Lippi: “Com Donadoni, não foram dois anos perdidos”
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Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, Marcello Lippi comentou sobre seu retorno ao comando da seleção italiana. O técnico falou sobre como decidiu a hora de voltar à Squadra Azzurra, fez um rápido balanço da ‘era Donadoni’ e não se mostrou propenso a conversar com Francesco Totti e Alessandro Nesta para que voltem a defender a equipe.
“Deixei a seleção antes da partida contra a República Tcheca por não achar justo continuar pelos motivos que vocês conhecem. Nestes dois anos, o grupo foi muito bem. Donadoni chamou novos jogadores que tiveram um bom desempenho e serão úteis no futuro. Por isso, não foram dois anos perdidos. Creio que a expressão do futebol italiano esteja na seleção e não nos clubes, e não se pode vencer sempre”, afirmou.
O treinador explicou como tomou sua decisão de retornar à Squadra Azzurra. “Deixei a seleção com dor no coração. Por um ano, não pensei em treinar. Depois, recebi muitas ofertas de clubes e a seleção, mas porque não poderia treinar outra equipe após conquistar o Mundial com a Itália. Quando a Eurocopa se aproximou, a vontade de treinar a Itália aumentou e me coloquei à disposição caso precisassem de mim. Ainda me sentia em débito com a federação”, comentou.
Questionado se pediria a Totti e Nesta para convencê-los a voltar à seleção, o treinador não se mostrou tão disposto a isso. “Estou convicto de que é necessário respeitar a opinião das pessoas. No caso destes dois jogadores que deram tanto à seleção, não tenho a intenção de levar em consideração um retorno deles, pois já expressaram sua decisão e eu a respeito. Quero dar um conselho para aqueles jogadores que decidem se aposentar da seleção por não aceitarem se submeter à rotina de treinos. Não digam ‘estou me aposentando da seleção’, mas escolham uma espécie de adeus, algo como ‘hoje quero me concentrar apenas em minha equipe, mas se houver necessidade ficarei à disposição’”, explicou.
Sobre o processo de renovação da Azzurra, Lippi fez uma comparação com a seleção espanhola. “Não devemos seguir forçosamente o exemplo da Espanha, que conquistou o título europeu com uma equipe jovem, mas que nos últimos anos não ganharam nada. Nós, ao contrário, temos um grupo de jogadores que venceram o Mundial há dois anos. Devemos balancear com atletas novos e jovens, mas sem desperdiçar nada. Daquele grupo, ainda há muitos jogadores que podem ter um bom desempenho em nível mundial. Por isso, precisamos fazer uma mistura entre novos e antigos”, completou.