Piccolo Barça

Não é de hoje que a Udinese é o melhor time de se assistir na Serie A. Há algumas rodadas esta coluna vem chamando a atenção para a satisfação de ver o time de Francesco Guidolin em ação, inspirado por uma mentalidade ofensiva e pelo excelente desempenho da dupla de ataque formada por Alexis Sánchez e Antonio Di Natale.
A última derrota da equipe no campeonato foi em 19 de dezembro: 3 a 2 para a Lazio, na capital. Desde a virada do ano, não perdeu mais. São doze rodadas de invencibilidade, o que deixa as Zebrette na liderança da classificação simbólica de 2011. Considerando apenas o ano solar, são 30 pontos de 36 possíveis, contra 28 da Inter, 26 do Milan e 23 do Napoli, os três primeiros na tabela da temporada.
Com a goleada de 4 a 0 sobre o Cagliari, domingo passado, no estádio Sant’Elia, os comandados de Guidolin chegaram a cinco vitórias consecutivas como visitantes, marcando um total de 20 gols no processo (haviam feito 4 a 2 no Genoa, 2 a 1 na Juventus, 3 a 0 no Cesena e 7 a 0 no Palermo). Números que simbolizam um time capaz de punir qualquer espaço na defesa adversária com um jogo veloz e criativo.
A capacidade defensiva também precisa ser elogiada, já que são seis rodadas sem levar gol, desde o empate por 1 a 1 com o Bologna, dia 2 de fevereiro. Solidez e eficiência combinados.
A equipe que somou apenas um ponto nas primeiras cinco rodadas é vaga lembrança. Um começo ligeiramente melhor poderia ter feito o time sonhar mais alto, de repente com o primeiro título conquistado por um clube de província desde o Verona de 1985. Ainda assim, os objetivos são cada vez mais ambiciosos.
Com a derrota da Lazio no dérbi, a Udinese chegou à quarta colocação, que dá direito a disputar a Liga dos Campeões na fase de play-offs. O Napoli, terceiro colocado, está na alça de mira: apenas três pontos de diferença. Evidentemente, Lazio e Roma, dois e quatro pontos atrás, respectivamente, também estão vivos na briga, mas o futebol apresentado não chega aos pés do que tem demonstrado a Udinese.
A dupla Sánchez-Di Natale responde por dois de cada três gols da equipe: 36 de um total de 54. São 12 para o chileno e 24 para o italiano. Para Sánchez, a marca é muito expressiva: simboliza sua transformação em um jogador mais objetivo e decisivo. São 12 gols em 25 jogos, média de 0,48 por partida. Nas duas primeiras temporadas pelo clube na Serie A, foram oito gols em 64 partidas (média de 0,125).
O “Niño Maravilla” hoje desperta interesse de meia Europa, e é questão de tempo para que esteja em um grande clube. Quem chegar com menos de € 30 milhões nem senta para conversar com os dirigentes da Udinese. No domingo, fez um gol espetacular contra o Cagliari, com uma corrida de 60 metros, passando facilmente por zagueiro e goleiro adversários antes de empurrar para as redes.
Veloz, habilidoso e inteligente, Sánchez poderá escolher onde jogar. Talvez já tenha mudado de time quando disputar a Copa América pela seleção chilena, em julho.
Enquanto isso, Di Natale segue em seu ritmo absurdo de encontros com as redes. A marca de 29 gols da última temporada parecia difícil de alcançar, mas ele já tem 24. São 53 gols no campeonato em menos de dois anos. No início da temporada, muitos questionaram sua decisão de recusar a Juventus para ficar em Údine, mas ao ver a situação da Vecchia Signora e a dos friulani, não há dúvidas sobre o acerto.
Di Natale já tem 33 anos e sente que, neste estágio, é melhor fazer história onde é ídolo. O camisa 10, para o torcedor, não é menos que Zico na memória do clube. Dos 199 gols marcados por clubes profissionais, 126 foram com a camisa da Udinese, sendo 108 na Serie A. Sair de lá, só para encerrar a carreira no Empoli.
A admiração mútua entre os atacantes fica evidente pelas declarações concedidas nos últimos dias. Di Natale se refere a Sánchez como alguém que “será logo o número um, fundamental a qualquer equipe”. O chileno retribui, considerando o parceiro “um verdadeiro líder”.
Os dois próximos jogos, contra Catania e Lecce, podem sustentar a arrancada da Udinese para a Champions. Em seguida, dois confrontos fundamentais: Roma, em casa, e Napoli, fora. Então ficará claro se o time que mais encanta na Itália poderá repetir a dose nos maiores palcos da Europa.



