O Torino x Juve que, há 25 anos, marcou a última era dourada do Dérbi de Turim

Não é preciso forçar muito a memória para se lembrar do último Juventus x Torino pela Copa da Itália. Aconteceu em 2015/16, pelas oitavas de final do torneio, e a Velha Senhora não teve muitas dificuldades ao golear os seus rivais por 4 a 0. O histórico do clássico, que se repete nas quartas de final de 2017/18, é riquíssimo na competição. São 15 duelos no passado, com sete vitórias dos bianconeri e quatro dos grenás. Cinco encontros aconteceram por semifinais, com quatro classificações do Toro. E uma dessas acabou marcando a ‘Era de Ouro’ da Serie A.
A primeira metade da década de 1990 foi o último momento em que Juventus e Torino estavam em um nível competitivo próximo. Em 1991/92, os dois rivais de Turim ocuparam o pódio da Serie A, embora o Scudetto tenha ficado com o poderoso Milan. Além disso, o Toro chegou à final da Copa da Uefa, torneio que a Juve conquistaria na temporada seguinte. E foi justamente nos mata-matas que os grandes clássicos aconteceram. Apenas um sobreviveria nas semifinais da Copa da Itália de 1992/93. O copeirismo de ambos estava sob prova.
A seu favor, a Juventus tinha o melhor jogador do mundo no momento: o fabuloso Roberto Baggio, comandando o ataque. E o elenco de Giovanni Trapattoni era bastante talentoso. Entre os outros destaques individuais, despontavam nomes como David Platt, Fabrizio Ravanelli, Gianluca Vialli, Dino Baggio e Antonio Conte. Além disso, era um sistema defensivo muito forte, encabeçado por Angelo Peruzzi, Jürgen Kohler e Júlio César. O Torino de Emiliano Mondonico, de qualquer forma, não deixava a desejar. A dupla de ataque formada por Carlos Aguilera e Casagrande era boa o suficiente para fazer qualquer adversário suar frio. Mais atrás, na armação, o maestro era o belga Enzo Scifo. E a meta ainda tinha um paredão chamado Luca Marchegiani.
No primeiro jogo, sob mando do Torino, os dois times criaram boas ocasiões para vencer. E o empate por 1 a 1 prevaleceu no Estádio Olímpico. Roberto Baggio abriu o placar para a Juve no início do segundo tempo, cobrando pênalti. Já na reta final da partida, Paolo Poggi acertou um belo chute para deixar tudo igual. Marchegiani ainda terminou como herói, salvando o que seria o segundo gol dos bianconeri. O cenário permanecia aberto para o reencontro, marcado três semanas depois.
Com a torcida a seu favor no Delle Alpi, a Juventus abriu a contagem com apenas quatro minutos. Dino Baggio desviou cobrança de escanteio e a bola bateu no travessão, antes de tocar as costas de Marchegiani e entrar. O Torino partiu para cima, até arrancar a igualdade no início do segundo tempo, em belíssimo tiro cruzado de Poggi. A Juve voltaria em vantagem após jogadaça de Baggio, que deixou Ravanelli na cara do gol. Uma alegria que durou 50 segundos. Dentro da área, Casagrande ajeitou e Aguilera soltou a bomba para decretar o empate por 2 a 2. Graças aos gols fora, o Toro passou à final.
A temporada, de qualquer maneira, terminaria feliz para ambos. Em maio, a Juventus demoliu o Borussia Dortmund para conquistar a Copa da Uefa, com grandes atuações de Roberto Baggio e Dino Baggio nas finais. Já o Torino esperou até junho para viver a sua glória. Abriu 3 a 0 no primeiro jogo da final da Copa da Itália contra a Roma e, apesar da derrota por 5 a 2 na visita ao Estádio Olímpico, ergueu a taça. Foi o quinto título dos grenás na competição e o seu último em primeiro nível. Uma boa memória que volta à tona nesta quarta, com novo clássico decisivo.



