Itália

Nem a história salva

Pelo menos até que a Itália seja eliminada da Eurocopa, você vai ouvir aquele tradicional clichê: quanto mais desacreditada chega a uma competição, mais a seleção italiana estará disposta a causar problemas aos adversários. Mas fique tranquilo. Pelo menos dessa vez, a ladainha deve durar pouco. Nem mesmo a tradição de se vestir de zebra deve fazer com que o animal ganhe o azul da Casa de Savóia.

A história realmente mostra que a seleção italiana consegue vencer quando está mal da pernas, mas é preciso que haja uma mínima centelha de esperança para iluminar o caminho do sucesso. Os dois últimos títulos conquistados durante períodos de crise, ambos na Copa do Mundo, são os melhores exemplos possíveis. Sim, a Itália entrou naqueles torneios com a lama perto do queixo, mas havia pelo menos alguma expectativa.

Na Copa de 1982, dizia-se que o escândalo de manipulação de resultados recém-descoberto poderia macular uma boa campanha italiana. A equipe não vinha de bons resultados nos amistosos pré-Mundial, mas os principais jogadores da Squadra Azzurra estavam em grande fase pelos seus clubes. Zoff, Conti, Cabrini e Paolo Rossi fizeram a diferença. No torneio de 2006, a Itália (novamente em crise parecida) entrou em campo com 18 partidas de invencibilidade – nos meses anteriores, havia até goleado a favorita Alemanha, por 4 a 1. Os troféus consagraram ótimas gerações que corriam risco de passarem batidas pela história.

Não é o caso do grupo que embarcou para a Polônia em busca do título europeu que não vem desde 1968. O treinador, Cesare Prandelli, até conseguiu renovar o elenco que fracassou de forma retumbante na Copa do Mundo de 2010, eliminado em uma chave fraca que contava com Eslováquia, Paraguai e Nova Zelândia. Dos 23 convocados para aquele Mundial, apenas sete foram chamados para a Eurocopa. O problema é que, ao analisar as escolhidos, fica claro que as mudanças italianas não funcionaram tão bem.

As maiores esperanças de um improbabilíssimo título passam pelos pés e pelas mãos daqueles mantidos no grupo – principalmente Buffon, Pirlo, De Rossi e Chiellini. Entre as novidades, a torcida terá de esperar que o ataque com Balotelli e Cassano seja suficiente para levar o time pelo menos além da fase de grupos. Cassano, aliás, foi o último atleta italiano a marcar um gol internacional, em 7 de outubro do ano passado. Desde então, a Nazionale passa por uma seca de gols que já dura 6 horas e 37 minutos, marca absurda. A derrota para a Rússia por 3 a 0, no último amistoso preparatório para a Eurocopa, só escancarou o que já era óbvio.

Para o sonho europeu da Squadra Azzurra se tornar realidade, será preciso que a parte do grupo já amalgamada no título italiano da Juventus consiga transpor para a seleção a boa fase. Oito italianos da Velha Senhora foram convocados. A aposta na base alvinegra é tão grande que até o mediano Giaccherini acabou chamado, mesmo com 27 anos nas costas e nenhuma partida pela seleção. Mas a bruxa está à solta: o zagueiro Barzagli, melhor da posição no campeonato recém-encerrado, corre o risco de ser cortado da Eurocopa por causa de uma lesão.

O bom caráter de Cesare Prandelli não parece ter sido suficiente para transformar um grupo razoável de jogadores em uma equipe competitiva. O estilo “paizão” alternou bons e maus momentos. Fez com que De Rossi e Balotelli acabassem afastados do grupo por um tempo, por causa de severas punições disciplinares, mas também atrapalhou o futuro da equipe ao insistir em apostas perdidas. Nem a família de Montolivo deve conseguir explicar por que raios o camisa 18 continua entre os titulares italianos, depois de tantas apresentações pífias. A continuidade do zagueiro Bonucci também surpreende.

Se será a Itália das últimas apresentações o time que veremos na Eurocopa, talvez Prandelli tivesse razão ao declarar que seria melhor nem sequer participar dos jogos. A situação é tão desanimadora que o treinador passou a treinar no 3-1-4-2 que levou a Juventus ao título italiano, mesmo que jamais tenha utilizado tal formação em toda sua carreira. Talvez seja tarde para fazer testes na próxima partida, a estreia europeia contra a superfavorita Espanha. Mas quem sabe ainda seja possível “desnaufragar” a barca italiana.

Pallonetto

– Desde o fracasso na última Copa do Mundo, a Itália disputou 17 partidas, entre amistosos e eliminatórias para a Eurocopa. Venceu 10 vezes, empatou três e perdeu quatro. O aproveitamento não é dos melhores.

– A seleção italiana estreará na Eurocopa no próximo domingo (10/6). Os campeonatos do país já deveriam estar parados há muito tempo, certo? Mas a terrível tabela da segunda divisão fará com que o último promovido à Serie A só seja conhecido no sábado. Varese e Sampdoria duelam pela última vaga. Pescara e Torino já subiram.

– A situação é ainda pior na terceira divisão. Só três horas antes da estreia da Itália na Eurocopa é que os últimos promovidos para a Serie B serão confirmados. Carpi e Pro Vercelli decidem uma vaga; Trapani e Virtus, a outra. Já subiram Ternana e Spezia.

– O futebol italiano vai perder um de seus principais jogadores. O atacante argentino Lavezzi deve acertar com o Paris Saint Germain nos próximos dias. Os franceses deram um balão inesperado da Inter para tirar o atleta do Napoli.

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Equipe Trivela

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