Itália

O copo encheu?

De seleção mais frágil entre as tradicionais favoritas ao título da Eurocopa a gigante adormecida prestes a dar mais um bote. De uma definição a outra, bastou que a Itália fizesse uma boa partida pelo torneio continental. A estreia contra a Espanha animou boa parte da Velha Bota. As críticas fortes na vigília da partida se transformaram em um turbilhão de elogios após o 1 a 1 contra os atuais campeões do mundo e da Europa. A imprensa italiana parece ter topado de bom grado essa lufada de ânimo. De um dia para o outro, e sem nem colocar tanta água, encheram o copo italiano, que parecia meio vazio.

Viu-se uma prestação muito interessante da Itália, de fato. Acima do aceitável e talvez até perto de algo que seja uma “Itália nota 7”, como afirmou Pirlo após o jogo. A Squadra Azzurra, que parecia entregue às traças depois de ser goleada pela Rússia no último amistoso antes da Euro, merece elogios. De Rossi, improvisado como terceiro zagueiro, fez uma partida irrepreensível do ponto de vista técnico – ainda que pudesse ter avançado quando a Itália tinha a posse de bola, como Prandelli cobrou. Marchisio também se destacou, Buffon continuou quase intransponível e a compactação da defesa fez com que até Bonucci conseguisse se sair bem.

De modo geral, funcionou bem o primeiro teste do 3-1-4-2 baseado na Juventus, que mais pareceu um 5-3-2. Mas não faltaram notas negativas. Pirlo, por exemplo, conseguiu em um momento de lucidez ajudar a decidir o jogo. O camisa 21 acertou um perfeito passe vertical para Di Natale e se recuperou. Pirlo esteve longe de manter o nível que mostrou na Juventus, escravo que foi de um sistema de jogo que acabou lhe deixando mais exposto que o necessário. Mas houve quem tenha sido pior, é claro.

Escalado de surpresa, Thiago Motta não conseguiu acertar a marcação e ainda demonstrou um jogo lento e previsível. Giaccherini não convenceu atuando como ala esquerdo, em sua estreia pela seleção italiana. Mas o principal problema está no ataque. A parceria entre Cassano e Balotelli terá de ser revista. Não seria um escândalo se já na próxima partida, contra a Croácia, os dois entregassem seus postos a Giovinco e Di Natale. O último, autor do gol italiano na partida, é hoje o melhor intérprete mundial do jogo no limite da linha de impedimento.

A Itália conseguiu um bom resultado porque provou que consegue se superar nos momentos mais difíceis. E também porque a Espanha decepcionou, em parte por causa de escolhas insistentes de Vicente del Bosque, que insistiu em povoar o meio-campo com Xabi Alonso e Busquets, não deu devida atenção às jogadas laterais e ainda viu sua equipe sofrer no ataque por não contar com o trabalho sujo de algum centroavante, pois Villa está lesionado, Llorente ficou no banco e Fernando Torres… Bem, a Itália só deu três chances claras à Espanha. Uma delas virou gol. As demais, como caíram nos pés de  Torres, obviamente não tiveram o mesmo destino.

Depois de fazer com que a Espanha tropeçasse, o que não é pouco, o copo quase vazio da Itália pareceu mais cheio. Mas só será possível descobrir se há conteúdo suficiente para isso ou se tudo não passa de ilusão de ótica depois dos jogos contra a Croácia e a Irlanda, adversários tão abordáveis quanto perigosos. Como evitar que o recipiente volte a esvaziar? Prandelli está no caminho certo e mostrou coragem ao alterar completamente o jogo da equipe, mudando o esquema tático e barrando Montolivo às portas da estreia na Eurocopa. Terá de continuar surpreendendo para fazer com que a zebra italiana passeie pelo leste europeu.

Pallonetto

 

– As notas do colunista para a Itália que empatou com a Espanha, pela 1ª rodada da fase de grupos: Buffon (7); Bonucci (6,5), De Rossi (8), Chiellini (7); Pirlo (6,5); Maggio (6), Marchisio (6,5), Motta (5,5), Giaccherini (4,5); Balotelli (4), Cassano (6). Substitutos: Nocerino (sem nota), Di Natale (7,5), Giovinco (6,5).

– A Sampdoria bateu o Varese nos play-offs de promoção para o Campeonato Italiano e estará de volta à Serie A na próxima temporada. Com isso, finalmente estão definidos os 20 times da próxima temporada. Pescara e Torino também subiram; Lecce, Novara e Cesena caíram.

– Falta definir quem será o próximo treinador da Sampdoria, que deve dar o bilhete azul ao fraco Giuseppe Iachini. O Siena também está à deriva. Seis times já mudaram de comando desde que a temporada acabou: em ordem, Lazio, Roma, Palermo, Pescara, Fiorentina e Catania. Os outros 12 devem manter os técnicos.

– Definitivamente, a Juventus voltou. E também a força política da Velha Senhora. A Inter havia fechado negócio com o Pescara para contratar o promissor Verratti. Para isso, parte do dinheiro viria de uma “parceria financeira” com o Genoa. Com um telefonema, Beppe Marotta, administrador delegado alvinegro, acabou com a brincadeira. Cedo ou tarde, Verratti jogará pela Juventus. E o Genoa? Continua amigo da Juventus, o que ruim não é.

– Marotta, aliás, vem comandando um mercado fantástico. Além da contratação de Verratti, questão de tempo, o chileno Isla e o ganense Asamoah, ambos da Udinese, devem assinar com a Juventus nos próximos dias. Gabbiadini, promessa da Atalanta, também está com um pé e meio em Turim.

– No Milan, por outro lado, o clima não está nada bom. Parece mesmo existir a proposta do Paris Saint Germain para tirar Thiago Silva da Itália e a grana pode chegar a 50 milhões de euros. Há quem assegure que, caso o brasileiro saia, Ibrahimovic deve pedir para ser transferido para alguma equipe competitiva. E, sem os dois, os rubro-negros perdem bem mais do que meio time.

– E como deixar de fazer uma menção especial à Pro Vercelli? O time  conseguiu o acesso para a segundona e estará de volta à Serie B na próxima temporada, depois de 64 anos em divisões mais baixas. Os camisas brancas foram campeões italianos sete vezes na história, a última delas em 1922.

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Equipe Trivela

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