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Pilar de um ótimo Sassuolo e prestes a dar o salto, Locatelli mostrou suas melhores qualidades contra a Suíça

O jogador de 23 anos mistura passe apurado com aptidão defensiva e física para de vez em quando chegar à área com perigo

O Sassuolo disputará a Serie A na próxima temporada pela nona vez seguida. Um grande feito a um clube que nunca o havia feito antes de subir em 2012/13. Treinado por Roberto de Zerbi, que se mudou ao Shakhtar Donetsk, foi oitavo colocado nas últimas duas edições, com um futebol ofensivo e de posse de bola que tem como um dos seus principais pilares o meia Manuel Locatelli, autor de dois gols na vitória da Itália sobre a Suíça por 3 a 0 nesta quarta-feira pela Eurocopa.

O crescimento de Locatelli tem atraído interessados no mercado de transferências. Clubes como Juventus, Manchester City e Real Madrid são especulados, mas quem quer que seja deve estar começando a ficar arrependido de não ter fechado o negócio antes da Eurocopa. Pela bola que a Itália tem jogado, e depois de uma atuação de gala contra a Suíça, é capaz que seu preço fique um pouco mais salgado.

Formado na base da Atalanta, Locatelli chegou novinho ao Milan e estreou em 2016, sob o comando de Sinisa Mihajlovic. Foi bastante utilizado na temporada seguinte, mas começou a perder espaço na época de Gennaro Gattuso. Antes de 2018/19, com a chegada de Tiemoué Bakayoko para a sua posição, percebeu que não daria samba no clube rossonero e saiu para o Sassuolo, por empréstimo com opção de compra.

Não foi caro – cerca de € 13,5 milhões – e fica a sensação de que o Milan deixou escapar uma grande promessa. Era um momento em que o seu projeto esportivo estava perdido (mais do que agora) e o vai e vem no elenco era intenso. De qualquer maneira, por ter sido formado no clube, subindo como um volante que era o escudeiro de Riccardo Montolivo, foi muito comparado a Andrea Pirlo. Seu estilo de jogo, porém, é um pouco diferente.

Ele tem o passe e joga recuado. É o condutor da posse de bola do Sassuolo, a maior da Serie A. E ele é o jogador com mais passes de toda a liga, com média de 80,9 por partida, com aproveitamento de 88,3%. O segundo jogador de meio-campo com mais passes na última temporada foi Marcelo Brozovic, da Internazionale, com 66,7 a cada 90 minutos.

Há alguns zagueiros entre eles. Jogadores dessa posição em times que mantêm posse de bola dão mesmo muitos passes, mas no geral, de dificuldade menor. Naturalmente, os nomes são de atletas de Sassuolo (Gian Marco Ferrari e Marlon Santos), Internazionale (Bastoni e Skriniar) e Napoli (Kalidou Koulibaly), três equipes entre as seis que mais mantiveram a bola na última Serie A. Outro é Danilo, lateral direito, da Juventus, em segundo lugar nesse ranking.

Os passes de Locatelli geralmente acontecem um pouco mais longe da área, tanto que não costuma dar tantas assistências – apenas duas em 2020/21 – e a média de passes para finalização também não chama tanto a atenção (1.1 por jogo). Mas é ele quem distribui o jogo a partir do meio-campo, dita o ritmo da troca de passes e a recicla para manter a pressão ao adversário.

Faz isso muito bem, sem deixar de lado as funções defensivas e tem a vantagem de também conseguir exercer um jogo mais físico. Além de ser um volante que joga mais recuado para distribuir o jogo, também tem força para chegar à área adversária de vez em quando. Faz mais isso pela seleção, como aconteceu contra a Suíça. Especialmente no primeiro gol, quando misturou essas duas grandes características: o passe preciso para esclarecer o jogo com Domenico Berardi e a projeção para finalizar a jogada que havia iniciado.

Isso aconteceu no segundo gol também, embora tenha fico menos explícito. Ele participou do contra-ataque no círculo central e avançou à área. A primeira investida da Itália não funcionou. Foi necessário trabalhar um pouco mais a bola até que Locatelli a recebesse no semi-círculo para uma pancada de canhota no canto do goleiro Yann Sommer.

Ele é tudo que se pede de um meio-campista moderno e, como estreou cedo, é um daqueles jogadores que mistura uma boa experiência de primeira divisão, com mais de 150 jogos por Milan e Sassuolo, com a juventude de quem tem apenas 23 anos. Precisa pensar com calma o seu próximo passo, mas seja como sucessor de Modric e Kroos, seja como um diamante a ser lapidado por Guardiola ou seja como um pilar para o futuro da Juventus, as chances de dar certo são altas.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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