Itália

O pulo da Loba

Claudio Ranieri pode ser perdoado se sentir uma certa ansiedade pelo confronto do próximo sábado entre Juventus e Roma, no Olímpico de Turim. Será seu primeiro encontro com o clube que o demitiu ainda antes do fim da última temporada, já que assumiu os giallorossi justamente após uma derrota em casa para a Juve na segunda rodada do atual campeonato, quando Luciano Spalletti deixou o clube da capital.

Por uma dessas ironias do futebol, uma vitória da Roma no Piemonte poderia significar a queda de Ciro Ferrara na Juventus. O mesmo que substituiu Ranieri nas duas últimas rodadas do campeonato de 2008/09 e acabou efetivado pela direção. Por mais que a cúpula juventina, na figura do homem-forte Roberto Bettega, saia em defesa de Ferrara, a inédita derrota para o Chievo deixou o técnico à beira do precipício.

Quando a Vecchia Signora derrubou Spalletti ao vencer por 3 a 1 no Olímpico de Roma, conquistava ali sua segunda vitória em dois jogos. Para o time da capital, era a segunda derrota, para muitos o prenúncio de uma temporada difícil. A contratação de Ranieri, nascido justamente em Roma, foi vista com desconfiança por muita gente, mas não há mais como negar o fato de que ele revitalizou a equipe.

A vitória por 3 a 0 sobre o Genoa, que levou o time ao terceiro lugar na classificação, foi uma das melhores atuações da Roma no campeonato, e ainda mostrou o acerto na contratação de Luca Toni, que é um jogador caro (€ 3 milhões de salário até o fim da temporada), mas compensa o investimento através de gols, sobretudo por seu desejo de disputar a Copa do Mundo. Foram dois no último domingo, depois de uma boa estreia como titular contra o Chievo, quando não foi às redes.

Em outros bons momentos da equipe na temporada, normalmente as manchetes davam conta de uma grande atuação de Francesco Totti. Desta vez, o capitão, ainda se recuperando de problema físico, nem jogou. O mérito foi do acerto tático da equipe, que dentro da partida se alternou muito bem entre o 4-4-2, com Vucinic ao lado de Toni, e o 4-2-3-1, revisitado dos tempos de Spalletti, mas com uma novidade importante.

Perrotta atuou mais recuado, formando dupla de volantes com Pizarro, enquanto Brighi, adiantado, teve liberdade para flutuar entre as linhas do Genoa. Taddei – um dos mais revigorados da era Ranieri – ocupava a faixa direita, enquanto Vucinic caía pela esquerda. No 4-4-2, o time se dispunha em losango, com Pizarro no vértice baixo e Brighi no alto.

O rendimento da equipe foi tão bom que deve dar a Ranieri uma pequena dor de cabeça sobre como acomodar Totti em seu retorno. A solução mais simples – e provável – é a saída de Vucinic, para que enfim seja vista em campo a dupla Toni-Totti. Pensar em um tridente, com o montenegrino ao lado da dupla de campeões mundiais, poderia desequilibrar demais o time.

A desvantagem de onze pontos para a Internazionale não permite à Roma sonhar com o título, ao menos por ora, mas manter-se na zona de classificação direta para a Liga dos Campeões já é um objetivo importante para quem via sua temporada como um ponto de interrogação. Vencer o jogo contra a Juventus, que nessa altura do campeonato é uma rival direta, daria sinais importantes nesse sentido.

Milandinho

Ronaldinho tem marcado gols em progressão aritmética nos últimos três jogos. Um contra o Genoa, dois contra a Juventus, três contra o Siena. E em seguida vem a Inter, que goleou o Milan por 4 a 0 no jogo do primeiro turno. Será a vingança?

Brincadeiras à parte, é inegável que o camisa 80 rossonero vive seu melhor momento desde que chegou à Itália. Dribla, se movimenta, finaliza. Enfim, o pacote completo. Seu duelo com os nerazzurri – em especial com Maicon – no próximo domingo será de prender as atenções.

Mas não é só por ter redescoberto Ronaldinho e, com isso, encontrado seu potencial ofensivo, que o Milan hoje é candidato ao título. Desfruta dessa condição também porque já tem uma das melhores defesas do campeonato – 19 gols sofridos, a exemplo de Inter, Bari e Fiorentina – graças à principal dupla de zagueiros da competição, formada por Nesta e Thiago Silva.

A Inter, ainda sem Eto’o, sofreu muito para buscar o empate por 2 a 2 diante do Bari, mas o resultado pode se considerar normal, pelas dificuldades que o time do extremo sul vem impondo a adversários mais fortes nesta temporada.

De qualquer forma, os nerazzurri têm arrancado os pontos á força, enquanto os rivais dão espetáculo. Teremos um interessante confronto de estilos.

Não há dúvidas de que José Mourinho tratará o confronto com o Milan como uma final. Um revés da Inter pode não significar a igualdade em pontos, já que os rossoneri ainda teriam de buscar a vitória no jogo a menos que têm contra a Fiorentina, no Artemio Franchi. Mas a vantagem psicológica, fundamental na arrancada para o título, iria toda para Milanello.

O dérbi, aliás, começou fora de campo com uma polêmica entre as diretorias. Tudo por causa da mudança de data do jogo entre Milan e Udinese, pelas quartas de final da Copa da Itália. Inicialmente marcado para esta quarta, dia 20, o confronto foi transferido para o dia 27, a pedido do Milan, que queria a semana livre antes do clássico com a Inter.

Só que a Inter jogará no dia 28 contra a Juventus, também em San Siro, e os nerazzurri argumentam que o gramado – que já é ruim e fica ainda pior no inverno – não resiste a dois jogos em dias consecutivos. Na diretoria interista houve até quem pedisse um sorteio para definir quem jogaria primeiro…

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Equipe Trivela

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