Leonardo promete futebol atraente no Milan

Confirmado como substituto de Carlo Ancelotti, o brasileiro Leonardo foi apresentado nesta segunda-feira como novo treinador do Milan. Em sua primeira experiência como técnico, ele se disse disposto a apresentar um futebol ofensivo e atraente, mas sem perder as características necessárias para ter sucesso na Itália.
“O esquema de jogo é muito ligado aos jogadores que teremos”, declarou Leonardo, que assinou contrato de dois anos. “Haverá saídas e chegadas. A base é muito clara e fundada no 4-3-1-2, nossa identidade. Mas pode varias. Penso em um jogo ofensivo, divertido. Essa é a ambição. Temos de expressar o máximo do nosso talento sem esquecer a consistência do futebol italiano”.
O ex-jogador rossonero disse gostar de um jogo baseado em avanço pelas laterais: “Podemos raciocinar sobre um certo tipo de jogo, tudo isso será feito. Tenho de pensar sobretudo nas laterais. Quero ataque pelos lados. Mas não faremos revoluções, os nomes chegarão com o tempo”.
Leonardo se mostrou interessado em uma abordagem mais científica, fazendo uso de dados e estatísticas para analisar o desempenho da equipe. A comissão técnica deve ser mantida em sua maioria, com os nomes do auxiliar Mauro Tassotti e do preparador físico Daniele Tognaccini já confirmados, além dos preparadores de goleiros Villiam Vecchi e Valerio Fiori.
“Teremos de trabalhar com novas ideias, porque há margens de crescimento”, argumentou. “Quero a preparação física com a bola, porque minha ideia é de uma equipe que imprime velocidade e trabalha a bola no campo adversário. A estrutura técnica contará com dois auxiliares muito ligados à análise tática mediante dados”.
Perguntado sobre sua referência como treinador, Leonardo citou Fabio Capello – que, a exemplo do brasileiro, assumiu o time sem experiência prévia no início dos anos 90: “Capello talvez seja o melhor, pelo que venceu, por ter vencido em diversas situações, e hoje é o técnico da seleção inglesa. É um caso único, uma referência”.
“Comparações são normais porque o Milan segue com a sua filosofia. Nunca serei igual aos outros, até por ser brasileiro, mas não muda em nada a linha política do clube. Não sei se trabalharei de agasalho, me vejo mais de terno e gravata. Mas agora minha função é diferente. E me apoio muito em Tassotti, que também foi importante para Ancelotti. Trabalharemos juntos nos treinamentos”, disse.
Leonardo falou ainda sobre a equipe que considera a melhor que viu jogar: a Seleção Brasileira de 1982. “Não foi campeã, mas é uma referência em todos os sentidos. A leveza do jogo deles era uma obra de arte, os jogadores não tinham funções precisas. Com Careca, que estava machucado, talvez vencesse o Brasil e não a Itália. É impossível jogar daquela forma hoje, mas os valores permanecem. Essa é a minha referência”.
O novo treinador também foi questionado sobre o futuro de jogadores como Kaká, que segue na mira do Real Madrid, e Ronaldinho, que teve um desempenho irregular em sua primeira temporada no clube.
“É natural que Kaká seja cortejado por outros clubes, como qualquer craque. Não posso negar que desejo que ele fique conosco, é uma referência importante para a equipe. Ronaldinho fez seis meses bons, depois se contundiu e teve dificuldades. Ele entendeu que na Itália há dificuldades se não se encontra o equilíbrio certo entre treinamento e empenho. Ele sabe bem que nos últimos três anos não foi o Ronaldinho de antes, e eu o colocarei em condições de voltar a ser aquele”, afirmou.
Leonardo ainda não concluiu a formação exigida para um técnico trabalhar na Serie A, mas acredita que receberá uma dispensa especial: “Terminei o curso de terceira categoria no ano passado. Entre 8 de junho e 17 de julho, farei o de segunda categoria. Mas, tendo jogado uma Copa do Mundo, poderei pedir a licença quando for promovido. Não é nada excepcional, já aconteceu antes”.



