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Na Serie D do Italiano, presidente demite o treinador para ele mesmo assumir o cargo

Em muitos clubes, o assunto “presidente escala o time” gera longas discussões. As equipes comandadas por grandes magnatas e outros tipos de mandões costumam ser mais suscetíveis ao debate. Mas em um figurante da Serie D do Campeonato Italiano, as escalações ditadas pelo presidente se tornaram abertas. Afinal, ele mesmo tomou posse do cargo, acumulando funções após uma série de maus resultados. Além de gerir sua distribuidora de botijões de gás, Mauro Lanza agora é o todo-poderoso do Fulgor Molfetta – como já fez em outras ocasiões.

Fundado em 1917, o pequeno clube do sul da Itália chegou a disputar a terceira divisão do Calcio. Já a relação com Mauro Lanza começou nos anos 1980. Na época, além de ser presidente, também foi jogador, treinador e massagista. O tempo passou e o idoso não conseguiu acumular mais tantas funções. Ainda assim, mandar é com ele mesmo – por mais que os biancorrossi sofram com as dificuldades financeiras. Foram duas falências desde 1999, com a última refundação acontecendo em 2015.

Lanza já conseguiu recolocar o Fulgor Molfetta na Serie D, e espera o retorno à terceirona, o que não acontece desde os anos 1950. O problema é que o clube não vinha bem em seu grupo regional da liga nacional, com apenas uma vitória nas primeiras oito rodadas. Foi quando presidente resolveu demitir o técnico e arregaçar as mangas.

Lanza assumiu todos os afazeres como treinador, coordenando atividades curiosas – como chutar a bola contra uma parede o mais forte possível. E sua reestreia na função não foi tão ruim assim. O Fulgor visitou o Picerno e conseguiu arrancar um empate fora de casa. Continua mais perto da zona de rebaixamento do que do acesso, mas ao menos ganha um respiro após os resultados pouco consistentes do início da campanha. E Lanza, um figurão do futebol italiano, leva em frente a sua paixão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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