Itália

O Oscar também fez justiça ao compositor da música da Copa-78 e a um romanista fanático

A grande expectativa da festa do cinema norte-americano, no último domingo, era pelo prêmio de Melhor Ator. Na sua quinta indicação por atuação (também foi nomeado como produtor de O Lobo de Wall Street), Leonardo Di Caprio conseguiu finalmente levar a estatueta para casa. Foi a coroação de uma longa carreira cheia de ótimos papéis, independente de a participação em O Regresso ter sido a sua melhor ou não. Mas Di Caprio não foi o único a deixar a festa em Los Angeles com o reconhecimento que já merecia há tanto tempo.

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Ennio Morricone, na sua sexta indicação e aos 87 anos, finalmente foi premiado pela Academia pelo seu trabalho em Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino. Italiano, maestro e compositor, o músico é uma instituição do cinema, com suas renomadas trilhas do faroeste italiano, como Por Um Punhado de Dólares Três Homens em Conflito, em parceria com o diretor Sergio Leone. Foi o responsável por mais de 450 trilhas de filmes na sua longa carreira, incluindo Cinema Paradiso Franctic, do diretor Roman Polanski. Sua contribuição foi tão grande para a indústria que recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra em 2007, mesmo sem nenhuma outra estatueta para colocar na estante.

Morricone não trabalhou apenas com filmes na sua carreira, e na falta de um Oscar, tem 27 discos de ouro. Mais importante do que qualquer dessas premiações (para nós, pelo menos), compôs a música-tema de uma Copa do Mundo. É dele o hino O Mundial que tocou durante o torneio realizado na Argentina, em 1978. Até poderia ser  criticado por colaborar com uma Copa que foi utilizada pelo governo ditador argentino para distrair a atenção do povo das atrocidades que ocorriam nos porões do país. Ele também fez a música oficial da candidatura de Roma a ser sede da Olimpíada de 2024.

Porque Morricone é natural da capital italiana e um romanista fanático. “É um clube de caráter internacional, mas que sentimentalmente se fecha em seus distritos. É um time do povo, ao povo, mesmo com a capacidade de ser internacional e global”, afirmou. Ele é um daqueles torcedores ilustres do clube. Tanto que em 2012 fez parte de um painel de cinco especialistas que escolheram os primeiros integrantes do hall da fama da Roma, ao lado de três jornalistas esportivos e um historiador.

“Mais samba e bossa nova ou tango argentino? A Roma deixa muito espaço para a fantasia: devo dizer que samba ou uma bela bossa nova, prefiro assim. Pelo menos, acho que são mais próximas de uma equipe brilhante, como espero que a Roma possa ser. A bossa nova é dinâmica. O tango, ao invés disso, é sinuoso, sensual”, afirmou naquela época.

Evidentemente, como bom torcedor da Roma, Morricone é corneteiro. Durante a entrevista coletiva de Os Oito Odiados, o músico foi questionado sobre a fase da equipe e respondeu ironicamente: “Diga à diretoria para continuar vendendo os melhores jogadores…”. Um dia disse que gostava de futebol e era torcedor da Roma, “mesmo que não fosse muito prático”. De qualquer maneira, o clube gialorrosso comemorou o feito do músico na noite do último domingo.

O Oscar veio em mais um trabalho em parceria com Quentin Tarantino, um obcecado por faroeste, depois de fazer a trilha sonora de Bastados Inglórios e compor músicas para Django Livre Kill Bill. Não morrerá sem esse reconhecimento. Cabe a Luciano Spalletti e companhia que Morricone também consiga comemorar mais um scudetto da Roma.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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