Itália

Futuro sombrio

Mannone; Schelotto, Ranocchia, Ogbonna, Ariaudo; Mustacchio, Bolzoni, Marrone, Fabbrini; Okaka, Marilungo. Com essa escalação, a seleção sub-21 da Itália derrotou o País de Gales por 1 a 0, coroando a bem-sucedida arrancada final nas Eliminatórias e garantindo uma vaga nos play-offs para a fase final do torneio, a se disputar em 2011, na Dinamarca.

No entanto, mesmo para quem acompanha o futebol italiano com mais afinco, vários dos nomes utilizados pelo técnico Pierluigi Casiraghi causam estranheza. E não é por acaso. Dos onze escalados, apenas cinco jogam em clubes da Serie A, sendo que somente dois, Ranocchia e Schelotto, são titulares (Genoa e Cesena, respectivamente). O goleiro Mannone é do Arsenal, mas é o terceiro na ordem de preferência do técnico Arsène Wenger, ao lado dos questionáveis Almunia e Fabianski.

Entender a causa não é complicado: os times da primeira divisão, em especial os grandes, continuam relutando muito em apostar em jovens locais. Na primeira rodada da Serie A 2010/11, dos 274 jogadores que foram a campo, apenas 11 são sub-21 italianos. Tem sido mais fácil ver nos gramados estrangeiros da mesma faixa de idade.

O meia-direita Mustacchio, autor do gol da vitória sobre os galeses em Pescara, foi eleito um dos dez melhores jogadores do Mundial sub-20, ano passado. Pertence à Sampdoria, mas hoje defende o Varese, recém-promovido à segunda divisão.

Situação semelhante vive Soriano, volante que havia definido o placar de 1 a 0 contra a Bósnia, na última sexta-feira. O volante é outro sob contrato com a Samp, e está cedido ao Empoli. O jogador, nascido na Alemanha e filho de pais italianos, foi descoberto nas categorias de base do Bayern Munique, onde jogava ao lado de Diego Contento, outro filho de imigrantes (tem pais napolitanos e, nascido em 1990, foi batizado em homenagem a Maradona).

Hoje, Contento está firme no time principal do Bayern, atuando várias vezes como titular, enquanto Soriano tem de lutar por espaço em um time da Serie B.

A seleção sub-21 da Itália sempre foi respeitada como uma das mais fortes do continente. Em sete edições entre 1992 e 2004, conquistou o título em cinco oportunidades. Desde que a competição passou a ser classificatória para os Jogos Olímpicos, nunca deixou de alcançar a vaga.

O elenco campeão sub-21 em 2004 tinha cinco jogadores que, dois anos depois, seriam campeões mundiais em Berlim: Amelia, Zaccardo, Barzagli, Gilardino e De Rossi. Hoje é difícil imaginar que a atual seleção sub-21 tenha o mesmo número de jogadores capazes de dar o salto para a seleção principal em dois anos. O único com potencial visível é Ranocchia.

Uma seleção forte na base não é a garantia de uma transição positiva, mas olhar para o panorama atual deixa um grande ponto de interrogação sobre o futuro da Azzurra.

Cassano e mais dez

A preocupação em priorizar o talento no novo ciclo de trabalho na Azzurra fica evidente quando se nota a importância dada a Antonio Cassano. A vitória por 2 a 1 sobre a Estônia, no primeiro jogo pelas Eliminatórias da Eurocopa, só veio graças ao atacante da Sampdoria, que marcou o gol de empate com uma cabeçada e deu um belo toque de calcanhar para a virada, assinada por Bonucci.

Aos 28 anos, Cassano tem enfim mostrado maturidade nas atitudes e nas declarações. Reconhece que seu comportamento irresponsável o prejudicou em momentos cruciais da carreira, mas não quer olhar para o passado. Ele aponta o casamento com a jogadora de pólo aquático Carolina Marcialis (que está no segundo mês de gravidez) como um ponto de virada para sua vida dentro e fora de campo.

Por incrível que pareça, os problemas da nova Itália não estão no ataque, e sim na defesa. O jogo em Tallinn foi o sexto consecutivo em que a equipe sofreu gol, algo inaceitável para um país com tamanha tradição defensiva.

A preocupação reside sobretudo nas laterais, onde nomes como Cassani e Molinaro se mostram claramente abaixo do tamanho da responsabilidade. Para quem teve Tassotti e Maldini, ou até mesmo Zambrotta e Grosso em finais de Copa do Mundo, é muito pouco.

Diante das dificuldades que Prandelli encontrará nos próximos meses, o mais importante neste início é ter os resultados. Por isso, ainda que sofrida, a vitória na estreia tem de ser valorizada. Afinal de contas, poderia ser muito pior, certo, França?

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Equipe Trivela

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