Itália

Não mexa com as feras

A vitória por 5 a 3 sobre a Roma não foi apenas uma nova demonstração de força da Internazionale, que viaja em velocidade de cruzeiro, com sete vitórias em oito jogos e média de três gols por jogo no campeonato, desde a chegada de Leonardo. Foi também o jogo que colocou as chances de scudetto nas mãos da equipe, dependendo apenas das próprias forças. Os nerazzurri estão cinco pontos atrás do Milan, mas ainda têm um jogo a menos, na próxima semana, contra a Fiorentina, e ainda há o confronto direto no início de abril.

Mais importante que tudo isso, no entanto, foi a atuação de dois jogadores fundamentais para a conquista da tríplice coroa na última temporada: Sneijder e Júlio César. Dois nomes que passaram viveram em mais sombra do que luz durante o período de Rafa Benítez à frente da equipe, e agora parecem recuperar a forma ideal no momento certo, o da arrancada para disputar o título.

O ano de 2010 foi tão vitorioso para Sneijder – maestro da Inter campeã europeia, goleador da Holanda vice mundial – que foi difícil acreditar em um encerramento tão melancólico. Acabou, por motivos ainda inexplicáveis, excluído da lista dos três finalistas da Bola de Ouro Fifa, e ainda ficou fora da decisão do Mundial de Clubes após se machucar logo no início da semifinal.

O Mundial estafante, as férias curtas e o casamento podem ajudar a explicar a queda de rendimento no segundo semestre. Algo que se fez notar no desempenho da equipe, sobretudo no campeonato. Mas os 50 dias de pausa desde a lesão parecem ter revigorado o meia, que diante da Roma marcou um lindo gol de fora da área logo no início (com o pé esquerdo, o “fraco”) e foi o responsável por ditar o ritmo da equipe, acelerando o jogo, aproximando meio-campo e ataque e dando passes importantes para situações de gols.

No esquema 4-3-1-2 que deve ser mantido por Leonardo até o fim da temporada, um bom rendimento de Sneijder pode levar o time às alturas – por que não pensar em repetir as conquistas de 2010?

Se Júlio César seguir na forma apresentada no último domingo, as chances serão ainda maiores. O brasileiro levou três gols, é verdade, mas salvou pelo menos outros três. A convocação para a Seleção Brasileira, pela primeira vez desde a falha que custou caro na eliminação diante da Holanda – veja você, de Sneijder – na Copa do Mundo, parece ter motivado o ex-flamenguista, que sofreu com as lesões nos últimos seis meses.

Tecnicamente, Júlio César não se discute. E se a Inter já admitia negociá-lo em junho (Manchester United?) para apostar em Viviano, hoje em co-propriedade com o Bologna, talvez já comece a rever essa ideia. Na partida do fim de semana anterior contra o Palermo, ele já havia sido decisivo ao pegar um pênalti e fazer outras defesas difíceis.

As contratações de janeiro serão importantes para que Leonardo possa contar com força em todas as competições. É verdade que Pazzini fará falta na Liga dos Campeões (não pode atuar por ter jogado os play-offs pela Sampdoria), especialmente pela ausência de Milito por 30 a 45 dias, mas no campeonato ele tem tudo para ser decisivo ao lado de Eto’o, que corre em quinta marcha desde o início da temporada.

As duas próximas partidas, contra Juventus e Fiorentina, dirão muito sobre as possibilidades da Inter, já que chegam antes do reinício da Champions para a Beneamata. Em caso de vacilo do Milan em casa contra o Parma, no que seria o terceiro jogo consecutivo sem vitória para os rossoneri, podem até significar a liderança mudando de lado em Milão.

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Equipe Trivela

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