Itália

Qual projeto?

Hoje, o técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli, deu uma declaração que até pode ser vista como polêmica: “Milan e Roma são as equipes que temos mais interessantes projetos técnicos da Itália”. A frase até não pareceria sem sentido se a equipe romana não estivesse prezando por uma completa falta de rumo no seu tão anunciado projeto (sic), que começou quase dois anos atrás.

Desde que a família Sensi cedeu o clube ao empresário ítalo-americano Thomas DiBenedetto, em meados de 2011, o discurso era o mesmo de agora: renovar o elenco com jogadores de qualidade e praticar um futebol bonito e vencedor. Na prática, a coisa funciona bem diferente. Poucas das contratações deram certo – Lamela, Marquinhos e Pjanic são alguns exemplos -, e o futebol jogado só tem sido eficiente do meio para frente. Em campo, o retrospecto tem sido ruim: a Roma ocupa a 9ª colocação neste campeonato e ficou em 7º em 2011-12. Foi a pior classificação romanista desde 2004-05, quando a equipe ficou na 8ª colocação.

Dois meses atrás, escrevi aqui, durante a melhor fase da Roma no campeonato, que Zeman tinha sua última chance para brilhar. Corrigir as instabilidades da equipe e saber explorar ao máximo seu potencial ofensivo. Não deu e ele acabou demitido, mesmo depois de ter sido publicamente apoiado pela diretoria. Walter Sabatini, diretor esportivo, e Franco Baldini, diretor geral, também foram apoiados publicamente em carta assinada pelos sócios-majoritários DiBenedetto e James Pallotta (presidente do clube). Terão vida longa no clube ou o mesmo destino de Zeman?

Coincidentemente ou não, a empresa de DiBenedetto é a mesma que administra o Liverpool, que sofre para voltar a entrar no grupo dos postulantes ao título na Inglaterra. As ideias são similares – investimento ampliado em boas ações de marketing, reformulação dos canais de comunicação do clube e contratação de jovens habilidosos. Falta, no entanto, levar as ideias a cabo e transformá-las em algo palpável. Em mentalidade vencedora. A mesma mentalidade que tem, por exemplo, o Boston Red Sox, equipe de beisebol que também é contratada pelo grupo dirigido por DiBenedetto.

Em Trigoria, a Roma começa a se desfalecer em desmotivação, uma vez que os dois projetos conduzidos por Luis Enrique e Zeman fracassaram – com resultados e performances similares. Contra a Sampdoria, o que se viu foi uma Roma sem alma. Uma Roma que viu Totti não esbravejar quando Osvaldo desobedeceu a hierarquia do clube e bateu um pênalti à frente do batedor oficial – e perdeu a cobrança, diga-se de passagem. Uma Roma sem a garra de De Rossi, tão desanimado que nem saltou para evitar gol de Icardi. É como se a equipe ainda estivesse sendo guiada pelo melancólico tom de voz de Zeman.

Hoje, a crise da Roma se estende até à sempre bem falada categoria de base, que não tem conseguido emplacar bons resultados – está fora da zona de classificação ao mata-mata do campeonato Primavera e está prestes a ser eliminada na Copa Viareggio. É chegada a hora de deixar os discursos românticos de lado e partir para uma postura mais objetiva. Os romanistas precisam parar de idolatrar antigas figuras que nunca deram retorno efetivo ao clube – Zeman, por exemplo – e se apegar ao que tem produzido de melhor, que é a mescla de seus talentos formados em casa. Misturar as gerações de jogadores romanos e romanistas, como Totti, De Rossi, Florenzi, que sempre colocam o coração na ponta da chuteira, de forma objetiva e não passional. Filosofia de jogo não é só sonhar, é organizar pensamentos e traduzi-los em campo. Justamente o que Zeman e Luis Enrique não conseguiram fazer por muito tempo.

Pallonetto

– Começou na segunda-feira de Carnaval a 65ª edição da Copa Viareggio, um dos mais tradicionais torneios de categorias de base do mundo. A competição sub-21 conta com 48 equipes (desta vez, nenhuma brasileira), e tem como principais concorrentes Juventus (atual campeã), Inter (atual campeã nacional da categoria), Torino, Atalanta, Fiorentina, Milan e Napoli.

– O futebol italiano já tem mais um garoto prodígio: é o argentino Icardi, da Sampdoria. O centroavante de 19 anos já tem 8 gols na Serie A e vai dando a volta por cima após ser liberado pelas canteras do Barcelona. Interessa à Inter, que pode fechar acordo de 15 milhões de euros com a Samp.

– Seleção Trivela da 24ª rodada: Romero (Sampdoria); Campagnaro (Napoli), Benatia (Udinese), Stendardo (Atalanta); Pereyra (Udinese), Pirlo (Juventus), Cambiasso (Inter), Estigarribia (Sampdoria); Sansone (Sampdoria), Matri (Juventus), Cassano (Inter). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

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