O Cagliari (e Buffon) ofereceram uma calorosa homenagem ao mítico Gigi Riva

Poucos atacantes italianos inspiraram tanto respeito quanto Gigi Riva. Pela seleção, suas marcas são indeléveis, ainda hoje o maior artilheiro da história dos azzurri. Marcou 35 gols em 42 jogos, fundamental na conquista da Euro de 1968 e referência no vice-campeonato na Copa de 1970. “Não entro em campo para outra coisa que não seja marcar gols. Prefiro jogar mal e marcar do que apenas jogar muito bem”, dizia. Era um matador de qualidade ímpar. Tinha, como se pede na posição, um faro de gol apuradíssimo. Mas também muita capacidade física, qualidade técnica, firmeza com as duas pernas. O que costumam chamar de jogador completo. “Riva joga um futebol poético. Ele é um poeta realista”, avaliava o gênio multifacetado Pier Paolo Pasolini.
Por clubes, Riva dedicou o seu melhor a uma só camisa. Nasceu no norte da Itália e, após ficar órfão de pai e mãe antes dos 16 anos, trabalhava como eletricista, enquanto dava seus primeiros passos no amador Laveno, que pagava uma ninharia pelos serviços do garoto. Depois, teve uma breve passagem pelo Legnano, da terceira divisão. E, aos 18 anos, chegou ao Cagliari, onde fez história. Os rossoblù nunca haviam disputado a Serie A desde então. Acesso conquistado logo na primeira temporada do craque.
Na Sardenha, Riva ganhou o apelido de ‘Rombo di Tuono’, o Rugido do Trovão. Passou 13 temporadas empilhando gols, três vezes artilheiro do Campeonato Italiano e (algo ainda único ao clube) campeão nacional em 1970. Nunca deixou a ilha. Quando a Internazionale ofereceu dois milhões de dólares pelo jogador, um valor gigantesco na época, e prometeu a construção de hospital para aplacar a fúria da população, o Cagliari recusou. “Até hoje, só o atum nos deu fama. Com Riva, ganhamos a admiração de toda a Itália”, afirmou um dirigente. E assim o atacante permaneceu vestindo a camisa rossoblù até 1976, quando pendurou as chuteiras, aos 32 anos.
Mesmo aposentado, Riva continuou próximo ao Cagliari. E também à seleção, na qual desempenhou o papel de diretor por 25 anos, entre 1988 e 2013. Aos 72 anos, hoje desfruta das boas memórias e, tanto tempo depois, também da adoração. Neste domingo, uma homenagem foi preparada a Riva antes do duelo entre Cagliari e Juventus, pela Serie A. O ex-atacante recebeu o ‘Colar de ouro ao mérito esportivo’, maior honraria oferecida pelo Comitê Olímpico Italiano, em reconhecimento a sua importância ao esporte do país. A cerimônia costuma ser feita em Roma, mas, diante das limitações físicas do veterano, os dirigentes viajaram até a Sardenha para entregá-la. Sinal maior do respeito à lenda. Nas arquibancadas do Estádio Sant’Elia, os torcedores voltaram a ovacioná-lo e a cantar seu nome. Enquanto o senhor era exaltado no centro do gramado, recebeu um longo abraçado de Buffon, além de palavras de carinho. Os dois Gigi’s que você mais respeita.
C’è solo un Gigi #Riva!pic.twitter.com/Mmxz1GOjrq
— Antonio Carboni (@antocarboni91) 12 de fevereiro de 2017



