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Organização leva pré-temporada da Juventus dos EUA para Ásia por investigação de estupro contra Ronaldo

Os organizadores da International Champions Cup, um dos mais badalados torneios amistosos disputados por grandes clubes europeus, decidiram manter a Juventus, onde joga Cristiano Ronaldo, no braço asiático da competição amistosa para evitar que o português esteja nos Estados Unidos, onde ele é investigado por estupro. Com isso, evitam o risco da superestrela portuguesa ser presa, segundo informa o New York Times.

VEJA TAMBÉM: Por que ainda não aconteceu nada com Ronaldo, cinco meses depois de acusação de estupro?

O torneio divide os times entre os Estados Unidos e países da Ásia, que não são fixos. Eventualmente, o torneio tem jogos até mesmo na própria Europa, na reta final de pré-temporada dos clubes. Em 2018, Liverpool e Napoli, por exemplo, jogaram na Irlanda em suas últimas semanas de preparação para a temporada. Na edição 2019, a Juventus ficará no braço asiático, onde deve fazer jogos provavelmente em Cingapura e China, e terá a companhia de Tottenham e Manchester United.

A International Champions Cup de 2018 teve 18 clubes participantes e 23 sedes, sendo 15 delas nos Estados Unidos, sete na Europa e uma na Ásia, em Cingapura. Em 2018, a Juventus fez quatro jogos de pré-temporada nos Estados Unidos e em 2017, jogou três partidas. Em 2016, o clube fez pré-temporada na Austrália e em Hong Kong.

Cristiano Ronaldo, de 34 anos, foi contratado pela Juventus em julho de 2018 por € 117 milhões, saindo do Real Madrid depois de nove anos defendendo o clube espanhol. Em outubro de 2018, a revista alemã Der Spiegel publicou uma reportagem falando sobre a acusação de estupro feita por Kathryn Mayorga em um incidente acontecido em Las Vegas, em 2009. O jogador, em seguida, teria entrado em um acordo de US$ 375 mil pelo silêncio de Mayorga. A revista levantou informações a partir de dados obtidos pelo Football Leaks e confirmou a existência dos documentos. Contamos o que sabemos sobre a acusação de estupro contra Cristiano Ronaldo neste texto do dia 2 de outubro de 2018.

Tanto Cristiano Ronaldo quanto seus advogados negaram as acusações desde que elas emergiram, em setembro. O jogador chegou a publicar nas suas redes sociais que isso era “fake news”. Os advogados do jogador ameaçaram processar a revista Der Spiegel pela publicação da reportagem, mas isso nunca aconteceu.

A Juventus sempre apoiou a sua grande estrela, publicando no Twitter um comunicado dizendo, no dia 4 de outubro, que “Cristiano Ronaldo mostrou grande profissionalismo e dedicação nos meses recentes, que é apreciado por todos na Juventus”. E o clube tratou de defender mais ainda o seu jogador: “Os eventos supostamente datados de quase 10 anos atrás não mudam essa opinião, que é compartilhada por qualquer um que esteve em contato com esse grande campeão”.

A International Champions Cup, organizada pela Relevant Sports, empresa que fica em Nova York, tem contrato com a Juventus para que o clube participe do torneio por vários anos. Os problemas de Cristiano Ronaldo com a justiça ajudaram a fazer com que os organizadores evitassem o conflito, segundo pessoas ouvidas pelo New York Times. A agenda dos jogos do torneio será divulgada na próxima semana. Segundo um porta-voz da Juventus, ir para a Ásia é normal depois de fazer vários anos de pré-temporada nos Estados Unidos.

Se a Juventus fosse para os Estados Unidos sem Cristiano Ronaldo, causaria uma situação ao menos constrangedora. Muito provavelmente, enfrentaria protestos pelo sumiço do jogador. O Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas anunciou em outubro que havia reaberto a investigação sobre a acusação de estupro, depois de informações fornecidas pela vítima. Na época do estupro, Mayorga fez um exame de corpo de delito sobre o incidente, em 2009, que gerou provas para as autoridades.

Ronaldo estava em Las Vegas em 2009 ainda como jogador do Manchester United pouco antes da sua transferência milionária para o Real Madrid. No dia 13 de junho de 2009, Ronaldo convidou ela e outras pessoas à sua suíte, onde ela alega que ele abusou sexualmente dela. Muitos documentos que a defesa de Mayorga alegam que provam o alegado por ela foram divulgados pela Der Spiegel. Os advogados de Ronaldo questionaram a autenticidade de alguns documentos, além e alegarem que foram obtidos ilegalmente. Os representantes do jogador não negam que houve um encontro, mas sustentam que foi consensual.

De acordo com o processo, Mayorga foi atendida em um hospital em Las Vegas e fez o exame de corpo de delito, por lá chamado de “rape kit”. Segundo a Polícia de Las Vegas, Mayorga prestou queixa, mas não nomeou quem a atacou na época. O caso foi reaberto em setembro de 2018. A Polícia de Las Vegas pediu exame de DNA de Cristiano Ronaldo relacionado ao caso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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