Itália

Para consumo interno

A confirmação matemática de que o atual campeonato da Serie A será o último a distribuir quatro vagas para a Liga dos Campeões não é nenhuma surpresa. Aliás, chega com uma temporada de atraso, já que somente o título da Internazionale em maio do ano passado adiou o inevitável. Os resultados e o nível do futebol apresentado pelos representantes italianos tornam o castigo merecido. Ainda vamos conferir se a Alemanha tem quatro times capazes de fazer um papel decente na Champions, mas já é fato que a Itália não tem.

O futebol italiano se tornou um bem de consumo interno. Na Liga Europa, estranhamente desprezada pelos clubes do país, apenas o Napoli superou a fase de grupos, e já se despediu na primeira rodada dos mata-matas ao perder para o Villarreal. O desdém italiano pela competição foi o principal ponto de desequilíbrio a favor dos alemães no coeficiente da Uefa. E na Champions, só milagres fora de casa salvam Milan, Inter e Roma nos jogos de volta das oitavas.

Então, restará olhar para o campeonato e para a briga pelo scudetto, que parece pender mais para o Milan após a fácil vitória por 3 a 0 sobre o Napoli em San Siro. Um jogo decepcionante para quem esperava o melhor confronto em muito tempo, desde os anos em que um lado ostentava o trio de holandeses formado por Gullit, Van Basten e Rijkaard, e o outro contava com um mítico Maradona coadjuvado por Careca.

Decepcionante porque foi, além de pobre tecnicamente, jogo de um time só. O Napoli tinha praticamente seu time ideal em campo, com exceção do suspenso Lavezzi, e mesmo assim não conseguiu impor resistência. O artilheiro Cavani não recebeu bolas jogáveis, e Abbiati foi mero espectador da partida. Hamsik foi acompanhado por Mascara, recém-chegado e ainda sem entrosamento com o time, e não conseguiu brilhar sozinho. Pelo contrário, omitiu-se do jogo e foi presa fácil.

Não que o Milan tenha feito grande coisa até abrir o placar em um pênalti para lá de discutível – bola na mão de Aronica, visivelmente involuntária, no início do segundo tempo. Com um meio-campo paupérrimo em ideias (o que esperar de Gattuso, Van Bommel e Flamini), os rossoneri conseguiam correr poucos riscos, inclusive protegendo seus preocupantes laterais Abate e Jankulovski. Por outro lado, deixavam um abismo para os homens da frente: Robinho, Pato e Ibrahimovic. Robinho tentou jogar mais aberto, para atacar no mano a mano o trio de zagueiros do Napoli, mas não teve sucesso.

O presente da arbitragem facilitou a tarefa do Milan, permitindo a abertura de mais espaços e a exploração dos contra-ataques. Brilhou, então, o talento individual de Pato, que já havia participado do lance da penalidade. Ele fez a jogada do gol de Boateng, que tinha entrado no lugar de Robinho, e selou o resultado com um lindo lance individual de velocidade, habilidade e precisão.

Pato, que havia estreado pelo Milan justamente contra o Napoli, em janeiro de 2008, precisava responder dentro de campo aos questionamentos que surgiram nos últimos tempos, com certa justiça. As lesões, a dificuldade de convivência com Ibrahimovic dentro e fora de campo, os excessivos rumores sobre sua vida pessoal (falou-se até em um suposto relacionamento íntimo com Barbara Berlusconi). Caso se concentre apenas em jogar futebol e se colocar a serviço da equipe, será sempre decisivo para o Milan – estamos falando de um jogador com média de um gol a cada 96 minutos nesta temporada.

De qualquer maneira, é um Milan bom apenas para o limite de suas fronteiras, como é o campeonato. Medíocre. A briga pela liderança promete se acirrar até o dérbi do início de abril, porque as três rodadas que vêm antes parecem mais traiçoeiras para o time de Allegri.

No próximo fim de semana, enquanto a Inter recebe o Genoa, o Milan viaja para enfrentar a Juventus, desesperada por melhores resultados e com o técnico Luigi Del Neri jogando seu cargo. Na rodada seguinte, respiro para o Milan: o fraco Bari, em casa. A Inter também não tem um desafio dos maiores, pois visita o Brescia. No último jogo antes do clássico, os rossoneri vão a Palermo, enquanto os nerazzurri recebem o Lecce.

É possível imaginar, pelo menos, que a Inter tire dois dos cinco pontos que separam as duas equipes e deixe a liderança em jogo pelo confronto direto. O Napoli parece matematicamente vivo, a seis pontos do líder, mas voltou a falhar em um jogo contra os rivais diretos, depois de perder para a Inter em janeiro. Com um time titular forte, mas poucas opções no banco, o jeito é se agarrar ao terceiro lugar e à vaga na Champions – pelo menos este ano ainda vale um lugar direto nos grupos.

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Equipe Trivela

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