sobrevivência do Torino com seu aporte financeiro, mas voltou a mostrar nesta temporada que não é o homem mais adequado para gerir o clube. As constantes trocas de treinador, quase sempre recorrendo a nomes que passaram recentemente pela equipe sem grande sucesso, são provas de uma gestão sem rumo. O elenco granata podia não ser um dos melhores da Serie A, mas certamente não era um dos três piores. O problema foi a falta de um comando firme e de um padrão de jogo que permitisse ao time arrancar melhores resultados. Salvaram-se o goleiro Sereni e o meia Dzemaili – muito pouco para pretender a permanência na elite. O 60º aniversário da tragédia que acabou com o Grande Torino fica marcado por mais um rebaixamento.

Bologna

Colocação final: 17º, com 37 pontos
Técnico: Daniele Arrigoni (até a 10ª rodada), Sinisa Mihajlovic (da 11ª à 31ª), Giuseppe Papadopulo (a partir da 32ª)
Maior vitória: Bologna 5×2 Torino (16ª rodada)
Maior derrota: Cagliari 5×1 Bologna (10ª rodada)
Principal jogador: Marco Di Vaio (atacante)
Decepção: Pablo Osvaldo (atacante)
Artilheiro: Marco Di Vaio, 24 gols
Copa nacional: Eliminado nas oitavas de final pela Roma
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5

O Bologna se salvou mais por demérito alheio do que por méritos próprios. Se não fossem os 24 gols de Di Vaio, mais da metade do total de 43 registrado pela equipe, o retorno à Serie B teria sido imediato. Após um início de temporada turbulento, com a mudança de propriedade do clube, os novos donos se mostraram impacientes e mudaram duas vezes de treinador. Seria equivocado dizer que foram estas decisões que evitaram o rebaixamento.

Chievo

Colocação final: 16º, com 38 pontos
Técnico: Giuseppe Iachini (até a 10ª rodada), Domenico Di Carlo (a partir da 11ª)
Maior vitória: Lazio 0x3 Chievo (28ª rodada)
Maior derrota: Palermo 3×0 Chievo (10ª rodada), Napoli 3×0 Chievo (38ª rodada)
Principal jogador: Sergio Pellissier (atacante)
Decepção: Mauro Esposito (atacante)
Artilheiro: Sergio Pellissier, 13 gols
Copa nacional: Eliminado na terceira fase pelo Padova
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

O Chievo é um caso de mudança acertada no comando da equipe. As dificuldades com Giuseppe Iachini no início do campeonato eram evidentes, e o time era apontado como favorito ao descenso. Sob o comando de Mimmo Di Carlo, o time mudou sua forma de jogar e aos poucos foi arrancando melhores resultados. No segundo turno, a campanha foi digna de classificação para competição europeia. Pode não ser o Chievo dos milagres que surpreendeu a Itália no início da década, mas, pelo tamanho do clube de Verona, cada permanência na Serie A tem de ser comemorada como título. Destaque para Pellissier, que mostrou merecer atenções de times maiores.

Catania

Colocação final: 15º, com 43 pontos
Técnico: Walter Zenga
Maior vitória: Palermo 0x4 Catania (26ª rodada)
Maior derrota: Sampdoria 3×0 Catania (13ª rodada), Catania 0x3 Siena (27ª rodada)
Principal jogador: Albano Bizzarri (goleiro)
Decepção: Cristian Llama (meia)
Artilheiro: Giuseppe Mascara, 12 gols
Copa nacional: Eliminado nas oitavas de final pela Juventus
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Depois de escapar na última rodada em 2008, o Catania se salvou com antecedência nesta temporada. Desta vez, com Zenga à frente da equipe desde o começo, o time foi capaz de alguns momentos brilhantes, como a goleada sobre o Palermo no dérbi siciliano, inspirado pelas defesas de Bizzarri e pelos belos gols de Mascara – que acabou convocado para a seleção. O ex-goleiro da Azzurra tem muitos méritos na melhor temporada do clube na Serie A, e sua saída deixará a direção com a difícil tarefa de substitui-lo à altura. Ele deixa para trás ainda métodos curiosos como o revezamento de capitães e as insólitas jogadas ensaiadas, como quando Plasmati abaixou os calção na área para confundir os adversários.

Siena

Colocação final: 14º, com 44 pontos
Técnico: Marco Giampaolo
Maior vitória: Bologna 1×4 Siena (31ª rodada)
Maior derrota: Siena 1×5 Milan (28ª rodada)
Principal jogador: Juan Camilo Zúñiga (lateral-direito)
Decepção: Nicola Amoruso (atacante)
Artilheiro: Massimo Maccarone, 9 gols
Copa nacional: Eliminado na quarta fase pelo Empoli
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Giampaolo já tinha no currículo uma temporada impressionante pelo Ascoli, em 2005/06, quando salvou o time com folga e se mostrou um dos mais interessantes treinadores jovens do país. No Siena, ele foi capaz de criar um bom ambiente e uma equipe sólida, que terminou com a sexta melhor defesa do campeonato, atrás apenas dos cinco primeiros na classificação. Faltou um ataque de mais peso para poder sonhar um pouco mais alto, mas ainda assim é uma temporada plenamente satisfatória, considerando que o elenco não era muito diferente de times que lutaram contra o rebaixamento até o final.

