Itália

Jovens goleadores

Neste sábado, o sorteio da Copa das Confederações colocou a Itália no grupo mais complicado do torneio, ao lado de Brasil, Japão e México. Em junho de 2013, os italianos passarão pelo menos por Recife, Rio de Janeiro e Salvador, e já tem base formada para a disputa da competição e, também, para o provável retorno ao Brasil em 2014. No entanto, não falaremos hoje sobre o que a Itália pode fazer já em 2013, mas nos anos seguintes, sobretudo no setor que tem suas melhores revelações: o ataque.

Poucas seleções tem tantas opções para o setor ofensivo nos próximos 10 anos como a Squadra Azzurra. São quase 10 atacantes com menos de 23 anos com capacidade para vestir o manto azul, e o melhor é que todos eles já atuam por seus clubes na elite europeia – quase todos são titulares. Alguns deles já tem passagem pela seleção principal, como Balotelli (22 anos), Destro (21), Insigne (21) e El Shaarawy (20), favoritos para formarem o ataque do futuro da seleção e já avaliados para o presente.

El Shaarawy é aquele que mais tem despontado nesta temporada, afinal é o artilheiro da Serie A, com 12 gols, e é o cara que tem mantido o Milan de pé. Insigne, depois de um ano muito bom no Pescara, na campanha da volta do clube à primeira divisão, começa a se afirmar no Napoli: tem três gols e três assistências, mas já ganhou a vaga de Pandev. Destro e Balotelli, por sua vez, tiveram melhor desempenho em 2011-12. O atacante da Roma fez 12 gols pelo Siena, foi negociado por cerca de 15 milhões de euros com a equipe romana e, só agora, está começando a se adaptar. Tem quatro gols no campeonato e ganhou a posição de Osvaldo – que é atacante da seleção e pode ir para a Fiorentina. Supermario tem apenas um gol pelo Manchester City, mas enfrenta uma concorrência muito grande e pode acabar deixando a equipe para respirar novos ares. O lado positivo é que está longe das polêmicas, até o momento.

Além desses quatro, a Itália pode se gabar de ter como boas opções para as Copas de 2014 e 2018 alguns jogadores na faixa de 26 a 28 anos, já amadurecidos – casos de Giovinco, Osvaldo, Rossi, Pazzini, Quagliarella ou Matri. Alguns deles não são tão brilhantes, mas já demonstraram utilidade em seus clubes. Ou mesmo Borini, de 21 anos, que chegou a ser convocado por Cesare Prandelli quando estava na Roma, mas perdeu sua chance depois que se transferiu para o Liverpool.

Até agora, já foram citados 11 atacantes, e eu ainda nem citei aqueles que podem evoluir e brigar por vagas na seleção em um futuro um pouco mais distante. São os atacantes que o técnico Devis Mangia, da seleção sub-21, terá à disposição para o Europeu da categoria, em 2013. Mangia, ex-treinador das bases de Varese e Palermo (no rosanero, também treinou o elenco principal), é um grande formador de jogadores de ataque. Seu Varese era uma equipe bastante ofensiva e tinha um jogador fundamental: o atacante De Luca (21 anos), fisicamente muito parecido com Giovinco – se o juventino é o Formiga Atômica, ele tem o apelido de “O Mosquito”. Tecnicamente, De Luca também é habilidoso, se movimenta muito e pode atuar como primeiro ou segundo atacante. Pelo Varese, subiu ao time principal na última temporada e deixou 11 gols na Serie B. Emprestado à Atalanta, tem ganhado seu espaço aos poucos e marcou apenas uma vez.

Entre os atacantes dos Azzurrini, a sub-21 italiana, o mais badalado é o de Immobile, um fazedor de gols nato, que há algum tempo, desde que Vieri, Inzaghi e Toni deixaram a Azzurra, a Itália ainda não encontrou – tenta buscar em Osvaldo, Pazzini e, agora, em El Shaarawy e Destro. O atacante é de propriedade da Juventus e está emprestado ao Genoa, depois de ter sido artilheiro da Serie B, com 28 gols. Pelo clube da Ligúria, começou a temporada no banco, mas já assumiu a titularidade e tem 4 gols. Na seleção, porém, ele é reserva de Gabbiadini (21), formado pela ótima categoria de base da Atalanta e emprestado ao Bologna pela Juventus, que já adquiriu seus direitos. Pelos azzurrini, Gabbiadini tem 10 gols em 16 jogos, mas nos clubes a média é menor: fez apenas um gol pela Atalanta, e, como está evoluindo, já marcou dois pelo Bologna. Como não apenas de gols vive um atacante e suas atuações tem sido boas, ele já ganhou uma chance na seleção principal.

