Itália

Medíocre é pouco

 Dizer que a atual seleção italiana é medíocre ainda seria um elogio. Diante de uma Nova Zelândia que tem menos de 200 mil praticantes de futebol, e um time que sofreria para se manter em qualquer primeira divisão de nível razoável, a Azzurra voltou a expor a total falta de jogo e alternativas. Ficou no 1 a 1, contra um time que marcou em sua única oportunidade e não mostrou recursos para fazer mais nada além de se fechar na defesa. Um jogador que entrou no segundo tempo, Andy Barron, é semiprofissional. Trabalha em um banco.

A mudança para o esquema 4-4-2, que havia dado bons indícios no segundo tempo da estreia contra o Paraguai, não provocou qualquer evolução no previsível jogo italiano. A Azzurra era quem parecia ser a Nova Zelândia, abusando de cruzamentos da intermediária e sem qualquer capacidade de buscar tabelas ou abertura de espaços no campo adversário.

O gol sofrido foi o segundo em dois jogos, em circunstâncias idênticas: com bolas alçadas na área e Cannavaro mostrando que sua aposentadoria, pelo menos da seleção, já está demorando. Mas a culpa maior não é do capitão, e sim de quem considera que ele ainda tem condições de jogar em alto nível. Aliás, a dupla de zaga titular joga na Juventus, que sofreu mais gols no campeonato que a rebaixada Atalanta.

Um dos poucos juventinos com crédito, Marchisio, foi escalado fora de posição pelo segundo jogo consecutivo, desta vez na meia-esquerda. Sem características para atuar por ali, novamente se escondeu e incidiu pouco nas jogadas ofensivas. A falta de conhecimento com a função, no entanto, não pode servir como desculpa para Gilardino, que voltou a ter atuação pífia, sem conseguir finalizar a gol. Iaquinta conseguiu – graças a um pênalti generoso concedido pela arbitragem.

As substituições feitas no segundo tempo também não mudaram o panorama. Camoranesi, outro ultrapassado, errou todas as tentativas de cruzamento. Di Natale, artilheiro da Serie A, ficou distante da área. No fim das contas, o empate ficou de bom tamanho pela incompetência italiana.

Agora, é necessário vencer a Eslováquia para não correr riscos, mas ainda deve bastar um empate, considerando que o Paraguai, melhor time do grupo, deva derrotar a Nova Zelândia. São inevitáveis as comparações com 1982, quando a Azzurra superou a primeira fase com três empates antes de se tornar campeã. Ou até com 1994, quando a primeira fase teve uma derrota para a Irlanda, uma vitória apertada sobre a Noruega e um empate com o México.

O paralelo mais plausível, no entanto, é com a Copa de 1986. Depois de dois empates, a Itália venceu a Coreia do Sul e garantiu passagem às oitavas, quando caiu contra uma França claramente superior. Só que um daqueles empates foi com a grande Argentina de Maradona. E a Holanda pode ser a França da vez.

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Equipe Trivela

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