Itália

Não há dois sem três

Imagine aquele corredor de 200 metros rasos que reage mal ao tiro de largada, mas ao fazer a curva e entrar na reta final vê os dois primeiros colocados perdendo rendimento e se anima para o sprint que lhe dará a vitória. Essa é a situação que hoje vive a Roma, grande vencedora da rodada do último fim de semana na Serie A. A vitória por 4 a 2 sobre a Udinese colocou o time de Claudio Ranieri a quatro pontos da líder Internazionale e a três do Milan.

A Inter empatou por 1 a 1 em visita ao Palermo, resultado que pode ser considerado normal pelo grande campeonato que faz o time rosanero. No entanto, o time de José Mourinho venceu apenas uma das últimas sete partidas que fez pelo campeonato, e ainda divide atenções com a Liga dos Campeões. Em Appiano Gentile, não há segredo sobre a obsessão com o título europeu, o que pode representar um desvio de foco preocupante para as chances de buscar o penta nacional. O título nerazzurro, que parecia impossível de escapar no fim de janeiro, quando a equipe venceu categoricamente o Milan, já não é assim tão certo.

O Milan, por sua vez, tinha um “pênalti” a seu favor no último domingo. Já sabia que a Inter tinha tropeçado e precisava apenas vencer um Napoli em má fase diante da torcida em San Siro. Mas os rossoneri falharam, ficando no empate por 1 a 1, e ainda viram Pato se lesionar novamente na partida em que retornava de um problema muscular. A previsão é de cerca de um mês de afastamento para o brasileiro, que até dezembro vinha jogando todas as partidas, e desde então se viu às voltas com problemas físicos. Ainda assim, segue como artilheiro da equipe no campeonato, com 12 gols. Para quem já havia perdido Nesta e Beckham para o restante da temporada, o panorama não parece animador.

A Roma, por sua vez, não sabe o que é perder há 19 rodadas. Um turno inteiro sem derrota na Serie A. A última foi contra a mesma Udinese que derrotou no fim de semana. A seqüência de 13 vitórias e seis empates poderia ser ainda melhor se não fossem os lapsos de concentração da equipe. Contra Cagliari e Napoli, os giallorossi desperdiçaram vantagens de dois gols. Diante do Livorno, o time um pênalti quando vencia por 3 a 2 e acabou cedendo a igualdade.

Depois do jogo contra a Udinese, porém, o clima de confiança voltou a reinar em Trigoria. Vale lembrar que Ranieri assumiu a equipe com 0 ponto em duas rodadas. A Inter já tinha 4 pontos e o Milan três, o que equivale a dizer que os três times estariam empatados caso o campeonato tivesse começado na terceira rodada, quando o treinador romano substituiu Luciano Spalletti.

Na partida do último sábado, Mirko Vucinic marcou três vezes, feito que nunca havia alcançado com a camisa da Roma. O montenegrino confirmou, assim, estar em ascensão, depois de passar boa parte da temporada com problemas físicos e rendendo abaixo das expectativas. O número de gols de Vucinic na temporada pode não ser impressionante – nove – mas a eles correspondem 13 pontos conquistados pela equipe.

A seu lado, Luca Toni. O atacante marcou quatro vezes em sete jogos e tem dado uma contribuição importante dentro de campo. Sua disposição a convencer Marcello Lippi a levá-lo para a Copa do Mundo pode ser fundamental para a Roma nas rodadas finais. Recuperado da contusão que afetou seu início no clube, Toni parece motivado como um iniciante.

A vitória contra a Udinese pode parecer apenas obrigação, se considerarmos a má campanha e a defesa frágil dos bianconeri. Mas do outro lado estava Antonio Di Natale, artilheiro que tem na Roma uma de suas vítimas favoritas: com seus dois gols marcados, chegou a nove na carreira contra o time da capital. E havia uma série de desfalques a superar, com as suspensões de Pizarro, De Rossi, Taddei e Mexès.

Ranieri optou pelo esquema 4-3-1-2, com Menez no apoio à dupla Toni-Vucinic, e o francês finalmente jogou o suficiente para arrancar aplausos da torcida, depois de uma série de atuações ruins com a camisa giallorossa. Foi uma das raras vezes nos últimos anos em que a Roma abdicou de atuar com jogadores abertos pelas pontas, mas acabou funcionando porque os laterais da Udinese não souberam usar o espaço para avançar e o meio-campo dos visitantes se viu quase sempre em inferioridade numérica.

E ainda há Francesco Totti. O capitão passou por uma artroscopia em outubro, teve uma inflamação no mesmo joelho direito em dezembro, e em 2010 só participou de três partidas incompletas. Deve ficar fora do jogo contra o Bologna, o que significa que terá desfalcado a equipe em 15 das 30 rodadas até então. Neste caso, mesmo que participe de todos os jogos restantes, terá jogado 23 partidas, uma a menos que sua pior marca desde que se tornou titular.

De qualquer maneira, Totti é o capitão e símbolo de uma equipe que conta com seu retorno para a arrancada. Mesmo com os problemas, é o jogador que tem 21 gols em 22 jogos oficiais na temporada. E seu retorno pode se dar em um momento crucial da arrancada: o duelo contra a Inter no próximo sábado, quando mais de 70 mil vozes devem dar força à Roma no estádio Olímpico.

Com contrato até 2014 e um futuro como dirigente já prometido, Totti tem a possibilidade de fazer história como o primeiro jogador a conquistar o segundo scudetto pela Roma. Ele é o único remanescente do elenco campeão em 2001.

Dois anos atrás, a Roma conseguiu tirar uma diferença significativa para a Inter e levar a decisão do título para a última rodada, quando chegou a ter o scudetto nas mãos por alguns minutos.

O clichê é batido, mas não dá para escapar: para Ranieri e seus comandados, daqui em diante são nove finais.

Veja as seqüências que faltam para os três candidatos:

Inter (60 pontos): Livorno (c), Roma (f), Bologna (c), Fiorentina (f), Juventus (c), Atalanta (c), Lazio (f), Chievo (c), Siena (f)

Milan (59): Parma (f), Lazio (c), Cagliari (f), Catania (c), Sampdoria (f), Palermo (f), Fiorentina (c), Genoa (f), Juventus (c)

Roma (56): Bologna (f), Inter (c), Bari (f), Atalanta (c), Lazio (f), Sampdoria (c), Parma (f), Cagliari (c), Chievo (f)

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Equipe Trivela

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