Mangia ainda poderá usufruir de Longo (20), atacante que fez a Inter não investir 15 milhões de euros para contratar Destro. Estrela da companhia de Stramaccioni no título europeu sub-19 conquistado pelos nerazzurri, Longo foi alvo de disputa de mercado entre Inter e Genoa, que dividiam seu passe. De maneira que até estremeceu a relação entre as equipes, o centroavante agora é inteiramente da equipe de Milão, que o emprestou ao Espanyol. Tem jogado pouco, mas já guardou dois gols – mesmo número de gols que tem pela seleção sub-21, em três jogos. Na Inter, deverá ser o herdeiro de Milito, caso continue evoluindo.

A Itália sub-21 de Mangia ainda pode se dar ao luxo de não ter Paloschi (22), atacante que é titular por onde passou desde os 18 anos e que, pelo Chievo, é um dos destaques da equipe – marcou três gols contra o Genoa no domingo. Paloschi tem 25 jogos e 9 gols pela sub-21, e muita experiência em competições de base, já que atuou pelo Europeu sub-21 em 2009. Todos os jogadores sub-23 que foram citados no texto poderiam ser utilizados por Mangia no Europeu sub-21, que acontecerá em 2013, só para ter uma ideia de como a Itália tem um ótimo futuro no setor.

Com isto, a Itália dificilmente não construirá fortes equipes para as próximas Euros e Copas. A revelação de jogadores em outras posições não tem seguido o mesmo ritmo do ataque, mas a Itália tem bom material humano jovem também em outros setores, todos eles titulares de seus times. Podemos citar os goleiros Perin (Genoa, emprestado ao Pescara) e Bardi (Inter, emprestado ao Livorno, e, agora ao Novara); os defensores De Sciglio (Milan), Santon (Newcastle), Capuano (Pescara) Romagnoli (Pescara), Sampirisi (Genoa) e Ogbonna (Torino); os meias Verratti (PSG), Poli (Sampdoria), Florenzi (Roma) e Faraoni (Udinese).

Com os frutos plantados, a Itália deve colher bons resultados logo. A primeira geração de talentos formados nas categorias de base que ganharam espaço mais cedo entre os titulares, por causa da crise do futebol local, pode mostrar, com muita rapidez, como os clubes erravam em não fazer isto antes. Que bom.

Pallonetto

– A rodada foi morna na Itália e não trouxe surpresas. Entre os seis primeiros colocados antes de a rodada começar, apenas a Fiorentina não venceu. Ficou no empate com a Sampdoria por 2 a 2.

– No dérbi de Turim, a vitória da Juventus sobre o Torino por 3 a 0 ficou marcada pelos gols de Giovinco e Marchisio. Os dois nasceram na cidade, foram formados nas categorias de base da Juve e são torcedores do próprio clube.

– O Napoli, com Cavani, voltou a fazer muitos gols – fez 5 a 1 sobre o Pescara – e segue na cola da Juventus. Quem também jogou bem foi o garoto Insigne, que já merece a titularidade.

– Já a Inter, terceira colocada, voltou a vencer após quatro jogos, mas mostrou futebol muito ruim, de pouca criação: só venceu o Palermo graças a um gol contra de García. Enquanto isso, a crise com Sneijder só aumenta e o jogador parece cada vez mais perto de deixar Milão.

– Foi no sufoco, mas deu certo: a Roma venceu o Siena de virada, por 3 a 1, apesar de ter sido melhor durante quasr todo o jogo. Pela primeira vez desde janeiro, a equipe engatou uma série de três vitórias consecutivas.

– Klose continua decisivo para a Lazio. Em um jogo bem tranquilo contra o Parma, ele marcou mais um gol, na vitória por 2 a 1. Já são 9 no campeonato.

– O Milan vinha capengando, mas já é o sétimo colocado do campeonato – tem cinco pontos a menos que a Roma, sexta. Agora, Allegri precisa recuperar Boateng, que tem jogado muito mal. Na vitória por 3 a 1 sobre o Catania, deu mostras de que pode acordar ao marcar belo gol. No entanto, equipe começa a ser dependente de El Shaarawy, artilheiro do campeonato, com 12 gols – dois deles na sexta-feira.

– Seleção Trivela da 15ª rodada: Bizzarri (Lazio); Savic (Fiorentina), Ranocchia (Inter), Ciani (Lazio), Antonsson (Bologna); Pereyra (Udinese), Inler (Napoli), Marchisio (Juventus); El Shaarawy (Milan), Paloschi (Chievo), Destro (Roma). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

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