Atacante da Juventus assume: ‘Interrompia os treinos para ir chorar no banheiro’
Jogador viveu momento delicado por lesões e precisou de apoio psicológico
Com a evolução do debate sobre a saúde mental no futebol, os jogadores têm sido cada vez mais abertos a tocar em momentos sensíveis. Os períodos lesionados são sempre um desafio para os atletas que não podem exercer a sua função. Um atacante da Juventus sofreu muito com esse período.
Ao veículo polonês “Kanal Sportowy”, Arkadiusz Milik contou seu drama com lesões que o tiraram de campo praticamente desde 2024. Ele só fez duas partidas nas duas últimas temporadas, somando problemas no joelho, na panturrilha e na coxa. “Nos últimos dois anos, eu só falava sobre minhas lesões“, disse.
A ausência de jogos fez o jogador de 32 anos entrar em um período de muita negatividade. O “fundo do poço”, como ele definiu. Seu refúgio para os problemas, o futebol, não era mais uma alternativa pelo físico debilitado.
— Os meses de janeiro e abril [de 2025] não foram meses interessantes para mim. Foram momentos emocionais não muito bons. Não gostaria de classificar isso na categoria de depressão, mas sim como um fundo do poço, porque nunca tinha passado por algo assim antes. Normalmente, mesmo quando tinha um problema, acordava de manhã e esse problema já não existia, ou saía para treinar e o problema desaparecia. O futebol era muitas vezes uma fuga para quaisquer problemas.
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Um momento que marcou essa queda emocional do polonês aconteceu em um trabalho na academia, quando não conseguiu segurar as lágrimas e as escondeu de seus colegas.
— Tive uma situação em um treino e, quando vou fazer algum exercício, as lágrimas começam a escorrer. Literalmente. Foi a primeira vez na minha vida que isso me aconteceu. Interrompi o treino e fui ao banheiro chorar. Foi certamente um período emocionalmente muito forte para mim.
Milik, depois, teve lágrimas de felicidade em recuperação na Juventus
O sofrimento de Milik cessou no momento em que ele conseguiu voltar a treinar. “As lágrimas de felicidade começaram a escorrer pelo meu rosto porque aquilo custou-me muito mesmo”. Na época, ele foi relacionado para o primeiro jogo em um ano, na reta final da Copa do Mundo de Clubes, mas logo sofreu mais problemas.
O atacante só voltou definitivamente a jogar em março deste ano, com duas partidas saindo do banco contra Genoa e Atalanta (já em abril). Ele se lesionou de novo e ficou no banco em mais dois jogos até o fim da temporada.
O período, contando com o apoio de um psicólogo, fez o polonês ver que sua fortuna não é o mais importante. No momento em que se viu no fundo do poço, ter o contrato mais lucrativo da carreira não o fez melhorar.
— As pessoas pensam: ‘Bonito, jovem, rico… o que importa uma lesão de alguns meses? Está tudo bem. Tem dinheiro para as próximas cinco gerações.’ Mas não é disso que se trata. Não, não. Aprendi uma coisa e tenho a certeza disso: o dinheiro não traz felicidade. No meu caso, porque cada pessoa tem uma motivação diferente e pensa de forma diferente, posso dizer honestamente que o dinheiro não traz felicidade.
— Apesar de ter tido o maior contrato da minha carreira e de ter ganho mais dinheiro do que alguma vez imaginei, fui o mais infeliz de toda a minha carreira. Por isso, penso que isso diz tudo sobre o dinheiro e sobre o estado em que eu estava — finalizou.
Recuperado de suas questões físicas, Milik pode retomar sua confiança com uma pré-temporada plena. A ver se continuará na Juventus, onde está desde 2023, pois, mesmo com vínculo até 2027, houve especulações sobre o seu futuro.