Itália

Loba mansa

A Roma foi a primeira equipe italiana a dar início à pré-temporada. Desde o último dia 2, trabalha em Riscone di Brunico com vistas à participação na Liga Europa, que se inicia para os giallorossi já no fim deste mês, com a terceira fase preliminar. Por isso o começo prematuro da preparação do time de Luciano Spalletti, que precisa se recuperar de uma campanha decepcionante no último campeonato.

Que o time estará em campo no dia 30, no entanto, é uma das poucas certezas que o torcedor romanista pode ter no momento. Não se sabe nem mesmo se a família Sensi continuará no comando do clube quando o campeonato começar, no final de agosto. A verdade é que a venda para o consórcio liderado pelo empresário ítalo-suíço Vinício Fioranelli já esteve bem próxima, mas hoje parece distante. E o motivo não é apenas a falta das garantias bancárias que a Italpetroli, empresa dos Sensi que controla a maioria do capital da Roma, esperava receber para levar adiante as negociações.

Uma declaração do advogado do Fio Sports Group, de Fioranelli, causou surpresa e revolta em Roma na última semana. Nicola Irti disse a uma rádio italiana, com todas as letras, que o clube deveria se livrar de Francesco Totti, porque ele estaria “arruinando o time”. Isso mesmo. É como se alguém sugerisse que o São Paulo se livrasse de Rogério Ceni ou o Palmeiras de Marcos, para usar dois exemplos da realidade brasileira.

As reações, obviamente, foram coléricas. Políticos da região, incluindo prefeito e governador, atacaram as palavras de Irti, considerando-as uma ofensa não apenas a Totti, mas também à torcida que o tem como ídolo e ao futebol italiano como um todo, já que ele é uma espécie de jogador que se vê cada vez menos. A presidente Rosella Sensi divulgou uma carta aberta ao capitão, exaltando sua importância história para o clube.

Diante da repercussão das declarações do advogado, Fioranelli tentou colocar panos quentes e desautorizar seu advogado, mas o mal já estava feito. Spalletti, em sua primeira coletiva da temporada, respondeu com ironia. “Não conheço Fioranelli, mas se ele tivesse que se tornar presidente, poderia até substituir o distintivo da loba pelo da águia”, afirmou, referindo-se ao símbolo da rival Lazio.

O resultado de toda a confusão é que hoje a Roma não tem uma oferta plausível pela venda, apesar de os Sensi terem disposição a vender. A capacidade de investimento é limitada, algo que os torcedores já sabem desde a temporada passada – e por isso se manifestaram favoravelmente a uma passagem de propriedade nas últimas partidas do campeonato.

Reforçar a equipe, então, torna-se tarefa hercúlea. Até agora, o único reforço é o meia Guberti, que fez uma boa Serie B pelo Bari, mas não é exatamente o jogador que se espera para elevar o nível da equipe. Spalletti espera, sobretudo, um atacante de área, um finalizador nato, alguém capaz de complementar as características de Totti e ao mesmo tempo permitir que o capitão sofra menos exigências físicas.

O nome de Huntelaar, do Real Madrid, já esteve em pauta em outras oportunidades, mas é um jogador caro. Assim como Iaquinta, que acabou de renovar com a Juventus. Se quiser comprar alguém deste nível, a Roma teria de fazer uma boa venda. Até houve uma oferta interessante do Catar por Júlio Baptista, mas o brasileiro não quis saber, preocupado em sair da órbita da Seleção Brasileira a um ano da Copa do Mundo. Outro “negociável” é o francês Menez, mas ninguém se apresentou com uma proposta satisfatória.

Há opções mais em conta, como Julio Cruz, disponível após encerrar seu contrato com a Inter. No entanto, diante de um bom número de propostas, o argentino pode fazer um leilão salarial e ainda buscar um time que lhe proporcione a titularidade garantida. Outro sonho antigo, Shevchenko, pode deixar o Chelsea sem esforço, mas as últimas temporadas deixam dúvidas sobre suas motivações e condições físicas.

Enquanto isso, na pré-temporada, Spalletti vai aproveitando para testar variações táticas e observar jogadores que voltaram de empréstimo para ver com quais deles poderá contar na temporada. No primeiro jogo-treino, contra um combinado local, montou a equipe em um 4-4-2 que varia para 4-2-4 na construção ofensiva. Na formação titular, Totti e Vucinic eram os homens de frente, Taddei e Menez os ponteiros.

Uma preocupação especial está no gol, já que Doni não estará totalmente recuperado para o início da temporada, e tanto Artur quanto Júlio Sérgio são pouco confiáveis. Buscar um novo goleiro para ser titular agora (Rubinho?) pode ser uma solução, mas como fazer quando Doni retornar? Alguém ficará insatisfeito, criando uma situação difícil de administrar. O ideal seria ir atrás de um nome experiente a ponto de não comprometer, mas também capaz de aceitar o banco quando o titular estiver pronto.

O ponto chave para a organização romanista é a dupla de zaga. Juan e Mexès formam uma das melhores duplas de zaga em circulação, mas na última temporada as lesões fizeram com que jogassem juntos poucas vezes. Se os problemas físicos ficarem de lado desta vez, a Roma dará um passo importante para sofrer menos gols. Na última temporada foram 61 gols marcados contra o giallorossi, marca que só superou as de três outros times, dois deles rebaixados.

No panorama atual, é difícil apostar na Roma brigando por uma das três primeiras posições no campeonato. A briga pelo quarto lugar, por outro lado, é viável, mas deve haver pelo menos outras quatro equipes com a mesma capacidade. Esta é a realidade da Roma, a não ser que haja um fato novo na direção.

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Equipe Trivela

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