Itália

Futuro que não chega

Se o terceiro lugar na Série A foi estabelecido como objetivo mínimo para o Milan, então o técnico Carlo Ancelotti pode dormir tranquilo. A Fiorentina, que poderia ser a principal adversária dos rossoneri na briga por uma vaga direta na Liga dos Campeões, deu sinais de não ter força suficiente para ir além da quarta posição que ocupa – e só permanece nela por causa dos tropeços dos rivais.

A derrota em casa por 2 a 0 para o Palermo, no último domingo, foi preocupante não apenas pelos pontos desperdiçados. Acidentes de percurso acontecem à Viola e também aos concorrentes diretos. O principal problema foi a apatia mostrada pela equipe diante da torcida no estádio Artemio Franchi. Nenhum jogador teve coragem – ou argumentos – de reclamar das vaias após o apito final.

Desde que superou as dificuldades provocadas pela falência e o caminho de volta à Série A, restabelecendo Florença como uma das principais praças do futebol italiano, a Fiorentina vem dando a impressão de ser um time para o futuro. Projeto de longo prazo comandado por um técnico respeitado como Cesare Prandelli, investimento garantido pelo patrono Diego Della Valle, um público dedicado e fiel.

A sensação que fica agora, pelo menos da temporada passada para a atual, é de que este futuro já deveria no mínimo estar mais próximo. O elenco se fortaleceu, com contratações importantes como as de Felipe Melo e Gilardino, além da permanência de peças fundamentais como Frey e Mutu, cobiçados por outros clubes.

Tudo sugeria uma melhor campanha, mas a Fiorentina tem um ponto a menos do que tinha nas mesmas 27 rodadas em 2007/08. E não há como esconder o fato de que a campanha europeia da equipe foi decepcionante. Na Liga dos Campeões, não foi páreo para Bayern e Lyon, e na Copa Uefa sucumbiu na primeira barreira: um Ajax que não é exatamente a potência de outros tempos.

O revés diante do Palermo, que vinha de sofrer uma goleada de 4 a 0 em casa no dérbi com o Catania, não foi um fato isolado. A Fiorentina não faz uma grande partida desde dezembro. A intertemporada em Marbella parece não ter feito bem ao time, que talvez sinta a cobrança física de uma preparação antecipada em função da fase preliminar da LC, em agosto.

Nos dois jogos anteriores ao do último domingo, o time de Prandelli já havia sofrido contra adversários de categoria bem inferior. Contra o Chievo, em casa, a vitória por 2 a 1 só chegou nos instantes finais. Na visita à lanterna Reggina, na rodada seguinte, nada além de um empate por 1 a 1.

É possível dizer que a lesão que encerrou a temporada do argentino Santana no início de fevereiro pesou contra as ambições da equipe, já que ele vinha tendo ótimo rendimento como homem de ligação, atrás de Mutu e Gilardino. Jovetic não se adaptou à função, e Jorgensen pareceu um peixe fora d’água no setor contra o Palermo. Por não ter um jogador como Fábio Simplício, um dos melhores na posição de “trequartista” no país, teria sido recomendável mexer no esquema – por exemplo, um 4-3-3 com a entrada de Semioli.

Outro fator preocupante para a Fiorentina é a dificuldade de Montolivo em se livrar do rótulo de promessa e se estabelecer como um meio-campista de ponta da Série A, como muitos esperavam. Ele é capaz de atuações de primeira linha, mas em alguns jogos some e não dá a contribuição de que o time necessitava.

Questões táticas à parte, Prandelli quer explicações para a falta de vontade que o time deixou transparecer no domingo. Por isso, a semana deve ser de muita cobrança interna, com lavagem de roupa suja. Uma verdadeira terapia de grupo. Della Valle manifestou publicamente sua insatisfação com os jogadores – “Fazem o que amam, ganham muito dinheiro, mas têm de lutar com o coração” – e admitiu que a posição na tabela é bem melhor do que o momento do time.

Para piorar a situação, o próximo compromisso da Fiorentina é justamente uma visita a San Siro para enfrentar a líder Internazionale. Pode ser difícil arrancar um bom resultado, mas é fundamental que o time tenha uma atuação satisfatória para recuperar a confiança. Genoa e Roma não vão tropeçar sempre.

Amauri, semana decisiva

A novela sobre a seleção que defenderá Amauri já se arrastou por muito mais tempo do que deveria. Agora, aparentemente, está perto do fim. Sua mulher jurou a Constituição italiana e abriu o caminho para que o atacante juventino obtenha seu passaporte em breve. Os trâmites podem levar até seis meses, mas Amauri terá de anunciar antes sua decisão.

Nesta semana, Dunga anuncia os convocados para os próximos jogos da Seleção Brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Caso Amauri esteja entre eles, não poderá se esconder atrás da falta de cumprimento dos prazos da Fifa, motivo alegado pela Juventus para não liberá-lo da última vez. Então, ou ele aceita o chamado ou recusa abertamente seu país de nascimento.

Para evitar o constrangimento, Amauri poderia anunciar sua escolha pela Itália antes da convocação de Dunga. Assim, oficialmente não seria uma rejeição ao Brasil, mas uma opção pela Azzurra. A julgar pela entrevista que concedeu na segunda-feira à Gazzetta dello Sport, este é o desfecho mais provável.

“Que fique claro que, se eu jogar pela seleção italiana, não será por cálculo ou pela carreira, mas porque tenho um sentimento. Estou há dez anos na Itália, este país me deu tudo, e vestir a camisa azzurra seria um modo de retribuir”, declarou o atacante de Carapicuíba. Para bom entendedor, meia palavra basta.

De qualquer forma, o impasse não tem feito bem a Amauri, que marcou 13 gols nos primeiros quatro meses da temporada, e apenas um nos últimos dois. Algo que pode se explicar, em parte, com a recuperação de Trezeguet e a pressão maior por continuar rendendo para manter a vaga no time.

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Equipe Trivela

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