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Mourinho diz que tem sido vítima de si mesmo: “Entrei em uma dinâmica em que não ganhar parecia o fim do mundo”

O treinador também falou pela primeira vez com o site da Roma e tocou bastante na tecla de que conduzirá um projeto de longo prazo

José Mourinho admitiu que é culpado de ter promovido a ideia de que ganhar é a única coisa que importa e, agora que não consegue mais fazê-lo, qualquer trabalho que conduz é visto como um fracasso. As declarações foram dadas ao livro “Mantenham-se Loucos e Famintos” do escritor e ex-diretor de comunicação do Benfica, João Gabriel, e reproduzidas pelo jornal Record.

Mourinho, um craque em lidar com a imprensa e que sempre apontou para seu vasto currículo de conquistas para se defender das críticas nos últimos anos, provavelmente não se arrependeu por coincidência exatamente no momento em que sua carreira o direciona a clubes em que ser campeão o tempo inteiro é um pouco ambicioso demais.

Após deixar o Manchester United com os títulos da Liga Europa, da Copa da Liga Inglesa e da Supercopa da Inglaterra, Mourinho passou em branco pelo Tottenham e dirigirá a Roma na próxima temporada, cuja última conquista foi a Copa da Itália de 2007/08.

“Tenho sido um pouco vítima de mim mesmo. Se pudesse, seria uma das coisas que não repetiria. Ganhei, ganhei e ganhei. Entrei em uma dinâmica em que não ganhar parecia o fim do mundo”, afirmou. “Eu mesmo, pela minha personalidade, fomentei um pouco isso, de que tudo é sempre para ganhar, ganhar ou ganhar. Quando cheguei a situações onde era muito difícil fazê-lo, enquanto para outros treinadores era algo aceitável, para mim era sempre considerado insuficiente, um fracasso”.

Inclusive, o discurso de Mourinho em sua primeira entrevista oficial ao site da Roma tocou bastante na tecla de que planeja um trabalho de longo prazo no clube italiano. “Conheço os torcedores, conheço a paixão que eles têm, e se você acha que o projeto é para amanhã, eu chego um dia e no seguinte nós vencemos, bom, isso não é um projeto”, disse.

“A Roma é um projeto no qual os donos querem deixar um legado pelos próximos anos. Ele pretende fazer algo importante para o clube trabalhando com um projeto que seja sustentável. Quer criar fundações para o sucesso. Espero que esse sucesso venha enquanto eu estiver aqui porque assinei um contrato de três anos. Talvez seja apenas o primeiro contrato, talvez um dia eu assine outro”.

“Queremos criar algo que dure. Queremos que a Roma seja um sucesso, mas que tenha um futuro de sucesso, não um momento isolado de sucesso. Claro, todos adorariam, mas as consequências disso… Não queremos consequências negativas. Queremos algo sustentável”.

“Queremos começar a organizar melhor o clube em todas as áreas relacionadas ao time. Sabemos que precisamos dar um passo de cada vez. Precisamos começar com a infraestrutura em torno do time. Não apenas as infraestruturas, mas as estruturas humanas. Estamos tendo muitas reuniões, falando muito e já estamos tentando mudar algumas coisas no clube”, completou.

Apesar de trabalhos abaixo das expectativas em Manchester United e Tottenham, Mourinho acredita que é um treinador melhor. “É sério. Eu melhorei bastante. Porque acho que este é um trabalho em que a experiência importa muito. Com a experiência… é como um déjà vu porque você passou por tanta coisa. Após a Itália, eu fui para o Real Madrid, que foi uma experiência incrível e realizei meu sonho de vencer na Itália, na Inglaterra e na Espanha”, disse.

“Voltei à Inglaterra porque é onde minha família está e é para onde queria voltar. Eu até tive a incrível experiência de levar um time a uma final e não jogar a final (demitido na semana em que o Tottenham jogou a decisão da Copa da Liga Inglesa). Algo que eu nunca pensei que fosse acontecer. Mas aconteceu. Então depois de passar por tantas experiências e aprender com momentos positivos e negativos, estou muito mais preparado que no passado”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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