Itália

O de sempre

A Itália foi a Montenegro no último sábado e venceu. Irlanda e Bulgária, que são no papel as duas principais adversárias do grupo, já foram a Montenegro e só empataram. Na análise fria dos números, a seleção de Marcello Lippi deu mais um passo importante para confirmar o mais cedo possível a classificação para a Copa do Mundo.

Em caso de vitória sobre a Irlanda nesta quarta, em Bari, serão cinco pontos de vantagem sobre a turma de Trapattoni, faltando quatro partidas para o final. Ninguém poderia imaginar uma reviravolta neste caso, já que haveria até uma margem de erro para perder em Dublin no dia 10 de outubro.

A Azzurra teve uma atuação brilhante em Podgorica? Longe disso. Seus principais méritos foram a entrega dos jogadores e o acerto das escolhas táticas de Marcello Lippi. O curioso é que ainda há quem se surpreenda com isso e, ao ver uma atuação como a do último sábado, comece a questionar as possibilidades da Azzurra no Mundial sul-africano. Como se alguma vez tivesse sido diferente.

Além da importante ausência de Vucinic na seleção montenegrina, apenas uma ressalva deve ser feita sobre a vitória italiana por 2 a 0. No primeiro tempo, ainda com placar mínimo, Cannavaro derrubou Jovetic quando o jogador da Fiorentina ia em direção ao gol. O árbitro não interpretou como oportunidade clara, mas deveria. Deu o cartão amarelo quando deveria ter expulsado o capitão azzurro.

Fora isso, apenas em uma oportunidade os donos da casa tiveram a oportunidade de marcar. Foi na etapa final, quando a finalização de Dalovic só não resultou em gol porque diante dele havia um certo Gianluigi Buffon, que fez uma defesa digna de melhor do mundo. Porque ser o melhor goleiro do mundo passa também por ser capaz de salvar resultados mesmo quando não se está na melhor forma, como é o caso do juventino desde a lesão sofrida na primeira parte da temporada.

A melhor sacada na formação escalada por Lippi foi o posicionamento dos jogadores no meio-campo, que permitiu a De Rossi e Pirlo atuassem juntos sem que um interferisse no raio de ação do outro.

Pirlo foi escalado como camisa 10, não apenas no número, mas na posição. O milanista atuou como “trequartista”, livre para se movimentar atrás do trio de atacantes e à frente da dupla de volantes, que tinha Palombo ao lado de De Rossi. Não era novidade para Pirlo, já que era sua função antes de ser descoberto por Carlo Ancelotti como um brilhante armador recuado.

Na derrota para o Brasil, no amistoso de fevereiro, Lippi usou o mesmo esquema, mas De Rossi e Pirlo formavam a dupla de volantes e um apagado Montolivo atuou mais adiantado. A incompatibilidade entre o romanista e o rossonero se fez evidente, assim como a imaturidade do meia da Fiorentina para uma vaga de titular.

Contra Montenegro, Pirlo teve sua melhor atuação na temporada e esteve envolvido nos lances que definiram o placar. Foi ele quem fez o cruzamento que Batak cortou de forma afoita com a mão, e também quem cobrou o pênalti com categoria, à Panenka, para abrir o placar. Também foi do meia o lançamento longo para Pepe (substituto do lesionado Di Natale) cruzar e Pazzini marcar de cabeça o segundo gol.

O gol de Pazzini, 15 minutos após sua estreia na Azzurra, é mais um motivo para Lippi comemorar. Afinal, o assunto da semana foi a ausência entre os convocados de Antonio Cassano, parceiro de Pazzini na Sampdoria e responsável por várias das jogadas de gol do centroavante blucerchiato. Mesmo sem falar diretamente no assunto, o treinador deu a entender que Pazzini é capaz de marcar mesmo sem Cassano por perto: “Ele está em um momento de ouro, toda bola que ele toca coloca para dentro”. O colunista, no entanto, ainda defende uma última chance para o Talentino di Bari…

A principal qualidade da Itália no último sábado, no entanto, foi sua organização sem a bola. Tanto Pepe quanto Quagliarella acompanharam a saída dos anfitriões da defesa, dando quantidade e cobertura ao meio-campo, e até mesmo Iaquinta foi visto cabeceando na própria área. O “saber sofrer” tão valorizado pelo futebol italiano, com Lippi, é levado às últimas consequências.

A partida contra a Irlanda deve se desenhar de outra forma, até porque Trapattoni provavelmente colocará todo o Eire atrás da linha da bola. Uma boa alternativa é forçar o jogo sobre os zagueiros irlandeses, pouco ágeis, e para isso a melhor solução pode ser revolucionar o ataque, dando a Pazzini uma merecida vaga de titular e a Giuseppe Rossi, ignorado em Montenegro, uma nova oportunidade.

Se não houver surpresas nesta quarta, a Itália já pode pensar em testes de jogadores e sistemas de jogo para a Copa do Mundo. Para este fim, a Copa das Confederações, em junho, se desenha como um laboratório ideal – nada mais do que isso.

Sub-21 com pinta de favorita

Consigli; Santacroce, Marzoratti, Criscito, Santon; Dessena, Cigarini, Marchisio; Balotelli, Giovinco; Acquafresca. A provável escalação da seleção sub-21 de Pierluigi Casiraghi para o amistoso desta terça contra a Holanda B, em Kerkrade, impressiona pelos nomes, com jogadores já afirmados em clubes importantes.

Destaque para a estreia de Santon, que despontou para o estrelato na Inter nos últimos meses. Um jogador que, pelo início impressionante, já poderia até ser considerado para a seleção principal. Lippi, no entanto, considera importante que ele supere a etapa intermediária. Assim, o jovem nerazzurro é nome praticamente certo para o Europeu sub-21, em junho, na Suécia.

A Holanda B vem de uma goleada de 4 a 0 sobre a Alemanha, outra seleção classificada para o torneio. Será um teste duro e importante para os Azzurrini, que devem chegar entre os favoritos ao título.

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Equipe Trivela

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