Itália

Perfume de segunda

Passaram-se seis meses desde o dia 8 de agosto de 2009, mas a impressão é de que aquela data está bem mais distante. Pelo menos para o torcedor da Lazio, que naquela ocasião comemorava uma vitória por 2 a 1 sobre a Internazionale de José Mourinho, em Pequim, e via o técnico Davide Ballardini começar seu trabalho no clube biancoceleste com o título da Supercopa Italiana.

No espaço de um semestre, aquele time que olhava para a temporada 2009/10 com otimismo agora ocupa a 18ª posição na Serie A. A Lazio estaria rebaixada se o campeonato terminasse hoje, depois de 22 temporadas consecutivas na elite – subu em 1988. E não estamos falando de um clube que apenas lutou para se manter ao longo deste período. Muito pelo contrário. Bancado pelo dinheiro da Círio de Sergio Cragnotti, foi uma potência nacional e internacional, conquistando o scudetto em 2000 e a Recopa e Supercopa europeias em 1999.

Mesmo depois do escândalo financeiro que levou ao colapso da Círio, em 2002, e da chegada do atual proprietário Claudio Lotito, em 2004, com poder de investimento bem mais modesto, a Lazio ainda teve campanhas para se orgulhar, como o terceiro lugar em 2007, que permitiu ao time retornar à Liga dos Campeões.

Em quatro temporadas sob o comando de Delio Rossi, de 2005 a 2009, a Lazio podia não ser um time temido como em outros tempos, mas era bem organizado dentro de campo. Lotito preferiu não renovar o contrato do experiente Rossi e apostar em um nome promissor como Davide Ballardini, que vinha de um trabalho decente no Palermo. Ballardini começou dando esperanças à torcida, mas os resultados fizeram com que a paciência se esgotasse.

A derrota por 1 a 0 para o Catania, rival direto, em pleno estádio Olímpico, no último domingo, fez com que a direção mudasse de ideia sobre o treinador, que tem contrato até junho de 2011. Pagar a rescisão ou gastar com dois salários ao mesmo tempo – o de Ballardini e o de seu sucessor – era plano de último caso para Lotito.

O nome favorito para a sucessão é o de Edy Reja, ex-Napoli e atualmente no Hajduk Split, mas depende da liberação do clube croata, que pode se concretizar ainda nesta terça. Se algo der errado, a Lazio pode se voltar ainda para Giancarlo Camolese, que não conseguiu salvar o Torino na temporada passada, ou Daniele Arrigoni, de passagens recentes por Cagliari, Livorno e Bologna.

A causa da desastrosa campanha da Lazio, no entanto, está longe de se resumir ao treinador. Começou pela decisão do clube de afastar Goran Pandev e Cristian Ledesma do grupo no início da temporada por causa de desacordos contratuais. O time não apenas se via privado de dois jogadores importantes, como ainda não tinha substitutos à altura.

A Supercopa contra uma Inter claramente menos motivada iludiu, assim como as vitórias sobre Atalanta e Chievo nas duas primeiras rodadas do campeonato. Desde então, em outras 21 rodadas, os biancocelesti só venceram mais duas vezes, contra Genoa e Livorno, sempre em casa.

No desespero, o clube tentou qualificar seu elenco durante a janela de transferências de janeiro, mas se limitou a contratações desesperadas e sem critério. O atacante Sergio Floccari, ex-Genoa, até começou bem, com três gols em duas rodadas, mas depois se lesionou. As outras transferências – Giuseppe Biava, do Genoa, André Dias, do São Paulo, e Thomas Hitzlsperger, do Stuttgart –foram feitas em cima do fechamento do mercado.

Os três recém-chegados mal chegaram e já foram escalados contra o Catania, em uma medida pouco sábia. Como diria o filósofo, o resultado só poderia ser o que aconteceu exatamente. André Dias, um jogador de 30 anos sem experiência prévia na Europa, foi facilmente antecipado por Maxi López no lance do gol decisivo. Hitzlsperger, por sua vez, parecia mais perdido no meio-campo da Lazio do que Huntelaar no ataque do Milan. Biava não comprometeu, mas foi escalado como lateral-direito, fora de sua melhor posição, que é na zaga.

Até mesmo os melhores jogadores do time, como Kolarov, não conseguem manter um rendimento satisfatório. O sérvio, possivelmente frustrado por não ter sido negociado com a Inter, foi quem perdeu a bola para Ricchiuti na jogada que decidiu a partida. E Zárate perdeu oportunidades que não costumava perder nas melhores fases.

Em outra medida típica de quem jogou tudo para o alto, Ballardini terminou o jogo contra o Catania com quatro atacantes em campo. Zárate, Floccari, Cruz e Rocchi. Com os donos da casa sem alguém para fazer a bola chegar à frente, não foi nenhuma surpresa a facilidade que teve o Catania para segurar o resultado.

O principal reforço para a Lazio pode ser o retorno de Ledesma, que, apesar de decepcionado com a recusa do time em cedê-lo à Inter – ao contrário de Pandev, o argentino fracassou em sua tentativa de se desvincular através da justiça –, parece disposto a ajudar na luta contra o descenso.

No papel, não é time para cair. Mas se a iminente mudança de técnico não trouxer resultados imediatos, a Lazio pode começar a fazer contas.

Grupo difícil. Mas quem será o técnico?

Sérvia e Eslovênia, que estarão na Copa do Mundo de 2010, e a sempre perigosa Irlanda do Norte são as principais ameaças à seleção italiana nas Eliminatórias da Eurocopa de 2012, que começam no próximo mês de setembro. Completam o grupo C as coadjuvantes Estônia e Ilhas Faroe.

Não será um grupo tranqüilo, como já não havia sido o das Eliminatórias para 2008, quando França e Ucrânia, ambas adversárias da Azzurra na caminhada para o título mundial de 2006, estavam no mesmo grupo, e a Escócia ainda deu trabalho. Só que, desta vez, não se classificam os dois primeiros, mas apenas o primeiro colocado do grupo. O segundo só entra diretamente se não for o melhor dos nove grupos. Do contrário, vai para a repescagem.

Agora que já são conhecidos os adversários, o mais importante é saber quem dirigirá a Itália rumo à competição que se disputará na Polônia e na Ucrânia. Marcello Lippi quer permanecer, mas se nega a definir seu futuro antes do Mundial sul-africano – algo que Giancarlo Abete, presidente da federação, contesta. Ele quer saber antes da Copa do Mundo quem será o técnico no próximo ciclo, o que torna a permanência de Lippi improvável.

O nome mais forte é o de Cesare Prandelli, de ótimo trabalho na Fiorentina, mas o bom desempenho do experiente Claudio Ranieri na Roma faz com que algumas fichas caiam sobre o técnico da capital.

Independentemente de quem seja o escolhido, fica a certeza de que o início terá percalços. A Sérvia superou a França em seu grupo do qualificatório para o Mundial, enquanto a Eslovênia deixou de fora a forte Rússia de Guus Hiddink. Motivo para deixar as barbas de molho.

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Equipe Trivela

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