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O que esperar da Itália de Prandelli na Copa do Mundo de 2014

Sim, o título pode soar pretensioso. O fato é que a Itália está com um pé e meio na Copa de 2014: a seleção tem 14 pontos em 6 jogos no grupo B das Eliminatórias europeias e, com quatro pontos à frente da Bulgária e com quatro partidas pela frente, com o futebol que vem jogando, a vaga direta para o Mundial do Brasil é quase certa. Então, após a participação italiana na Copa das Confederações, nada mais justo do que avaliar a primeira passagem da seleção pelo Brasil e projetar a próxima visita – esta, muito mais séria.

Para começar, o grupo de jogadores que deve vir à Copa está quase fechado. Cesare Prandelli tem poucas dúvidas e apenas vagas em posições específicas estão em aberto. Abate não é presença certa na lateral direita e De Sciglio ainda é um jovem em formação, que pode sofrer com a irregularidade (embora isto pareça improvável). Os laterais Antonelli, Peluso e Santon correm por fora. Na defesa, Astori tem a concorrência de Ranocchia por uma vaga no banco azzurro. Ogbonna corre por fora.

Há, também, pelo menos uma vaga no meio-campo e duas no ataque em aberto. Aquilani e Candreva são jogadores bem vistos por Prandelli, mas começaram a figurar mais nas convocações italianas por causa dos bons campeonatos realizados por Fiorentina e Lazio, suas equipes. Porém, apenas Candreva ganhou pontos com o técnico, após ótimas exibições – o jogador viola teve competição pagada. No ataque, a indisciplina de Osvaldo deve acabar por descartá-lo, enquanto Gilardino e Giovinco não tem vaga garantida. A favor do centroavante, contam a experiência, e sobretudo a estima de Prandelli, que o lançou para o futebol. Giovinco, porém, precisa apresentar mais futebol na Juventus.

A expectativa, na verdade, é que a Itália tenda a ganhar força até 2014, uma vez que os jovens da equipe sub-21 pedem passagem: Florenzi, Verratti, Insigne, Destro e Gabbiadini tem chances reais de brigarem por uma vaga no Mundial – especialmente os três primeiros. Mais experiente, Pazzini também está em boa fase e corre por fora, já que a relação com Prandelli não é das melhores.

Com o grupo quase definido, Prandelli tem sido extremamente competente na disposição dos jogadores em campo. Muda a equipe taticamente quando necessário e não é refém de tática alguma. Só na Copa das Confederações, escalou a equipe nos seguintes esquemas: 4-3-2-1, 3-5-2, 4-3-3 e 4-3-1-2. Em todos, a Itália mostrou um futebol propositivo, com base na posse de bola. É a forma de jogar da equipe desde 2010 e os resultados tem sido importantes.

A Itália não venceu nenhum título, mas foi vice-campeã europeia e terceira colocada na Copa das Confederações. Hoje, a seleção está no grupo das mais fortes do mundo: luta nas cabeças, e evoluiu não só na busca por resultados, mas sobretudo, no futebol jogado. A comparação da Squadra Azzurra atual com o esboço de seleção que Marcello Lippi inventou para 2010, fracassando retumbantemente, é cruel para o técnico do tetracampeonato mundial italiano.

Porém, como nem tudo são flores, ficou claro que a Itália terá problemas físicos no Brasil, como teve já na Copa das Confederações. Os italianos reclamaram muito do calor e da umidade das cidades por onde passaram e em quase todos os jogos, demonstraram um cansaço muito grande, sobretudo após o intervalo dos jogos. Embora a Itália tenha jogado apenas em cidades de clima mais quente (Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Fortaleza), esse é um problema que precisa ser resolvido, afinal não dá para esperar que a sorte faça a Nazionale atuar apenas em cidades em que o clima de inverno é mais ameno, como no sul do país.

Há anos chovem críticas à preparação física realizada pelos clubes italianos – jogadores brasileiros costumam dizer que o atraso é nítido e que diversos clubes no Brasil fazem trabalho melhor. Nesse contexto, é claro que a seleção da Itália acaba seguindo o modo de fazer local e não oferece uma preparação muito diferente da que existe nos clubes do país. Isso pesa sobretudo para jogadores mais experientes, como Maggio, Barzagli, De Rossi e Pirlo, titulares.

Até a Copa de 2014, a comissão técnica da Nazionale certamente estará empenhada em melhorar as condições de trabalho da seleção, afinal, não se pode perder a chance de ganhar um título mundial por falta de cuidados com a preparação física dos atletas. Atletas como Buffon, De Rossi e Pirlo, que sonham em ganhar a segunda Copa de suas vidas para alcançar um posto que pouquíssimos jogadores italianos atingiram na carreira – que Roberto Baggio, talvez o maior de todos eles, não atingiu. Apenas quatro jogadores italianos venceram dois Mundiais: Guido Masetti, Eraldo Monzeglio, Giovanni Ferrari e Giuseppe Meazza. Para Balotelli, a questão é tanto pessoal quanto racial: é a chance de entrar de vez no rol dos grandes atacantes do mundo e a chance de ser o primeiro jogador negro a ser campeão mundial com a seleção italiana.

Para Prandelli, será estritamente pessoal. Depois de ver sua esposa, Manuela, falecer de câncer justo quando ele assumiria a Roma, no que poderia ser a grande chance de sua vida, tudo mudou. Ele parou um tempo, fez excelente trabalho na Fiorentina e assumiu a seleção, recuperando o que havia sido destruído por Donadoni e Lippi. A Copa será o grande desafio de sua carreira; a chance de levar seu trabalho a um patamar ainda mais alto do que o já alcançado. A chance de fazer a Itália ser penta na casa do único pentacampeão mundial e de homenagear o amor da sua vida. A Itália não vem a passeio.

Pallonetto

– Devido às manifestações que tomam o país, a coluna não foi ao ar na duas últimas semanas. O blogueiro esteve ocupado com a cobertura dos protestos e não conseguiu tempo para falar sobre o futebol italiano.

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