Itália

Lazio e Roma se encontram em um ponto em comum: preconceito

Torcedores da Roma entoaram cânticos com diversos elementos identitários da extrema direita após a goleada sobre o Monza

Parece que uma parcela das torcidas de Lazio e Roma encontrou um ponto em comum entre a rivalidade: o preconceito. Dois dias após torcedores da Lazio entoarem cantos fascistas em um estabelecimento na Alemanha, para provocar o Bayern de Munique, uma situação semelhante, protagonizada pelos giallorossi, foi divulgada pelo jornal La Repubblica, da Itália, na última terça-feira (5).

Na viagem de volta de Monza, após a goleada por 4 a 1 da Roma sobre os adversários, um grupo de vinte torcedores da equipe da capital italiana demonstrou toda a sua simpatia pelo nazismo e racismo ao entoar um cântico para provocar o atacante Sardar Azmoun.

A música dos ultras reúne grande parte dos elementos identitários da extrema direita: fascismo, nazismo, misoginia, racismo, xenofobia, homofobia e antissemitismo (leia abaixo).

— O nosso centroavante é iraniano, faz a saudação romana, faz explodir um avião, odeia negros e judeus, mulheres trans e gays. Não há judeus na AS Roma — gritaram.

O vídeo, que circula nas redes sociais, foi gravado dentro do vagão de um trem. No painel, é possível ver a indicação de parada na Estação Central de Milão. Cantando estão cerca de vinte torcedores muito jovens, todos sorrindo e orgulhosos com o discurso de ódio.

Episódio com torcedores da Lazio ganha repercussão internacional

O episódio na Alemanha, envolvendo torcedores da Lazio aconteceu na noite da última segunda-feira (4), em uma cervejaria Hofbräuhaus, localizada na cidade de Munique. O local, fundado em 1589, é conhecido por ser palco no qual Hitler fez 25 regras de suas propostas para a fundação do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, em 1920.

— As imagens dos torcedores da Lazio que foram a Munique assistir ao jogo da Liga dos Campeões saudando o Duce são uma vergonha. Eles são uma lama para o time, para todos os torcedores e para a cidade de Roma. Por isso, sem dúvidas, condeno veementemente e manifesto desdém pelo que se vê no vídeo que infelizmente circula pelo mundo agora — disse Alessandro Onorato, vereador da capital da Itália.

— Isso não nos representa, mas também indica um sinal de alerta, mais um, que deve obrigar toda a política a assumir a responsabilidade no que diz respeito à atitude de condenação inequívoca que se deve ao período mais sombrio e dramático da história do nosso país. Qualquer tentativa de minimização ou ambiguidade alimenta a crença em algumas pessoas de que outras posições além do antifascismo são possíveis em Itália. Não é assim. O antifascismo é a condição essencial para ser italiano. Qualquer pessoa que não se reconheça deve ser colocada à margem.

Por conta dos cânticos, envolvendo cerca de 50 dos 3400 torcedores da Lazio esperados para assistirem ao jogo, que acontece às 17h, o presidente do clube foi obrigado a se manifestar.

— O episódio em questão é relacionado a um pequeno grupo de pessoas que chegaram na Alemanha — disse Claudio Lotito.

Histórico na Itália

A associação do futebol italiano com o fascismo tem conexões profundas. Uma pequena parte da torcida da Lazio, por exemplo, faz questão de trazer essa conexão a tona sempre que possível. Mesmo não sendo um grande fã de futebol, Benito Mussolini era um torcedor do clube, e inclusive chegou a frequentar jogos e virar sócio por conta da abertura que o clube dava aos seus ideais. Jogadores como Paolo Di Canio e Senad Lulic, ídolos recentes do clube, já fizeram o ‘saluto romano‘, a saudação ao Duce, na direção dos ultras da Lazio no Estádio Olímpico de Roma.

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