Itália

Surpresa na Roma, Marquinhos se valoriza no mercado

Um ano depois de deixar o Corinthians, o zagueiro Marquinhos vive uma boa fase com a titularidade na defesa da Roma. Valorizado em quase 10 vezes nesse tempo que passou na capital italiana, Marquinhos teve seu preço avaliado em €10 milhões.

Em maio de 2012, o clube italiano pagou €1,5 milhão por seu empréstimo. Um semestre depois, decidiu comprá-lo em definitivo, pagando €3 milhões ao Corinthians. Vinculado aos romanistas até 2017, dá motivos para gerar um certo arrependimento aos cartolas alvinegros, que poderiam ter lucrado um pouco mais com a cessão do atleta de 18 anos.

Desde sua estreia, em 16 de setembro contra o Bologna, tem sido bem visto pela torcida e pela imprensa na Itália pelo seu bom posicionamento na área e poder de marcação. Sua melhor partida até aqui f0i diante do Milan, em dezembro de 2012. Na ocasião, formou um paredão ao lado de Burdisso, mas acabou sendo expulso nos minutos finais por colocar a mão na bola.

Já foram 22 aparições, Marquinhos já é cobiçado por grandes clubes como Barcelona e Chelsea, dono de um histórico recente problemático em relação aos seus zagueiros. Procurando deixar a era do improviso para trás, os blaugranas viram no ex-corintiano uma ótima solução para o futuro.

Reconhecendo o bom jogador que tem em mãos, a Roma teria recusado uma proposta do Barça no valor de €20 milhões em março deste ano. Para se ter uma ideia do prestígio do garoto, sua presença na zaga giallorossa implica em deixar muitas vezes o veterano Burdisso no banco. Em seu quarto ano na equipe, o argentino viu a chegada dos brasileiros como uma ameaça ao seu espaço.

Se Leandro Castán chegou consolidado como o ponto forte da defesa corintiana que foi campeã da Libertadores em 2012, Marquinhos foi o coringa, a promessa que tem dado certo. Em 22 partidas, errou muito pouco e mostrou a maturidade que raramente chega para atletas de sua posição antes da faixa dos 25 anos.

Marquinhos x Juve
Marquinhos na cola de Giovinco durante a vitória da Roma em cima da Juventus, em fevereiro deste ano
Zeman e o suicídio do sistema defensivo

Sob o comando de Zdenek Zeman, a carga de trabalho era alucinante. Marquinhos foi submetido à provas de fogo enquanto o tcheco comandava a Roma e usava seu esquema suicida de 4-3-3. O resultado da formação era ter o melhor ataque e uma das piores defesas da Serie A. Nesse contexto, o brasileiro precisou se virar para se adaptar.

Com a mudança no comando e uma postura distinta sob a batuta de Aurelio Andreazzoli, a zaga da Roma não está tão exposta quanto nos tempos de Zeman. Essa segurança reflete em sofrer menos gols e por fim colocar menos pressão nos homens de frente. Para se ter uma ideia, Andreazzoli apenas sofreu duas derrotas em nove compromissos, desde que assumiu o cargo de treinador, com apenas 8 gols concedidos. Era quase inimaginável isso com o sistema louco de Zeman. Nos últimos três jogos em que Zdenek esteve à frente do time, foram duas derrotas e um empate, com 10 gols sofridos. Nesses termos, é mesmo difícil exaltar o trabalho de um zagueiro, ainda que ele seja a nova versão de Aldair.

Marquinhos foi blindado do interesse de grandes forças na Europa. De contrato renovado até 2017, será difícil tirar o beque da capital italiana sem gastar muito dinheiro. E no ponto revelação, o Corinthians perdeu uma grande chance de ter os serviços do jovem por mais alguns anos. Sorte da Roma, que encontrou um talento sem desembolsar uma quantia extravagante.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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