Itália

Jorginho, destaque do Napoli, foi convocado pela Itália, mas cairia muito bem no Brasil

A lista de convocados de Antonio Conte para os amistosos contra Espanha e Alemanha, nos próximos dias, a última data Fifa antes da Eurocopa da França, tem três jogadores que nasceram no Brasil: Thiago Motta, Éder e Jorginho, um dos grandes destaques da temporada do Napoli, vice-líder do Campeonato Italiano. Se os outros dois talvez não façam tanta falta à seleção brasileira, Jorginho tem características diferentes de qualquer jogador que Dunga convoca para o meio-campo e cairia como uma luva no time pentacampeão.

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Para quem não o conhece, vamos apresentar Jorginho: meia e/ou volante, 24 anos, nascido em Imbituba, Santa Catarina. Nunca atuou no futebol brasileiro. Chegou à Itália em 2007, por meio do empresário italiano Alessandro Blasi, que tocava um projeto em Brusque. Passou em um teste no Verona e teve que viver dois anos recebendo uma mesada de 20 euros por semana desse agente, que, segundo o jogador, embolsava o resto que o clube pagava. Pensou em voltar para o Brasil, mas persistiu. Foi integrado ao time principal em 2009, emprestado ao Sabonifacese, da quarta divisão, e despontou de verdade na temporada 2011/12. Depois de uma ótima Série B no ano seguinte, foi contratado pelo Napoli. Naturalmente, tem passaporte italiano.

Jorginho foi titular no começo da passagem de Rafa Benítez pelo San Paolo, mas, no segundo campeonato, acabou sendo preterido pelo técnico espanhol e passou a maior parte dos jogos no banco de reservas. Não encaixou muito bem no esquema 4-2-3-1. Por outro lado, Maurizio Sarri está sabendo tirar o seu melhor futebol. Jorginho atua como primeiro volante, à frente da defesa, a base de sustentação do trio de meio-campo que tem o compatriota Allan, ex-Vasco da Gama (outro jogador para se ficar de olho), e Marek Hamsik. Distribui o jogo para os companheiros e começa a armação desde a saída de bola, com passes de boa qualidade. Alguns jornais italianos afirmam que se trata de um regista. Tem um estilo parecido ao de Verrati, uma dos futuros líderes da Azzurra.

A ideia de Sarri, a princípio, era usar Mirko Valdifiori, contratado do Empoli no começo da temporada, na posição de Jorginho, mas ela foi rapidamente abortada. Valdifiori jogou 90 minutos apenas na estreia (derrota para o Sassuolo). Foi titular três vezes nas quatro rodadas seguintes e substituído pelo brasileiro em todas elas. Só começou jogando novamente depois do meio do campeonato, quando o novo titular estava suspenso. Jorginho ganhou a posição sem demora e esteve em campo em 27 dos 30 jogos do Napoli no Campeonato Italiano, 24 como titular.

Suas atuações têm sido ótimas. Jorginho tem a 19ª melhor nota da Serie A, segundo o site especializado Whoscored, mas o grande mérito está nos passes. Ninguém toca mais a bola que ele, com uma média de 104.2 passes por partida, muito superior à do segundo colocado (seu companheiro de equipe Hamsik, com 79.2). É o primeiro no ranking em porcentagem de passes certos (91%), entre jogadores com um número substancial de minutos – seria superado por William Vainqueur, da Roma, que jogou apenas 593 minutos; Jorginho jogou 2226 -. De todos esses passes, 62% são para a frente e ele também tem um bom portfólio de chances criadas: 43 no total, mais de uma por partida, e quatro assistências. É o 16º do campeonato que mais dá passe para finalização.

Um jogador que atua como primeiro homem de meio-campo, mas que não tem as características daquele volante pegador e carregador de piano. Alguém para qualificar a saída de bola, fazer a marcação, distribuir a bola com qualidade e armar o time desde trás. Nenhum brasileiro que vem sendo convocado por Dunga tem essas características, nem Elias, nem Fernandinho, nem Luiz Gustavo. Elias, Lucas Leiva, Ramires ou mesmo Casemiro, outros candidatos, também não.

No entanto, seria necessária uma boa retórica para convencer Jorginho a defender a Seleção. As declarações do catarinense sempre indicaram que queria jogar pela Azzurra. Foi o que disse ao Corriere dello Sport, em abril de 2014, antes da Copa do Mundo: “Sonho em jogar pela Itália. A seleção nacional é consequência do que você faz no clube, e eu estou fazendo bem no Napoli”. Em dezembro daquele ano, em entrevista à Rádio Bandeirantes de Imbituba, afirmou que estava mais próximo de jogar pela Itália, “pelo fato de nunca ter jogado profissionalmente no Brasil”, e que quando os brasileiros começaram a descobrir quem ele era, começou o papo sobre escolher uma das duas seleções. De qualquer maneira, nunca houve uma movimentação da CBF ou de Dunga e Felipão, pelo menos publicamente, para fazê-lo mudar de ideia.

Seu contrato recentemente foi renovado até 2020 porque o Napoli sabe que as boas atuações de Jorginho não passam mais despercebidas. Segundo seu empresário João Santos, o Arsenal está interessado, e depois da vitória contra o Palermo, em 13 de março, recebeu uma ligação com cumprimentos do Real Madrid. Em breve, se tudo der certo, deve estar brilhando por algum grande europeu e pela seleção italiana, enquanto o Brasil sofre para arrumar o seu meio-campo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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