Sampdoria

Colocação final: 13ª, com 46 pontos
Técnico: Walter Mazzarri
Maior vitória: Sampdoria 5×0 Reggina (35ª rodada)
Maior derrota: Milan 3×0 Sampdoria (7ª rodada), Bologna 3×0 Sampdoria (27ª rodada)
Principal jogador: Antonio Cassano (atacante)
Decepção: Manuel da Costa (zagueiro)
Artilheiro: Antonio Cassano, 12 gols
Copa nacional: Vice-campeã, derrotada na final pela Lazio
Competição continental: Copa Uefa (eliminada nos 16-avos de final pelo Metalist-UCR)
Nota da temporada: 6

A classificação para uma competição europeia pode trazer dificuldades para uma equipe na temporada seguinte, especialmente quando ela não tem um elenco tão numeroso. Claramente foi o que aconteceu com a Sampdoria, que pagou o esforço de conciliar o campeonato e a Copa Uefa na primeira metade da temporada. Para o segundo turno, com a chegada de Pazzini da Fiorentina, o time cresceu de produção, chegando a ficar seis jogos invicto, incluindo um empate com a Juventus fora de casa e uma vitória em casa sobre o Milan. Ao lado de Cassano, Pazzini formou talvez a melhor dupla de ataque da Samp desde Mancini e Vialli. Mas ainda foi pouco para levar o time às zonas altas da classificação. O título da Copa da Itália poderia salvar a temporada, mas os pênaltis contra a Lazio foram cruéis.

Napoli

Colocação final: 12º, com 46 pontos
Técnico: Edy Reja (até a 27ª rodada), Roberto Donadoni (a partir da 28ª)
Maior vitória: Napoli 3×0 Reggina (9ª rodada), Napoli 3×0 Lecce (16ª rodada), Napoli 3×0 Chievo (38ª rodada)
Maior derrota: Napoli 0x3 Roma (20ª rodada)
Principal jogador: Ezequiel Lavezzi (atacante)
Decepção: Jesús Dátolo (meia)
Artilheiro: Marek Hamsik, 9 gols
Copa nacional: Eliminado pela Juventus nas quartas de final
Competição continental: Copa Uefa (eliminado na primeira fase pelo Benfica-POR)
Nota da temporada: 5

O Napoli começou forte a temporada, chegou a ser cotado até como candidato a uma vaga na Liga dos Campeões nas primeiras rodadas. Depois foi caindo, caindo, caindo… até terminar na metade inferior da tabela. O início antecipado da preparação, por causa da disputa da Copa Intertoto, pode ter feito com que a equipe alcançasse seu pico cedo demais. Destaques individuais como Lavezzi e Hamsik se apagaram junto com o time, e a consequência foi uma longa série de jogos sem vitórias. A pressão da torcida, que apóia muito, mas não deixa de cobrar, também teve seu peso. Reja, que vinha com o time desde a terceira divisão, pagou o preço e foi demitido, dando lugar a Donadoni. Uma melhor avaliação do trabalho do ex-técnico da seleção italiana só poderá ser feita a partir da próxima temporada, já que ele herdou um time em pedaços.

Atalanta

Colocação final: 11ª, com 47 pontos
Técnico: Luigi Del Neri
Maior vitória: Atalanta 3×0 Udinese (15ª rodada), Atalanta 3×0 Siena (24ª rodada)
Maior derrota: Milan 3×0 Atalanta (27ª rodada), Udinese 3×0 Atalanta (34ª rodada)
Principal jogador: Sergio Floccari (atacante)
Decepção: Costinha (volante)
Artilheiro: Sergio Floccari, 12 gols
Copa nacional: Eliminada pela Lazio na quarta fase
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Com o segundo menor orçamento da Serie A, a Atalanta encantou pela mentalidade e pela seriedade com que jogou até o final, mesmo quando não tinha objetivos a perseguir. Del Neri apostou em bons jovens, como Cigarini, Consigli, Guarente e Padoin, e contou com um Floccari jogando em alto nível durante a maior parte da temporada. A vitória por 3 a 1 sobre a Inter no fim do primeiro turno foi capaz de tirar José Mourinho do sério – e por pouco o time não repetiu a dose na última rodada, vendendo caro a derrota por 4 a 3 em Milão. O preço do sucesso já se faz sentir, com Del Neri (Sampdoria) e Floccari (Genoa) dando adeus.

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Equipe Trivela

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