Itália

Pela bola do Profeta

Cinco jogos, três esquemas diferentes, 20 jogadores utilizados. Uma Lazio camaleônica tem sido a surpresa das primeiras rodadas da Serie A, com resultados para lá de satisfatórios. Afinal de contas, o time de Edy Reja soma 10 pontos e ocupa a ponta da tabela ao lado da campeoníssima Internazionale.

Reja, que já havia feito um trabalho digno de deixar seu nome na história do Napoli, conseguiu superar a turbulência gerada com a má atuação e a derrota por 2 a 0 para a Sampdoria na estreia. Primeiro, abriu mão da formação com três zagueiros. Depois, convenceu seus jogadores de que todos teriam espaço e, portanto, ninguém deve se sentir intocável – nem mesmo Zárate, maior salário do elenco, que tem a concorrência de Floccari, Rocchi e Kozak na frente.

A exceção é Hernanes. A contratação do brasileiro foi o golpe capaz de elevar o patamar dos biancocelesti para a temporada. Com elegância, visão de jogo e toque refinado, o ex-jogador do São Paulo não demorou para se transformar no dono do time.

Reja dá a Hernanes a liberdade para atuar perto da área adversária, seja no esquema 4-3-1-2, como vértice alto do losango de meio-campo, seja no mais cauteloso 4-4-1-1, no suporte ao único atacante. A segunda opção tem sido adotada nos jogos mais complicados (2 a 1 na Fiorentina e 1 a 1 com o Milan), e a primeira diante de adversários menos perigosos (3 a 1 no Bologna e 1 a 0 no Chievo).

Se no Brasil Hernanes recebeu o apelido de Profeta pelas declarações curiosas que dava nas entrevistas coletivas, na Itália a alcunha tem sido justificada por sua capacidade técnica e por já fazer os torcedores sonharem com uma campanha bem melhor que a última (12º lugar na Serie A).

O sucesso tão rápido do meia tem feito a mídia italiana questionar as razões para times como Milan e Inter terem “permitido” que a Lazio, com bem menos recursos, ficasse com ele. Afinal de contas, não é difícil imaginar um lugar para Hernanes tanto nos rossoneri, quanto nos nerazzurri.

Depois de ajudar o São Paulo a ser tricampeão brasileiro e ser eleito o melhor jogador do campeonato em 2008, Hernanes passou por uma queda de rendimento no ano seguinte. Ficou, naquele momento, a impressão de que seu ciclo no Tricolor poderia ter terminado, e o preço não seria proibitivo. Uma oferta de € 12 milhões talvez fosse suficiente para convencer o clube paulista, que anteriormente já havia recusado abordagens de clubes como o Barcelona.

O Milan havia acabado de colocar Leonardo como técnico, e a contratação teria sido muito bem vinda. No entanto, era um verão de cintos apertados em Milanello, com mercado modesto e a venda de Kaká para equilibrar o balanço financeiro. Os rossoneri acreditavam que Hernanes poderia se tornar mais barato com o passar do tempo e a proximidade do final de seu contrato, mas a Lazio foi mais rápida.

Com a Inter, houve conversas de fato em 2009. Um representante de Hernanes na Itália chegou a apertar a mão de Marco Branca, dirigente nerazzurro, dando com clareza a disponibilidade do jogador em se transferir. No entanto, os contatos cessaram depois de o meia ser informado de que o plano da Inter era passá-lo pelo Chievo antes de chegar de fato a Appiano Gentile. Na última janela de transferências, com a redução a apenas um novo extracomunitário por equipe, o clube cumpriu a promessa de inscrever Philippe Coutinho (considerado necessário especialmente após a venda de Balotelli) e fechou novamente as portas para Hernanes.

Ruim para Milão, bom para a Lazio, que hoje conta com um dos maiores talentos da Serie A. Vale lembrar ainda que o sucesso de André Dias, hoje inquestionável na zaga ao lado de Biava, foi importante para que o clube comandado por Claudio Lotito tivesse segurança na contratação.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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